Lagarta-do-cartucho provoca replantio no Centro-Sul
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Prejuízos no plantio feito em janeiro fazem agricultores replantarem milho, feijão e banana para recuperar a produção
Iguatu. As poucas chuvas que chegam ao Interior ainda não são suficientes para garantir um bom cultivo. Em Iguatu, por exemplo, trabalhadores rurais estão fazendo o replantio de culturas como milho, feijão e banana. Muitos deles perderam os cultivos em até 90% desde o fim do mês passado. Com a falta de chuva, ocorre outro agravante: a praga da lagarta-do-cartucho. O problema é verificado em várias propriedades rurais e os agricultores não têm outra alternativa, senão começar o plantio novamente. É assim que Raimundo Augusto da Silva e Joaquim Antônio, ambos da comunidade de Canafista dos Alves, na região do Riacho Vermelho, em Iguatu, enfrentam o dia-a-dia na lavoura. Juntos, eles esperam por mais chuva.
O que foi plantado em janeiro, acabou com a falta de água ou, como tem acontecido com mais freqüência, foi devorado pela lagarta-do-cartucho. Sem saber o que fazer para inibir a praga, a única solução que encontram é “arriscar” no replantio, na tentativa de garantir o sustento de suas famílias. “Essa produção já está toda perdida. Não tem como aproveitar nada. Agora, é esperar por mais chuva”, diz o agricultor Augusto da Silva. Mesmo com o prejuízo do início do ano, ele acredita que esta é a única solução e não há saída para quem depende só da lavoura. É o sustento da família e o arrendamento da propriedade rural que o fazem permanecer e replantar. “Sempre corro esse risco”, resume.
Quando a lavoura não produz e o período de estiagem compromete ainda mais o plantio, ele aposta nos trabalhos extras que aparecem pela localidade. Segundo constata, perde-se uma produção de até 12 sacos contendo 60 quilos de milho por mês. Para o agricultor Joaquim Antônio, o problema enfrentado por ele e pela sua família é o mesmo. A falta de milho, arroz e feijão em suas propriedades faz com que o abastecimento do comércio também fique comprometido. “Minha produção é para o comércio e para o consumo da família. Quando não dá, não tem como vender”, lamenta.
Na localidade de Gadelha, no mesmo município, o agricultor José Gomes Freire mostra as lagartas que prejudicam o cultivo de banana. Toda a sua produção também ficou perdida. Além do milho e do feijão, José Gomes teve um dano a mais: a última ventania forte causou a derrubada de todas as bananeiras. Há mais de dois meses que ele não colhe o que plantou. Mesmo assim, não desiste. Todos os dias ele vai à lavoura na esperança de reverter a situação. Por mês, José Gomes deixa de colher até cinco milheiros de bananas. “Eu uso alguns repelentes, mas nada de agrotóxico nas plantações. Por mais que a gente saiba, não tem como fazer diferente”.
Regiões afetadas
De acordo com a presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Iguatu, Natália Feitosa, as regiões do Baú, Suassurana, Cardoso e Riacho Vermelho foram as mais atingidas pela praga da lagarta. Ela defende que os agricultores devem receber cada vez mais incentivos dos governos Estadual e Federal. “90% da perda da produção foi constatada pela Fetraece, Ematerce e o Sindicato. E o Governo do Estado já pediu um relatório sobre a perda da produção de banana”, afirma, e completa: “a chuva demorou a vir e a lagarta comeu toda a primeira plantação e os agricultores ficaram no prejuízo. Mas esperamos que eles tenham uma boa colheita da próxima vez”.
MAURÍCIO VIEIRA
Repórter
EXPECTATIVA
"Esperamos que os agricultores tenham uma boa colheita neste próximo replantio".
Natália Feitosa
Presidente do STR
FIQUE POR DENTRO
Principal praga da cultura do milho verificada no País
A lagarta-do-cartucho, ´Spodoptera frugiperda´, é a principal praga da cultura do milho no Brasil, ocorrendo em todas as regiões produtoras, tanto nos cultivos de verão como nos de segunda safra. Está sempre presente a cada ano de cultivo e ataca a planta desde sua emergência até a formação de espigas. No Centro-Sul, é observada também nos cultivos de feijão e banana. O combate deve ser feito imediatamente.
Mais informações:
Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STR)
Município de Iguatu
Rua Floriano Peixoto, 142, Centro
(88) 3581.1839
TÉCNICA PIONEIRA
Bioinseticida pode combater praga
Iguatu. A solução para os agricultores de Iguatu e do município de Quixelô, que enfrentam constantes problemas com relação aos estragos causados pela lagarta-do-cartucho nas lavouras de milho e feijão, parecem estar perto do fim. Uma iniciativa pioneira da Empresa de Assistência Técnica e Extensão do Ceará (Ematerce) utiliza uma bactéria para inibir a proliferação da lagarta logo no início da produção. Por mais que seja em fase experimental, a intenção é que, se a iniciativa der certo, os bioinseticidas serão estendidos aos demais agricultores da região Centro-Sul.
Desta forma, a produção do milho e feijão não terá mais prejuízos com a praga. Até o momento, os agricultores que receberam o bioinseticida não tiveram nenhum custo adicional pelo suprimento. De acordo com o gerente da Ematerce de Iguatu, Erivaldo Barbosa, foram disponibilizadas somente 100 doses para serem distribuídas para os agricultores tanto de Iguatu quanto de Quixelô. No entanto, como ainda está na fase inicial da experiência, todos os agricultores que receberam os bioinseticidas foram cadastrados e serão visitados regularmente pelo órgão.
“Anotamos os nomes das pessoas para comparar as áreas plantadas com a bactéria usada para combater a praga e as áreas em que não receberam o bioinseticida. Ainda é uma fase experimental, com tempo para vermos os resultados e não tem custo adicional para os agricultores”, afirma ele. No entanto, por mais que as duas culturas sejam prejudicadas pela mesma praga, a forma como os agricultores devem utilizar o bioinseticida varia.
Para o feijão, os produtores devem dissolver o produto em água e ser utilizado somente para o plantio. Além de coibir a praga, o objetivo principal será aumentar a produção. Já no caso do milho, o bioinseticida deve ser utilizado somente quando a plantação estiver com a praga. “O agricultor que usar o produto no tempo errado, antes de aparecer a lagarta, pode só adiar o prejuízo”.
De acordo com Erivaldo Barbosa, o bioinseticida tem uma vida útil de apenas três dias e por isso deve ser utilizado com bastante cautela. “Às vezes, acontece de o agricultor não usar o produto no tempo certo, e depois de cinco ou dez dias a praga surge”.
PEQUENO PRODUTOR
Cultivo de arroz é feito de forma permanente
Várzea Alegre. A espera pela chuva ainda é uma constante para os agricultores desse município. Nas pequenas propriedades rurais, trabalhadores passam o dia retirando mato na tentativa de colher o arroz. Raimundo Gonçalves da Costa vai todos os dias à pequena propriedade. Lá, sem a ajuda dos filhos, ele dá continuidade ao que aprendeu. “O arroz só dá uma vez no ano e espero quatro meses para a colheita. Já perdi a colheita várias vezes e agora, nos últimos anos, tem sido certo. Quando não tem produção, faço bico”, diz.
Ele é um agricultor atípico. Enquanto alguns de seus colegas esperam pelo programa de distribuição de sementes do Governo do Estado, Raimundo separa, de sua própria colheita, as sementes que irá plantar no ano seguinte. Assim, ele garante o plantio no tempo certo. “Sempre fiz isso. Não quero depender de nenhum programa”, destaca. Atualmente, ele tem uma produção média anual de 80 sacos de 60 quilos, usados tanto para o comércio quanto para o consumo da família. O preço do arroz, por saco, é vendido a R$ 50. E, por mais que o produto não seja igual ao industrializado, o arroz de Várzea Alegre tem qualidade. “O arroz daqui é bom”, diz. Para manter a qualidade, Raimundo passa o dia todo na lavoura. Ele chega à 6h e sai apenas para o almoço. Depois, retorna ao campo para dar continuidade ao trabalho. “Aqui tem muita coisa para você fazer. Tem que retirar o mato, limpar a área plantada e fazer a adubação”.
Além disso, o trabalho é constante principalmente para saber como utilizar racionalmente a água que servirá para irrigar a área durante o período em que não estiver mais chovendo. “Você não pode abandonar o local nem por um segundo. Se você fizer isso, pode perder a colheita do arroz para o mato”, diz. Trabalhando sozinho na lavoura, ele não pede a ajuda de nenhum dos seis filhos. Para ele, o estudo é a prioridade dos “meninos”. É assim que ele os incentiva.
Iguatu. As poucas chuvas que chegam ao Interior ainda não são suficientes para garantir um bom cultivo. Em Iguatu, por exemplo, trabalhadores rurais estão fazendo o replantio de culturas como milho, feijão e banana. Muitos deles perderam os cultivos em até 90% desde o fim do mês passado. Com a falta de chuva, ocorre outro agravante: a praga da lagarta-do-cartucho. O problema é verificado em várias propriedades rurais e os agricultores não têm outra alternativa, senão começar o plantio novamente. É assim que Raimundo Augusto da Silva e Joaquim Antônio, ambos da comunidade de Canafista dos Alves, na região do Riacho Vermelho, em Iguatu, enfrentam o dia-a-dia na lavoura. Juntos, eles esperam por mais chuva.
O que foi plantado em janeiro, acabou com a falta de água ou, como tem acontecido com mais freqüência, foi devorado pela lagarta-do-cartucho. Sem saber o que fazer para inibir a praga, a única solução que encontram é “arriscar” no replantio, na tentativa de garantir o sustento de suas famílias. “Essa produção já está toda perdida. Não tem como aproveitar nada. Agora, é esperar por mais chuva”, diz o agricultor Augusto da Silva. Mesmo com o prejuízo do início do ano, ele acredita que esta é a única solução e não há saída para quem depende só da lavoura. É o sustento da família e o arrendamento da propriedade rural que o fazem permanecer e replantar. “Sempre corro esse risco”, resume.
Quando a lavoura não produz e o período de estiagem compromete ainda mais o plantio, ele aposta nos trabalhos extras que aparecem pela localidade. Segundo constata, perde-se uma produção de até 12 sacos contendo 60 quilos de milho por mês. Para o agricultor Joaquim Antônio, o problema enfrentado por ele e pela sua família é o mesmo. A falta de milho, arroz e feijão em suas propriedades faz com que o abastecimento do comércio também fique comprometido. “Minha produção é para o comércio e para o consumo da família. Quando não dá, não tem como vender”, lamenta.
Na localidade de Gadelha, no mesmo município, o agricultor José Gomes Freire mostra as lagartas que prejudicam o cultivo de banana. Toda a sua produção também ficou perdida. Além do milho e do feijão, José Gomes teve um dano a mais: a última ventania forte causou a derrubada de todas as bananeiras. Há mais de dois meses que ele não colhe o que plantou. Mesmo assim, não desiste. Todos os dias ele vai à lavoura na esperança de reverter a situação. Por mês, José Gomes deixa de colher até cinco milheiros de bananas. “Eu uso alguns repelentes, mas nada de agrotóxico nas plantações. Por mais que a gente saiba, não tem como fazer diferente”.
Regiões afetadas
De acordo com a presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Iguatu, Natália Feitosa, as regiões do Baú, Suassurana, Cardoso e Riacho Vermelho foram as mais atingidas pela praga da lagarta. Ela defende que os agricultores devem receber cada vez mais incentivos dos governos Estadual e Federal. “90% da perda da produção foi constatada pela Fetraece, Ematerce e o Sindicato. E o Governo do Estado já pediu um relatório sobre a perda da produção de banana”, afirma, e completa: “a chuva demorou a vir e a lagarta comeu toda a primeira plantação e os agricultores ficaram no prejuízo. Mas esperamos que eles tenham uma boa colheita da próxima vez”.
MAURÍCIO VIEIRA
Repórter
EXPECTATIVA
"Esperamos que os agricultores tenham uma boa colheita neste próximo replantio".
Natália Feitosa
Presidente do STR
FIQUE POR DENTRO
Principal praga da cultura do milho verificada no País
A lagarta-do-cartucho, ´Spodoptera frugiperda´, é a principal praga da cultura do milho no Brasil, ocorrendo em todas as regiões produtoras, tanto nos cultivos de verão como nos de segunda safra. Está sempre presente a cada ano de cultivo e ataca a planta desde sua emergência até a formação de espigas. No Centro-Sul, é observada também nos cultivos de feijão e banana. O combate deve ser feito imediatamente.
Mais informações:
Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STR)
Município de Iguatu
Rua Floriano Peixoto, 142, Centro
(88) 3581.1839
TÉCNICA PIONEIRA
Bioinseticida pode combater praga
Iguatu. A solução para os agricultores de Iguatu e do município de Quixelô, que enfrentam constantes problemas com relação aos estragos causados pela lagarta-do-cartucho nas lavouras de milho e feijão, parecem estar perto do fim. Uma iniciativa pioneira da Empresa de Assistência Técnica e Extensão do Ceará (Ematerce) utiliza uma bactéria para inibir a proliferação da lagarta logo no início da produção. Por mais que seja em fase experimental, a intenção é que, se a iniciativa der certo, os bioinseticidas serão estendidos aos demais agricultores da região Centro-Sul.
Desta forma, a produção do milho e feijão não terá mais prejuízos com a praga. Até o momento, os agricultores que receberam o bioinseticida não tiveram nenhum custo adicional pelo suprimento. De acordo com o gerente da Ematerce de Iguatu, Erivaldo Barbosa, foram disponibilizadas somente 100 doses para serem distribuídas para os agricultores tanto de Iguatu quanto de Quixelô. No entanto, como ainda está na fase inicial da experiência, todos os agricultores que receberam os bioinseticidas foram cadastrados e serão visitados regularmente pelo órgão.
“Anotamos os nomes das pessoas para comparar as áreas plantadas com a bactéria usada para combater a praga e as áreas em que não receberam o bioinseticida. Ainda é uma fase experimental, com tempo para vermos os resultados e não tem custo adicional para os agricultores”, afirma ele. No entanto, por mais que as duas culturas sejam prejudicadas pela mesma praga, a forma como os agricultores devem utilizar o bioinseticida varia.
Para o feijão, os produtores devem dissolver o produto em água e ser utilizado somente para o plantio. Além de coibir a praga, o objetivo principal será aumentar a produção. Já no caso do milho, o bioinseticida deve ser utilizado somente quando a plantação estiver com a praga. “O agricultor que usar o produto no tempo errado, antes de aparecer a lagarta, pode só adiar o prejuízo”.
De acordo com Erivaldo Barbosa, o bioinseticida tem uma vida útil de apenas três dias e por isso deve ser utilizado com bastante cautela. “Às vezes, acontece de o agricultor não usar o produto no tempo certo, e depois de cinco ou dez dias a praga surge”.
PEQUENO PRODUTOR
Cultivo de arroz é feito de forma permanente
Várzea Alegre. A espera pela chuva ainda é uma constante para os agricultores desse município. Nas pequenas propriedades rurais, trabalhadores passam o dia retirando mato na tentativa de colher o arroz. Raimundo Gonçalves da Costa vai todos os dias à pequena propriedade. Lá, sem a ajuda dos filhos, ele dá continuidade ao que aprendeu. “O arroz só dá uma vez no ano e espero quatro meses para a colheita. Já perdi a colheita várias vezes e agora, nos últimos anos, tem sido certo. Quando não tem produção, faço bico”, diz.
Ele é um agricultor atípico. Enquanto alguns de seus colegas esperam pelo programa de distribuição de sementes do Governo do Estado, Raimundo separa, de sua própria colheita, as sementes que irá plantar no ano seguinte. Assim, ele garante o plantio no tempo certo. “Sempre fiz isso. Não quero depender de nenhum programa”, destaca. Atualmente, ele tem uma produção média anual de 80 sacos de 60 quilos, usados tanto para o comércio quanto para o consumo da família. O preço do arroz, por saco, é vendido a R$ 50. E, por mais que o produto não seja igual ao industrializado, o arroz de Várzea Alegre tem qualidade. “O arroz daqui é bom”, diz. Para manter a qualidade, Raimundo passa o dia todo na lavoura. Ele chega à 6h e sai apenas para o almoço. Depois, retorna ao campo para dar continuidade ao trabalho. “Aqui tem muita coisa para você fazer. Tem que retirar o mato, limpar a área plantada e fazer a adubação”.
Além disso, o trabalho é constante principalmente para saber como utilizar racionalmente a água que servirá para irrigar a área durante o período em que não estiver mais chovendo. “Você não pode abandonar o local nem por um segundo. Se você fizer isso, pode perder a colheita do arroz para o mato”, diz. Trabalhando sozinho na lavoura, ele não pede a ajuda de nenhum dos seis filhos. Para ele, o estudo é a prioridade dos “meninos”. É assim que ele os incentiva.