Jamacaru quer reativar museu
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Redação
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Casarão de Feliz Italiano, no Centro de Missão Velha, poderá sediar o novo museu. O diácono Lindoval José da Silva lidera movimento para concretizar a proposta de preservar o acervo fossilífero da região
Foto:
Antônio Vicelmo
Missão Velha (Sucursal/ Crato) — O Museu de Fósseis de Jamacaru, em Missão Velha, mantido pela paróquia, foi saqueado ao longo dos últimos 20 anos, ao ponto de ser desativado. As quase seis mil peças que faziam parte da coleção foram retiradas ilegalmente da casa onde era instalado o museu, ao lado da Igreja Matriz. O roubo do maior patrimônio cultural do povoado somente agora está sendo denunciado.
“O povoado, que já foi cidade, perdeu uma grande oportunidade de servir como ponto turístico da região”, lamenta o diácono Lindoval José da Silva que, agora, com o apoio da comunidade e da Universidade Regional do Cariri (Urca), está correndo atrás do prejuízo. A comunidade quer a recriação do museu para evitar o contrabando de fósseis do município, principalmente na serra do “Mãozinha”.
A iniciativa conta com o apoio do prefeito de Missão Velha, Gidalberto Pinheiro, que vai procurar a Universidade Regional do Cariri com o objetivo de colher informações sobre o andamento dos trabalhos. O prefeito lembra que, além da reserva fossilífera, Jamacaru possui outros patrimônios históricos, como a Igreja Matriz, que foi construída pelo Padre Ibiapina, e a Fonte da Pendência, que serviu de rancho para o grupo de Lampião — os dois pontos devem fazer parte do projeto de revitalização do povoado.
O vereador José Rolim destaca a casa de Feliz Italiano, um estrangeiro que, ao lado de Antônio Linard, contribuiu para a implantação da agroindústria canavieira na região. Félix Italiano fabricou tachos de latão para a maioria dos engenhos do Cariri. Sua casa, localizada no Centro da cidade e construída com azulejos portugueses, é um símbolo do Cariri do início do século.
A Universidade Regional do Cariri, que já realizou a primeira reunião em Jamacaru para tratar da revitalização do museu, está dando continuidade a uma série de encontros, com a participação de representantes da comunidade. O geólogo Idalécio de Freitas, integrante do Programa Bacia Escola da Urca, lembrou que as primeiras explorações paleontoló-gicas no Cariri foram feitas em Jamacaru. Isso aconteceu em 1800, quando o naturalista João da Silva Feijó prospectou e enviou para a Academia de Ciências de Lisboa alguns fósseis coletados em Goianinha, primitivo nome de Jamacaru. Idalécio Freitas sugeriu que o museu a ser recriado deveria destacar a Paleobotânica, uma vez que no território de Missão Velha existem reservas de troncos de árvores fossilizados.
Animados com a possibilidade dessa recriação, os moradores de Jamacaru já sonham até com o tombamento e recuperação do casarão de Félix Italiano, onde funcionaria o novo museu. O prédio encontra-se bastante deteriorado e abandonado. “Uma vez recuperado, poderia muito bem abrigar o novo museu”, diz o diácono Lindoval, acrescentando que será mantido um contato com a proprietária do imóvel que mora no Estado da Bahia.
A estudante Maria do Socorro Santana de Souza, aluna do curso de Biologia da Urca e residente em Jamacaru, é uma das mais entusiasmadas com a possibilidade de reativação do museu. O agricultor Antônio Silva afirmou que foi um dos que mais contribuiu “com as pedras de peixe para o museu do Padre Neri”. O agricultor lamenta, entretanto, o fato do terreno de onde retirava os fósseis ter sido vendido. Hoje, segundo “seu” Antônio, existem pouquíssimas pedras no local.
Outra participante da reunião, dona Maria Sílvia, recordou que “o padre Neri pedia para a gente trazer, com todo cuidado, evitando que se quebrassem, as pedras do riacho Grande. Maria Silva lembra que o padre Neri era um homem bom, que dava até alimentos e roupas para os mais necessitados de Jamacaru. “Ele queria ver nossa comunidade progredir, mas foi transferido e a coisa desandou”.
Do encontro realizado no Salão Paroquial, ficou acertada a constituição de duas comissões. A primeira irá à cidade de Jardim, onde foi instalado recentemente um museu de fósseis, para se informar sobre as providências necessárias à criação de um museu. A outra comissão deverá abrir canal de comunicação com a Universidade Regional do Cariri, mantenedora do Museu de Paleontologia de Santana do Cariri, objetivando a classificação das futuras peças do Museu de Jamacaru.
“O povoado, que já foi cidade, perdeu uma grande oportunidade de servir como ponto turístico da região”, lamenta o diácono Lindoval José da Silva que, agora, com o apoio da comunidade e da Universidade Regional do Cariri (Urca), está correndo atrás do prejuízo. A comunidade quer a recriação do museu para evitar o contrabando de fósseis do município, principalmente na serra do “Mãozinha”.
A iniciativa conta com o apoio do prefeito de Missão Velha, Gidalberto Pinheiro, que vai procurar a Universidade Regional do Cariri com o objetivo de colher informações sobre o andamento dos trabalhos. O prefeito lembra que, além da reserva fossilífera, Jamacaru possui outros patrimônios históricos, como a Igreja Matriz, que foi construída pelo Padre Ibiapina, e a Fonte da Pendência, que serviu de rancho para o grupo de Lampião — os dois pontos devem fazer parte do projeto de revitalização do povoado.
O vereador José Rolim destaca a casa de Feliz Italiano, um estrangeiro que, ao lado de Antônio Linard, contribuiu para a implantação da agroindústria canavieira na região. Félix Italiano fabricou tachos de latão para a maioria dos engenhos do Cariri. Sua casa, localizada no Centro da cidade e construída com azulejos portugueses, é um símbolo do Cariri do início do século.
A Universidade Regional do Cariri, que já realizou a primeira reunião em Jamacaru para tratar da revitalização do museu, está dando continuidade a uma série de encontros, com a participação de representantes da comunidade. O geólogo Idalécio de Freitas, integrante do Programa Bacia Escola da Urca, lembrou que as primeiras explorações paleontoló-gicas no Cariri foram feitas em Jamacaru. Isso aconteceu em 1800, quando o naturalista João da Silva Feijó prospectou e enviou para a Academia de Ciências de Lisboa alguns fósseis coletados em Goianinha, primitivo nome de Jamacaru. Idalécio Freitas sugeriu que o museu a ser recriado deveria destacar a Paleobotânica, uma vez que no território de Missão Velha existem reservas de troncos de árvores fossilizados.
Animados com a possibilidade dessa recriação, os moradores de Jamacaru já sonham até com o tombamento e recuperação do casarão de Félix Italiano, onde funcionaria o novo museu. O prédio encontra-se bastante deteriorado e abandonado. “Uma vez recuperado, poderia muito bem abrigar o novo museu”, diz o diácono Lindoval, acrescentando que será mantido um contato com a proprietária do imóvel que mora no Estado da Bahia.
A estudante Maria do Socorro Santana de Souza, aluna do curso de Biologia da Urca e residente em Jamacaru, é uma das mais entusiasmadas com a possibilidade de reativação do museu. O agricultor Antônio Silva afirmou que foi um dos que mais contribuiu “com as pedras de peixe para o museu do Padre Neri”. O agricultor lamenta, entretanto, o fato do terreno de onde retirava os fósseis ter sido vendido. Hoje, segundo “seu” Antônio, existem pouquíssimas pedras no local.
Outra participante da reunião, dona Maria Sílvia, recordou que “o padre Neri pedia para a gente trazer, com todo cuidado, evitando que se quebrassem, as pedras do riacho Grande. Maria Silva lembra que o padre Neri era um homem bom, que dava até alimentos e roupas para os mais necessitados de Jamacaru. “Ele queria ver nossa comunidade progredir, mas foi transferido e a coisa desandou”.
Do encontro realizado no Salão Paroquial, ficou acertada a constituição de duas comissões. A primeira irá à cidade de Jardim, onde foi instalado recentemente um museu de fósseis, para se informar sobre as providências necessárias à criação de um museu. A outra comissão deverá abrir canal de comunicação com a Universidade Regional do Cariri, mantenedora do Museu de Paleontologia de Santana do Cariri, objetivando a classificação das futuras peças do Museu de Jamacaru.