Polo de artesanato de Pereiro abastece várias cidades do País
Implantada há dez anos, a Associação dos Artesãos da cidade de Pereiro reúne 85 membros efetivos
Pereiro. Quem sobe a serra de Pereiro, esta pequena cidade, localizada no Vale do Jaguaribe, na divisa do Ceará com o Rio Grande do Norte, encontra um clima ameno, em pleno sertão, e depara-se com opção de compra de artesanato cearense. São peças variadas em tecido, bordado, crochê, filé, renda e bicos. Com esforço, os artesãos encontram espaço de comercialização de seus produtos em Fortaleza, São Paulo e em outras cidades.
O forte da produção local é a tipologia do hardanger - um bordado vazado ou não, com aplicação em diversas peças, que atrai o gosto do consumidor. Implantada há dez anos, a Associação dos Artesãos de Pereiro reúne 85 membros, que estavam dispersos, em suas casas, produzindo por conta própria e sem acompanhamento de profissionais. Em 2007, a realidade começou a mudar e, em 2012, foi implantada a Central de Artesanato em parceria com a Fundação Banco do Brasil (FBB), a Prefeitura Municipal e o Sebrae.
A empresária Maria Lúcia Martins Santos observou que as artesãs locais tinham potencial de crescimento e iniciou uma ação voluntária. "Começamos um trabalho de organização, divulgação, de participação em feirinhas", disse. Há 37 anos, Lúcia Martins mora na cidade, oriunda de Jaguaribe. Instalou-se como microempreendedora no ramo de produção de peças íntimas, mas dedica parte do tempo a apoiar a produção artesanal local. Os artesãos procuraram o Banco do Brasil e encontraram apoio no então gerente da unidade local, Carlos Leite. O projeto financiado pela FBB no valor de R$ 100 mil e mais uma contrapartida de R$ 11 mil e doação do terreno pelo município permitiu a construção da Central de Artesanato com amplo espaço de produção, escritório e de exposição das peças.
Com o objetivo de aperfeiçoar a produção de peças, implantar novos modelos, a Associação buscou apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) da unidade regional de Limoeiro do Norte, que decidiu investir no projeto, oferecer cursos, capacitações e facilitar a comercialização dos produtos na Central de Artesanato do Ceará (Ceart), em feiras e rodadas de negócio. "Vejo que há potencial e a renda depende do esforço, da dedicação de cada artesã", observa Maria Lúcia Martins. "Há dificuldades em decorrência da indústria que copia modelos, fabrica peças semelhantes, utilizando crochê e tricô, além da falta de valorização pelos consumidores".
A produção artesanal é sustentável e contribui para reduzir impactos no meio ambiente. "O consumo de energia é mínimo. A artesã continua como dona de casa, cuidando de suas tarefas, dos filhos, e ainda gera emprego e renda na comunidade", pontua Lúcia Martins. "Isso é fantástico, é ecológico".
A artesã Iara Roseno é um exemplo. Permanece cuidando das atividades do lar e encontra tempo para produzir as peças artesanais. "Antes não me dedicava muito; mas, a partir dos cursos do Sebrae e da Ceart, resolvi ampliar a produção", contou. "Produzo peças diversas, pano de prato com bordados e almofada". Ela conta com o apoio da nora, Milene Martins, que vem tomando gosto e se aperfeiçoando na confecção de peças de artesanato.
Na lojinha da Central de Artesanato, os visitantes encontram toalha de banho bordada em handarger, com aplicação em agulha de costura, blusa, túnica e xale em crochê e filé, vestidos, saída de banho, caminho de mesa, toalhinha de bandeja, camisa de garrafão e peças diversas de decoração.
Valorização
As artesãs defendem a necessidade de maior valorização de seus trabalhos. Na lojinha, há um rodízio entre elas nos turnos da manhã e tarde. A artesã Maria Isabel do Nascimento dedicou-se à reciclagem produzindo peças de decoração com o uso de garrafas PET e Maria Aparecida Siqueira transforma vasilhames de polietileno em lindos baús, com aplicações de renda, além de produção de outras peças comercializadas em São Paulo.
A gerente regional do Sebrae, em Limoeiro do Norte, Wandrey Pires, ressaltou que a instituição vem apoiando a Associação com estruturação de governança, melhoria do processo de gestão, introdução de novas tipologias, acesso ao mercado por meio de feiras e rodas de negócio. "Sabemos que não é fácil porque não há valorização da cultural local", frisou. "A maioria compra peças importadas da China e deixa de gerar emprego e renda na nossa região".
A Associação de Artesanato tem o apoio do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, da Pastoral da Criança, da Associação São Vicente, Associação Vencer Junto e da Secretaria do Trabalho e de Assistência Social da Prefeitura de Pereiro.
Enquete
O trabalho aqui é valorizado?
"Faço um trabalho voluntário de incentivo e apoio à atividade porque acredito no potencial local e vejo que o artesanato é uma atividade limpa, ecológica, que incentiva a geração de renda e a ocupação na região"
Maria Lúcia Martins
Empresária

"Depois das capacitações do Sebrae, passei a me dedicar mais, com a ajuda de uma nora, a produzir mais peças, mas a gente percebe que falta valorização por parte dos moradores e consumidores"
Iara Roseno
Artesã

Mais informações:
Central de Artesanato de Pereiro
Rua Nel Queiroz, 42 - Centro
Telefone: (88) 9 9924- 0642
Escritório Regional do Sebrae
Limoeiro do Norte: (88) 3423-2488