Pandemia agrava demora na reforma de Hospital pediátrico no Cariri
A obra do Hospital Infantil Maria Amélia Bezerra de Menezes, em Juazeiro do Norte, deveria ter sido concluída em maio passado. Além da pandemia, foram detectados problemas na estrutura do prédio. Pacientes estão prejudicados
Problema estrutural na laje e a pandemia do novo coronavírus resultaram no atraso da obra de reforma e ampliação do Hospital Infantil Maria Amélia Bezerra de Menezes, em Juazeiro do Norte. Os serviços deveriam ter sido concluídos em maio passado, mas apenas agora o cronograma chegou a 50%. Não há previsão para conclusão da obra. O prazo inicial era de 18 meses.
O atraso traz impacto para moradores de 45 municípios da macrorregional de Saúde do Cariri. A unidade hospitalar deverá ser referência em pediatria para a região. O orçamento é de R$ 4,5 milhões, em convênio com o Governo do Estado.
Atendimento
Na manhã dessa terça-feira (8), a dona de casa Gorete Limeira acompanhou o filho de oito anos com quadro de pneumonia agravado para o Hospital Estephânia Rocha Lima, no Centro em Juazeiro do Norte. "Se o Hospital Maria Amélia estivesse funcionando, acho que as condições de atendimento seriam melhores", ponderou.
Parte da antiga unidade foi demolida e as instalações hidráulicas, elétricas, sanitárias e a construção das novas estruturas da ampliação avançaram nos primeiros seis meses. O projeto amplia de 20 para 50 leitos, sendo dez cirúrgicos e prevê otimização do espaço.
O atendimento em pediatria foi transferido, ainda em junho de 2018, para o Hospital Estephânia Rocha Lima, que foi reestruturado - salas climatizadas, aberturas de consultórios e de leitos.
Inicialmente, houve dificuldades de contratação de empresa para a obra. Em maio e agosto de 2018, na fase de habilitação do processo de licitação, as empresas não estavam aptas segundo critérios legais. A ordem de serviço para início da obra veio em 7 de novembro de 2018.
O presidente da Associação dos Municípios do Ceará (Aprece), Nilson Diniz, lembrou que "é comum atraso no cronograma de execução de obras públicas e que neste ano, por causa da pandemia, muitos projetos sofreram paralisações e atraso com redução do número de operários".
Ele lembrou a importância de ter um hospital referência e exclusivo em pediatria "para atender à macrorregião, com melhor suporte, e não ter em uma mesma unidade adultos e crianças".
Esclarecimento
Por meio de nota, a Secretaria de Saúde de Juazeiro do Norte informou que as obras estão adiantadas, mas não precisou percentual de cronograma. O Município esclareceu que no decorrer da obra foi "descoberta uma falha na estrutura da laje, que iria comprometer a segurança e, por isso, houve necessidade de modificação do projeto que resultou no atraso da obra".
Climatização
Com relação ao atendimento das crianças, a Prefeitura informou que o Hospital Maria Amélia "já funcionava de forma precária e que houve climatização e melhoria da estrutura do Hospital Estephânia Rocha Lima, sem prejuízo para o atendimento dos pacientes locais". Por último, avaliou que "houve melhores condições de assistência ambulatorial e hospitalar".
A Secretaria da Saúde do Estado foi questionada pela reportagem sobre o atraso, mas até o fechamento desta edição não se manifestou.