Madeira é transformada em arte

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Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: WILDOMAR FERNANDES...
Foto: Cristiane Vasconcelos

Cristiane Vasconcelos
enviada a Ubajara

A arte já se espalha por diferentes profissionais na cidade, mas a opinião de todos os escultores de madeira no Município de Ubajara é a mesma. Para o trabalho ter sucesso é preciso gostar do que se faz e ter certo dom para a atividade. As ferramentas são pequenas e numerosas, cada uma serve para dar à madeira morta, retirada das matas da região, uma forma determinada, ao gosto de cada um. Com a madeira áspera, as mãos parecem já não se incomodar. De um modo delicado e minucioso os artesãos de madeira de Ubajara vão criando as mais diversas esculturas que, da pequena cidade interiorana, já rumaram até para o exterior.

Frank Castro, Wildomar Fernandes e José Oliveira Alves, o Matias, nessa ordem, são alguns dos mais antigos na prática do trabalho. Apesar das diferenças artísticas vistas nas esculturas de cada um, o amor pelo trabalho parece ser o que mais move os três. Tomando a escultura em madeira, geralmente o cedro, mais abundante na região, como profissão, eles também espalham, pouco a pouco, suas peças pela região e pelo País.

Além das pessoas da terra, em época de alta estação, os turistas também se encantam com os trabalhos, revelam os artistas — o que gera um incremento nas vendas e uma divulgação bem importante do trabalho que lá é feito. As peças criadas seguem inspiração do dia a dia dos artesãos, que vai da arte abstrata, a preferida de Matias, a escultura que retrata costumes populares, como algumas feitas pelo jovem Wildomar, de apenas 21 anos. Já as esculturas de Frank Castro, um dos mais experientes da região, já foram expostas em feiras pelo País e encomendadas para exportação.

Para quem se interessa em ter uma dessas a garantia é que está adquirindo uma peça única, como afirmam também os três artesãos, “As peças não se repetem, até porque nunca ninguém consegue fazer duas totalmente iguais. Sempre muda algum detalhe”, revela Frank. Os tamanhos vão de poucos centímetros aos altos totens de dois metros. Bem variado, assim como os valores. Os preços atendem aos diferentes públicos. Indo do mínimo de R$ 2,00 ao máximo de R$ 5 mil, como algumas peças que Frank Castro já comercializou. Ele diz que seja por encomenda ou não, não há grande risco de prejuízo. “Há uma venda garantida para elas”, conta.

A prova de que, além da satisfação pessoal, o trabalho é uma boa forma de sustento é a experiência de Wildomar Fernandes, que aprendeu com o cunhado aos nove anos e, hoje, apenas com 21 anos, casado, sustenta a casa (que também é seu ateliê) com o trabalho artesanal. Apesar disso, ele ainda espera que as coisas melhorem. “Dá para comer e pagar o aluguel. Mas nas férias as coisas melhoram”, assume. Ainda assim, o artista revela que suas peças hoje podem chegar a até R$ 2,5 mil — valor algumas vezes proporcional ao tempo de fabricação, que, no caso de Wildomar, já chegou a trabalhar em uma mesma peça por um mês e quinze dias.

Com prós e contras, a arte em madeira vem se firmando cada vez mais em Ubajara e levando a fama da cidade pelo País afora. Bom para o Município, bom para os trabalhadores, que levam muito a sério a profissão. Prova disso, conta Frank Castro, com 30 anos no ramo, são artesãos que aprenderam o que sabem com ele e hoje se encontram em diferentes cidades, como Sobral e São Paulo, por exemplo. Entre os três, a única queixa vem de Frank. Para ele, falta na arte hoje o “belo”, ou seja, algo trabalhado com verdadeiro esforço pelo artista. Fato esse, que o levou a abdicar de salões e exposições. Mas nada que tenha impedido a continuidade do bonito trabalho nascido de uma natureza, pensasse outros, que estivesse morta.