Pequenos produtores aderem ao associativismo
Alex Pimentel
enviado a Ibicuitinga
A forma como as abelhas trabalham é considerada por estudiosos como um dos mais complexos e organizados sistemas de convívio comunitário. Ininterruptamente, esses pequenos insetos, da família ápis melífera, labutam na formação de suas colméias e produção de seu alimento, o mel. Estudos científicos apontam que as abelhas costumam produzir até 40% a mais do que necessitam, por precaução.
Nessa mesma realidade vivem dezenas de pequenos produtores rurais do município de Ibicuitinga, situado entre Quixadá e Morada Nova, no Sertão Central, distante 217 km de Fortaleza. Eles perceberam a necessidade de se associarem para garantirem o sustento pessoal e de suas famílias. Assim como as abelhas, tiveram que se organizar e decidir qual meio de subsistência lhes seria mais adequado e oportuno. Perceberam, na apicultura, um excelente meio de vida.
No início de 2003, 34 deles decidiram se unir, formaram a Associação dos Apicultores de Ibicuitinga (Aapi) e elaboraram projetos para a implantação de apiários no município. Passaram a contar com a orientação e o auxílio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresa (Sebrae), se capacitaram, dominaram a técnica e apresentaram proposta para financiamento de recursos para desenvolvimento de suas idéias junto ao Banco do Nordeste do Brasil (BNB).
A idéia foi aceita e, através do Projeto Ápis Sertões Cearenses, receberam os recursos necessários e, com eles, três Casas do Mel. Segundo o secretário de Trabalho e Empreendedorismo de Ibicuitinga, Francisco Cristiano Batista de Oliveira — órgão que também se associou no auxílio ao projeto, os recursos cedidos pelo BNB foram da ordem de R$ 210 mil. Além da construção de três casas de mel, os pequenos produtores receberam o material necessário para implantação de suas colméias. Há pouco mais de um ano iniciaram o processo e já colheram resultados e milhares de quilos de mel.
De janeiro a agosto deste ano, os apicultores associados produziram 25 toneladas de mel. Em setembro, teve início a estiagem que se prolongará até o início do inverno. Nesse período, os apicultores continuam dando assistência aos apiários. Não retiram mel para garantirem às abelhas o sustento alimentar, mantendo assim o equilibro ambiental do sistema trabalhado, foi o que garantiu Jesias Saraiva Dias, um dos associados.
Objetivos Gerais
OBJETIVOS — O Projeto Apis, do Sebrae, busca desenvolver o potencial apícola cearense, com a meta de gerar oportunidade para que milhares de famílias rurais aumentem suas rendas com sustentabilidade. Tem como objetivo desenvolver, organizar e fortalecer as estruturas de governança da cadeia produtiva, buscando coordenar ações, articular esforços; integrar competências; e viabilizar negócios.
Esses objetivos estão sendo buscados através da articulação dos projetos dos Sebrae estaduais, Espaço Apis, apoio à formação de redes associativas e à integração produtiva.
Tem como público-alvo grupos organizados de pequenos apicultores; micro e pequenas empresas de processamento, comercialização e distribuição; micro e pequenas empresas fornecedoras de insumos e equipamentos.