Fé e emoção marcam as quadrilhas juninas

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Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: Cheiro do Sertão é um dos grupos de quadrilha de Limoeiro do Norte, comunidade de Quixaba, que tem um custo de produção no valor de R$ 15 mil
Foto: Melquíades Júnior

É tempo de festa junina. Crianças e jovens mobilizam-se em quadrilhas para festejos marcados pela tradição

Limoeiro do Norte. À primeira vista, todo ano, no mesmo período, é o mesmo assunto: Festas Juninas. Mas emoção não se repete ou questiona, apenas se sente. Este sentimento se renova, corre nas veias nordestinas da juventude da periferia à criançada na escola. Assim, todo ano a criatividade sertaneja, mesmo na “selva de pedras” urbana, atua, modifica, incrementa os tradicionais “arraiás”, mostrando que é possível ser moderno sem perder a tradição. Pode até faltar chita no vestido da menina e nem por isso deixar de ser festa junina, se as cores continuarem vivas e, principalmente, alegres. De junho a julho, quadrilhas para competir ou, simplesmente, divertir, arrastam o pé nas quadras e becos do Ceará. Nessa época, o “Prato Feito” tem bolo de milho, pé-de-moleque, tapioca, mungunzá, paçoca e, para a comida descer fácil, caipirinha ou aluá.

Ainda hoje tem quem pergunte por que chamar de festa junina se o festeiro só acaba no mês de julho e já começa mesmo em maio, ou, para os quadrilheiros, a luta começa com o próprio início de ano, de ensaios e “procissão” para arrumar patrocinadores. Os festivais estão aí. Brincantes de quadrilhas grandes e pequenas montam na bicicleta, sobem no pau-de-arara ou em ônibus já bastante “rodado”, fornecido pelas prefeituras (em Limoeiro do Norte havia um ônibus tão velho que o chamavam de “Condenado”), para correr de uma cidade a outra, e já vão cantando, batendo palma, mantendo o pique num “baticum rodoviário”.

“É um negócio que a gente não consegue explicar, eu já tentei sair dessa vários anos, mas não consigo, tá no sangue da gente, é a nossa cultura”, afirma o jovem vendedor, Clayton Lucas, presidente da agremiação “Cheiro do Sertão”, da comunidade de Quixaba, em Limoeiro do Norte, após mais uma apresentação na Associação Beira Rio, localidade de Córrego de Areia. O “Cheiro...” é considerada pequeno, mas o custo de produção chega a quase R$ 15 mil.

Uns só estudam, outros somente trabalham, e pelo menos metade faz as duas coisas. A noite fica para muito ensaio ou apresentação. E quem não arruma namorado entre os brincantes, fica de jejum até o último festival. “Mas é bom, tô brincando pela primeira vez e só estando dentro para sentir a emoção que é estar aqui”, assegura Derlânia Chavier, de 14 anos, da quadrilha “Ousadia”, do município de Quixeré. Depois que se arruma, a garota ajuda no laço da colega. Em quadrilha, todo mundo faz de tudo. A dança fica como terapia, da cultura própria de “fazer tradição”.

Mais informações: Secretaria de Cultura de Limoeiro do Norte. Rua Coronel Antônio Joaquim, Centro. (88) 3423.1965

MELQUÍADES JÚNIOR
Colaborador