Pedra da Batateira seria represa do mar no Vale do Cariri
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Antônio Vicelmo
Os remanescentes da tribo dos índios Cariris, alocados no Vale Caririense, trouxeram codificada, na sua sensibilidade, intuição e memória, a evocação da imensa Bacia Amazônica, das suas enchentes devastadoras. Não foi difícil à sua fértil imaginação idealizar que todo o Vale fosse um mar subterrâneo, com imenso caudal represado pela Pedra da Batateira — onde hoje está situada a Matriz de Crato — que seria a cama da baleia ou “Iara”, a Mãe das Águas. Pelo imaginário popular, um dia a Batateira pode rolar. Todo o Vale Caririense seria inundado e ninguém conseguiria sobreviver.
Os escombros do velho engenho de rapadura do Sítio “Lagoa Encantada” são as únicas lembranças das assombrações que ali apareciam. Os mais velhos contam que , além da “Mãe D’água”, era vista, com freqüência, naqueles brejos, uma cobra gigante que engolia um boi. O mestre de rapadura Geraldo Vicente da Silva, conhecido por “Geraldo Roxo” conta que , quando chegou à Lagoa Encantada, em 1946, ouviu muitas histórias sobre esta cobra. “Todo mundo aqui tinha medo dela”, diz. Fala-se também numa sereia, metade homem, metade mulher, que com o seu canto sedutor, atraia os homens.
Os cronistas dos séculos XVI e XVII registraram essa história. No princípio, o personagem era masculino e chamava-se Ipupiara, homem peixe que devorava pescadores e os levava para o fundo do rio. No século XVIII, Ipupiara vira a sedutora sereia Uiara ou Iara. Todo pescador brasileiro, de água doce ou salgada, conta histórias de moços que cederam aos encantos da bela Uiara e terminaram afogados de paixão. Ela deixa sua casa no fundo das águas no fim da tarde. Surge magnífica à flor das águas: metade mulher, metade peixe, cabelos longos enfeitados de flores vermelhas. Por vezes, ela assume a forma humana e sai em busca de vítimas.
Quando a Mãe das Águas canta, hipnotiza os pescadores. Um deles foi o índio Tapuia. Certa vez, pescando, Ele viu a deusa, linda, surgir das águas. Resistiu. Não saiu da canoa, remou rápido até a margem e foi se esconder na aldeia. Mas enfeitiçado pelos olhos e ouvidos não conseguia esquecer a voz de Uiara. Numa tarde, quase morto de saudade, fugiu da aldeia e remou na sua canoa rio abaixo. Uiara já o esperava cantando a música das núpcias. Tapuia se jogou no rio e sumiu num mergulho, carregado pelas mãos da noiva. Uns dizem que naquela noite houve festa no chão das águas e que foram felizes para sempre. Outros dizem que na semana seguinte a insaciável Uiara voltou para levar outra vítima (A.V.).
Os escombros do velho engenho de rapadura do Sítio “Lagoa Encantada” são as únicas lembranças das assombrações que ali apareciam. Os mais velhos contam que , além da “Mãe D’água”, era vista, com freqüência, naqueles brejos, uma cobra gigante que engolia um boi. O mestre de rapadura Geraldo Vicente da Silva, conhecido por “Geraldo Roxo” conta que , quando chegou à Lagoa Encantada, em 1946, ouviu muitas histórias sobre esta cobra. “Todo mundo aqui tinha medo dela”, diz. Fala-se também numa sereia, metade homem, metade mulher, que com o seu canto sedutor, atraia os homens.
Os cronistas dos séculos XVI e XVII registraram essa história. No princípio, o personagem era masculino e chamava-se Ipupiara, homem peixe que devorava pescadores e os levava para o fundo do rio. No século XVIII, Ipupiara vira a sedutora sereia Uiara ou Iara. Todo pescador brasileiro, de água doce ou salgada, conta histórias de moços que cederam aos encantos da bela Uiara e terminaram afogados de paixão. Ela deixa sua casa no fundo das águas no fim da tarde. Surge magnífica à flor das águas: metade mulher, metade peixe, cabelos longos enfeitados de flores vermelhas. Por vezes, ela assume a forma humana e sai em busca de vítimas.
Quando a Mãe das Águas canta, hipnotiza os pescadores. Um deles foi o índio Tapuia. Certa vez, pescando, Ele viu a deusa, linda, surgir das águas. Resistiu. Não saiu da canoa, remou rápido até a margem e foi se esconder na aldeia. Mas enfeitiçado pelos olhos e ouvidos não conseguia esquecer a voz de Uiara. Numa tarde, quase morto de saudade, fugiu da aldeia e remou na sua canoa rio abaixo. Uiara já o esperava cantando a música das núpcias. Tapuia se jogou no rio e sumiu num mergulho, carregado pelas mãos da noiva. Uns dizem que naquela noite houve festa no chão das águas e que foram felizes para sempre. Outros dizem que na semana seguinte a insaciável Uiara voltou para levar outra vítima (A.V.).