Mudas clonadas são aposta para volta do plantio de laranja em Jaguaribe

Com o objetivo de resgatar a citricultura na região, que já foi uma das mais importantes do CE, a Embrapa tem prestado orientação aos produtores e, em paralelo a isso, desenvolvido sementes geneticamente melhores

Após os resultados positivos, a proposta agora é expandir a produção, que teve alta demanda na pandemia
Legenda: Após os resultados positivos, a proposta agora é expandir a produção, que teve alta demanda na pandemia
Foto: Kassio Sombra

Até a década de 1990, a laranja ‘de Russas’ era uma das mais apreciadas pelos consumidores cearenses. No entanto, com a popularização do tipo ‘Pera’, o fruto nativo foi perdendo espaço. Em 2016, das 66.101 toneladas de laranja comercializadas na Ceasa de Fortaleza, apenas 1.181 toneladas foram produzidas no Ceará. Ou seja, aproximadamente 98,2% vêm de fora, principalmente de Sergipe, Bahia, mas também do Pará, Minas Gerais, São Paulo e Goiás. 

Com objetivo de reverter esse contexto, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) começou a trabalhar, há 13 anos, a revitalização da citricultura no Vale do Jaguaribe. A princípio, analisou as sementes para desenvolver clones das melhores plantas. Há cinco anos, teve início a introdução de uma nova forma de cultivo e, neste ano, o trabalho mostrou resultado. O segredo foi evitar o uso de pés francos e apostar no emprego de mudas enxertadas com sementes selecionadas. 

O agrônomo da Embrapa, Orlando Passos, explica que, ao longo dos últimos anos, o cultivo na região era “inadequado”. Ao cultivar em pé franco ou sementes, as plantas apresentavam pouca durabilidade, de cerca de seis anos. “A partir daí, começavam a morrer”, conta. Então, foram coletados materiais para oito clones dos municípios de Russas e Jaguaruana. 

“Isso nos deixou empolgados para reincorporar a citricultura e o Ceará voltar a ser um grande produtor”, explica. Hoje, o Estado ocupa a 4ª posição no cultivo da laranja no Nordeste, com 9.480 toneladas, segundo o IBGE. 

Ampliação 

A retomada da citricultura, entretanto, é gradual. Orlando explica que a proposta é trabalhar com pequenos agricultores e depois expandir. Atualmente, são 20 produtores que mantêm áreas produtivas em terras que vão até 1,5 hectare. Apesar de o experimento da Embrapa ter se mostrado positivo, o agrônomo Kassio Sombra, que acompanha o projeto de retomada da citricultura, avalia que “ainda está muito aquém” do potencial que possui a região. 

“A gente pensa em trabalhar para ser um polo de citrus. Hoje em dia, percebe-se que tem que pensar numa agricultura também diversificada. O produtor que já está no terceiro ano trabalhando a laranja, gastando, esperando, já consegue pagar o pomar produzindo outras culturas. A laranja é como uma poupança e isso os animam”, acredita. 

O produtor Carlos Cesar Guimarães, de Russas, é um dos beneficiados com o projeto. Após três anos plantando com sementes selecionadas e doadas pela Embrapa, diz ter colhido 10 mil unidades. “Nesta pandemia faltou foi laranja. Uma venda medonha. Graças a Deus, foi bem rentável”, comemora César. 

“A gente enxerga que tem que expandir. Hoje, não consegue abastecer o mercado local. Com intuito de ampliar estas áreas, o gargalo tem sido as mudas”, completa Kassio. As mudas ainda são produzidas na Bahia e a Embrapa as envia ao Ceará. O sucesso das matrizes levadas do nosso Estado, inclusive, fez a produção da laranja ‘de Russas’ ser iniciada em solo baiano. 

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