Escola para crianças forma futuros vaqueiros
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A Escolinha de Vaquejada é uma ONG que forma jovens vaqueiros e contribue para inclusão social
Jati Enraizada na cultura nordestina, desde o tempo da colonização, a vaquejada se tornou o esporte mais popular do sertão. "A vaquejada tem cheiro de gado, gosto de baião de dois com paçoca e manteiga da terra", define o técnico em Ciências Agrárias, Kael Rocha, proprietário do Parque Matulão, um dos melhores parques do Cariri equipado com haras, pousadas e uma Escolinha de Vaqueiros, administrada por uma equipe multidisciplinar, formada por médicos, enfermeiras, técnicos agrícolas, veterinários e vaqueiros profissionais, que interage com as atividades das escolas convencionais.
A matrícula dos meninos sertanejos na escolinha está na dependência de seu desempenho nas atividades escolares. Kael explica que é uma forma de incentivar o aluno a frequentar a escola. "A continuidade deles nas aulas de vaquejadas está condicionada às boas notas". Ao mesmo tempo, segundo afirma, "estamos formando futuros vaqueiros comprometidos com o meio ambiente, formação humanística e autoestima". O objetivo é também abrir as portas do parque para a visitação pública.
Para o médico veterinário Humberto Martins, que ministra aula sobre sanidade animal na escolinha, a iniciativa, além dos conhecimentos que são transmitidos, evita que o adolescente se enverede no mundo das drogas. "Aqui, eles estão praticando um esporte lúdico que complementa as atividades escolares", lembra ele, acrescentando que é também a valorização da cultura, uma vez que a vaquejada está no sangue do nordestino. "Se você perguntar a uma criança sertaneja o que é que ela quer ser quando crescer, ela responde: vaqueiro". Ao fazer esta observação, o encarregado do Parque Matulão, Antônio Edleudo da Silva apresenta o mais novo integrante da Escolinha de Vaqueiros. É Gabriel da Silva, que tem apenas cinco anos. Mesmo assim, ele "bate-esteira, isto é, ajuda o vaqueiro principal a derribar o boi. Gabriel não pensa noutra coisa, a não ser um dia ser vaqueiro".
Os ídolos deles são Daíta e Yuri Rocha, dois irmãos, campeões de vaquejadas que ministram aulas práticas no parque. Yuri tem a receita para ser um bom vaqueiro. "Não pensem que é moleza. Para aspirar um prêmio da vaquejada exige-se muito treino, dedicação e força de vontade". Lembra que é um trabalho solidário. É necessário formar uma dupla. O esteireiro é aquele vaqueiro que tem como função conduzir o animal para uma determinada direção. O outro vaqueiro terá a obrigatoriedade de desequilibrar o boi segurando-o pela cauda, derrubando-o dentro da área demarcada.
Existem pessoas que vivem de vaquejada em vaquejada, de cidade em cidade disputando prêmios e até se destacando com suas técnicas. Hoje vaquejada tornou-se um esporte conhecido e divulgado em todo o mundo. Existem clubes, associações de vaqueiros em quase todos os Estados do Brasil, calendários com datas marcadas e até grandes patrocinadores, dando apoio às vaquejadas que envolvem multidões.
A Escolinha de Vaqueiros é uma Organização Não Governamental (ONG) que, segundo seus estatutos, tem como finalidade contribuir para a melhoria da qualidade de vida e inclusão social de crianças, jovens e adolescentes, por meio de atividades esportivas e de lazer nas escolas situadas em comunidades carentes do Estado. Objetiva ainda promover e ampliar a integração entre a escola e a comunidade, tendo como elo a vaquejada, um dos esportes mais populares do Nordeste. Outra preocupação é contribuir para a redução da violência e combate ao uso de drogas.
BRAVURA E PERSISTÊNCIA
Mulheres conquistam seu espaço
Jati Símbolo da coragem do homem nordestino, o vaqueiro se tornou também um exemplo de masculinidade. Por muito tempo esse um território foi dominado pelos homens. Mas, agora, está sendo conquistado pelas mulheres. Nos municípios de Jati e Brejo Santo, pelo menos seis jovens mulheres estão correndo nas vaquejadas caririenses. Uma delas é Eloisa Vidal Alves Pereira, que já foi campeã dos bolões realizados na região. Enfermeira formada, mãe de uma filha de nove meses, Eloisa está plenamente integrada ao projeto educativo do Parque Matulão, onde ministra aulas para os alunos.
Filha e neta de agropecuaristas, ela confessa que, depois de sua filha, sua maior paixão é a vaquejada. "É indescritível a emoção de abrir a porteira para dar início a corrida. Os corações do boi, do cavalo e do vaqueiro disparam. Começa, então, uma luta desesperada do homem com o animal. No meu caso, que sou mulher, este desafio é muito mais fascinante. O sabor da vitória é muito mais forte do que o medo de sofrer um acidente. O grito de "valeu o boi" chega ao ouvido como um grito de gol".
Eloisa lembra que já caiu do cavalo. "Os acidentes fazem parte". Mesmo depois de se afastar temporariamente das vaquejadas, por causa da gravidez, não se faz de rogada. Monta no cavalo e manda abrir a porteira. Em companhia de Brenda, outra vaqueira da região, começa o desafio, que dura menos de dois minutos. "Desta vez, o boi venceu", lamenta. Destaca que, no Parque Matulão, onde corre e ministra aulas de primeiros socorros, não existe discriminação. "Todos me respeitam e reconhecem meu potencial".
Antônio Vicelmo
Repórter
Jati Enraizada na cultura nordestina, desde o tempo da colonização, a vaquejada se tornou o esporte mais popular do sertão. "A vaquejada tem cheiro de gado, gosto de baião de dois com paçoca e manteiga da terra", define o técnico em Ciências Agrárias, Kael Rocha, proprietário do Parque Matulão, um dos melhores parques do Cariri equipado com haras, pousadas e uma Escolinha de Vaqueiros, administrada por uma equipe multidisciplinar, formada por médicos, enfermeiras, técnicos agrícolas, veterinários e vaqueiros profissionais, que interage com as atividades das escolas convencionais.
A matrícula dos meninos sertanejos na escolinha está na dependência de seu desempenho nas atividades escolares. Kael explica que é uma forma de incentivar o aluno a frequentar a escola. "A continuidade deles nas aulas de vaquejadas está condicionada às boas notas". Ao mesmo tempo, segundo afirma, "estamos formando futuros vaqueiros comprometidos com o meio ambiente, formação humanística e autoestima". O objetivo é também abrir as portas do parque para a visitação pública.
Para o médico veterinário Humberto Martins, que ministra aula sobre sanidade animal na escolinha, a iniciativa, além dos conhecimentos que são transmitidos, evita que o adolescente se enverede no mundo das drogas. "Aqui, eles estão praticando um esporte lúdico que complementa as atividades escolares", lembra ele, acrescentando que é também a valorização da cultura, uma vez que a vaquejada está no sangue do nordestino. "Se você perguntar a uma criança sertaneja o que é que ela quer ser quando crescer, ela responde: vaqueiro". Ao fazer esta observação, o encarregado do Parque Matulão, Antônio Edleudo da Silva apresenta o mais novo integrante da Escolinha de Vaqueiros. É Gabriel da Silva, que tem apenas cinco anos. Mesmo assim, ele "bate-esteira, isto é, ajuda o vaqueiro principal a derribar o boi. Gabriel não pensa noutra coisa, a não ser um dia ser vaqueiro".
Os ídolos deles são Daíta e Yuri Rocha, dois irmãos, campeões de vaquejadas que ministram aulas práticas no parque. Yuri tem a receita para ser um bom vaqueiro. "Não pensem que é moleza. Para aspirar um prêmio da vaquejada exige-se muito treino, dedicação e força de vontade". Lembra que é um trabalho solidário. É necessário formar uma dupla. O esteireiro é aquele vaqueiro que tem como função conduzir o animal para uma determinada direção. O outro vaqueiro terá a obrigatoriedade de desequilibrar o boi segurando-o pela cauda, derrubando-o dentro da área demarcada.
Existem pessoas que vivem de vaquejada em vaquejada, de cidade em cidade disputando prêmios e até se destacando com suas técnicas. Hoje vaquejada tornou-se um esporte conhecido e divulgado em todo o mundo. Existem clubes, associações de vaqueiros em quase todos os Estados do Brasil, calendários com datas marcadas e até grandes patrocinadores, dando apoio às vaquejadas que envolvem multidões.
A Escolinha de Vaqueiros é uma Organização Não Governamental (ONG) que, segundo seus estatutos, tem como finalidade contribuir para a melhoria da qualidade de vida e inclusão social de crianças, jovens e adolescentes, por meio de atividades esportivas e de lazer nas escolas situadas em comunidades carentes do Estado. Objetiva ainda promover e ampliar a integração entre a escola e a comunidade, tendo como elo a vaquejada, um dos esportes mais populares do Nordeste. Outra preocupação é contribuir para a redução da violência e combate ao uso de drogas.
BRAVURA E PERSISTÊNCIA
Mulheres conquistam seu espaço
Jati Símbolo da coragem do homem nordestino, o vaqueiro se tornou também um exemplo de masculinidade. Por muito tempo esse um território foi dominado pelos homens. Mas, agora, está sendo conquistado pelas mulheres. Nos municípios de Jati e Brejo Santo, pelo menos seis jovens mulheres estão correndo nas vaquejadas caririenses. Uma delas é Eloisa Vidal Alves Pereira, que já foi campeã dos bolões realizados na região. Enfermeira formada, mãe de uma filha de nove meses, Eloisa está plenamente integrada ao projeto educativo do Parque Matulão, onde ministra aulas para os alunos.
Filha e neta de agropecuaristas, ela confessa que, depois de sua filha, sua maior paixão é a vaquejada. "É indescritível a emoção de abrir a porteira para dar início a corrida. Os corações do boi, do cavalo e do vaqueiro disparam. Começa, então, uma luta desesperada do homem com o animal. No meu caso, que sou mulher, este desafio é muito mais fascinante. O sabor da vitória é muito mais forte do que o medo de sofrer um acidente. O grito de "valeu o boi" chega ao ouvido como um grito de gol".
Eloisa lembra que já caiu do cavalo. "Os acidentes fazem parte". Mesmo depois de se afastar temporariamente das vaquejadas, por causa da gravidez, não se faz de rogada. Monta no cavalo e manda abrir a porteira. Em companhia de Brenda, outra vaqueira da região, começa o desafio, que dura menos de dois minutos. "Desta vez, o boi venceu", lamenta. Destaca que, no Parque Matulão, onde corre e ministra aulas de primeiros socorros, não existe discriminação. "Todos me respeitam e reconhecem meu potencial".
Antônio Vicelmo
Repórter