Polo de alumínio é primeiro do NE
São 130 fábricas formalizadas e mais 50 no campo da informalidade em Juazeiro do Norte
Juazeiro do Norte. Das oficinas de fundo de quintal a grandes empresas formalizadas, o alumínio reluz como ouro branco nas indústrias de Juazeiro do Norte, mesmo em tempos de crise. São 130 fábricas formalizadas e mais 50 no campo da informalidade, levando a cidade ao patamar de 4º polo industrial de alumínio do Brasil e o primeiro do Nordeste, na produção de panelas. A vocação da cidade atrai fabricantes e consumidores ao mesmo tempo em que dá visibilidade ao mercado para atender a demanda de vários Estados do País. Tudo começou com o Padre Cícero e hoje o setor chega a gerar R$ 144 milhões por ano, nas três principais cidades da região. Juazeiro do Norte, assume a dianteira desse montante, com cerca de R$ 96 milhões.
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Empenho
O destaque do setor, que já é o segundo maior em geração de empregos em Juazeiro, ficando atrás apenas do polo calçadista, tem sido pelo empenho dos empresários. São cerca de 4 mil empregos formais, sem falar naqueles das empresas informais e no comércio. Os fabricantes têm acreditado no empreendedorismo da área, mas ainda se ressentem dos investimentos no setor público, para incentivar o mercado. O retorno financeiro, para a cidade, tem sido forte impulsionador da economia local, segundo o delegado do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Ceará (Simec), no Cariri, Adelaído de Alcântara Pontes, empresário do segmento.
Ele calcula em toneladas por mês o resultado no faturamento. São 400 toneladas do produto comercializadas a cada mês, sendo 250 em Juazeiro do Norte, que lidera disparado o setor. Nos últimos anos, o delegado do Simec afirma que pôde ser constatado o fechamento de algumas empresas, o que ele considera natural, diante da crise que o Brasil tem enfrentado. Mas, ressalta que esse tem sido um processo que garante a presença dos verdadeiros empreendedores. "Muitos aproveitaram os créditos disponíveis para investir, mas não tinham uma vocação e um conhecimento maior do segmento. Por isso, não se sustentaram", constata.
A conquista de uma representatividade do Simec no Cariri veio a partir dessa visibilidade que a indústria e comércio do alumínio passaram a ter, com o crescimento principalmente nas últimas três décadas. Adelaído é um dos empresários que começou com um pequeno negócio em Crato, e, no começo da década de 2000, veio se instalar na terra do Padre Cícero. Hoje, tem uma empresa maior e uma filial. As regiões Norte e Nordeste estão entre as que mais consomem o alumínio do Cariri. Um mercado que tem se ampliado, alcançando todos os Estados do Norte; e principalmente Bahia, Pernambuco e Ceará, no Nordeste.
O comércio das romarias tem sido um dos grandes incentivadores do setor, ao longo dos anos, além de divulgador do produto. Nas festas religiosas da cidade, é comum encontrar pilhas de alumínio nas ruas, com panelas de todos os tipos, espessuras e tamanhos, colheres, copos, frigideiras, cuscuzeiras, fôrmas de bolo de todos os formatos e até conjunto de panelinhas para as crianças. Mas há o predomínio, segundo Adelaído, do alumínio mais popular, com uma espessura fina e leve.
O resultado nas vendas não tem sido tão animador nos últimos anos. Há uma queda significativa. Muitos empresários reduziram bastante o volume de fabricação, mas, como polo, tem um mercado que sempre está demandando o produto da região. O comerciante Antônio Tavares tem seu estabelecimento ao lado de mais quatro lojas que vendem exclusivamente alumínio, na Rua São Paulo, no Centro de Juazeiro. Ele afirma que, no período de romaria, havia sempre um aumento significativo nas vendas. Mas a redução foi brusca nos últimos anos.
Para se ter uma ideia, Tavares chegava a comercializar por romaria, como a de Nossa Senhora das Dores, 500 dúzias de copo de alumínio. Hoje, são apenas 50. Na década de 1990, o seu volume de vendas era bem maior. Quem sobrevive do comércio popular ou dos crediários, com os produtos de linha mais popular, a exemplo do fabricante João Pinheiro Filho, a realidade tem sido dura, em função da inadimplência. "Temos que nos adequar à realidade do mercado, e ter o cuidado de não contrair dívidas" afirma.
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Juazeiro do Norte tem investido em políticas de formalização de algumas indústrias, segundo o secretário Antônio Barbosa Mendonça. Foram doados terrenos para sete empresas se instalarem. Mas o delegado do Simec diz que praticamente em todos esses anos, não houve apoio do poder público para o setor.
Mais informações:
Simec - Cariri
R. Vicente Teixeira de Macedo, 761
Planalto - Juazeiro do Norte
Telefone: (88) 3512-5820