Novo projeto deve ficar pronto em 15 dias
Amedrontados e obrigados a colocar suas vidas em risco. É assim que se sentem as pessoas que necessitam transitar pela Ponte Juscelino Kubitschek, que passa sobre o Rio Jaguaribe, na entrada da cidade de Aracati, localizada a aproximadamente 141 quilômetros de Fortaleza, continuação da BR-304. Não é difícil constatar o motivo do medo e verificar que não é em vão. A situação da ponte não é nada boa. Algumas grades de proteção, ao longo dos seus 460 metros, estão quebradas; estruturas de ferro estão expostas; o reboco está se desfazendo; e há infiltrações na parte inferior. Entretanto, o novo projeto para construção da nova ponte — com 466 metros— e restauração da antiga ficará pronto dentro de 15 dias. O prazo foi informado pelo coordenador da 3ª Unidade do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) no Ceará, Armando Fontenelle de Albuquerque. “Será encaminhado para Brasília para ser aprovado pelo Dnit de lá. Só, então, é que será iniciado o processo de licitação”.
Vale ressaltar que esta medida já está atrasada, levando em consideração que ultrapassa o prazo, de 30 dias, dado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), em julho deste ano, para que o órgão retomasse as obras.
Além dos problemas estruturais, a situação se agrava quando se observa a disputa entre pedestres, motoristas e carroças por um lugar na ponte. A circulação, tanto de veículos quanto de pedestres é constante. Devido ao intenso fluxo, não é raro ver, em vários momentos, os ciclistas tendo que parar, descer e empurrar suas bicicletas para poder atravessar ou, então, ficam parados, esperando que os veículos passem e, só assim, concluem sua travessia.
“É muito sofrimento. Quem tem que fazer compra no outro lado da ponte, no Centro da cidade de Aracati, fica com medo de ir e morrer. Os carros não respeitam”, contou o servente Fábio Firmino dos Santos. O artesão Roberto Carlos de Souza conta que “quando os carros passam a gente, às vezes, vê a ferrugem cair, sente estremecer. Além disso, é perigoso que alguma grade de proteção, que está pendurada, caia na cabeça de algum pescador”.
A verdade é que a situação poderia estar bem diferente se as obras de recuperação e a construção de nova ponte de duplicação não estivessem paralisadas desde 2002, mesmo ano em que foram iniciadas. No entanto, até agora, só existem sete alicerces, com vigas e pilares construídos.
Os problemas são confirmados pelo titular da Secretaria de Infra-Estrutura de Aracati, Marcelo Scarano. Ele ressaltou que um dos principais problemas acarretados pela situação da ponte é, realmente, com relação à segurança das pessoas. “A ponte como está hoje, seu aspecto, não oferece segurança para as pessoas que transitam no Município. Por conta dos buracos, as pessoas descem para a pista e correm o risco de serem atropeladas. A outra questão é que a cidade fica com um aspecto de abandonada. A ponte é a porta de entrada do Município”.
Mesmo com poucos recursos, conforme Scarano, “foi a Prefeitura que fez a iluminação do local. Não podemos ajeitar as grades de proteção agora porque não temos recurso. Mas, ano que vem, mesmo que a reforma não inicie, vamos tentar melhorar, pelo menos, o aspecto da ponte”.
Evelane Barros
enviada a Aracati