Cultivo de goiaba transforma vida de produtores

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Honório Barbosa
enviado a Baixio

Um grupo de 12 pequenos produtores do Município de Baixio está comemorando o resultado de boas safras de goiaba. Numa área total de 17 hectares, na localidade de Baixio Grande, os agricultores estão conseguindo uma produtividade média de 18 toneladas por hectare/ano. A renda obtida com a venda das frutas está mudando o perfil econômico das famílias que enfrentavam enormes dificuldades com o cultivo das tradicionais culturas de sobrevivência.

O cultivo de goiaba faz parte do projeto de assistência técnica “Caminhos de Israel”, desenvolvido pela Secretaria de Agricultura e Pecuária do Estão do Ceará (Seagri), por meio do escritório da Ematerce do Município de Ipaumirim. Os produtores enfrentaram desafios e, mesmo com a limitação de água, hoje são exemplos para o Ceará de que, com trabalho, determinação e assistência técnica, é possível produzir frutas de qualidade, no sertão cearense.

O grupo tem uma história recente de desejo de abandonar as tradicionais culturas de subsistência (arroz, milho, feijão e jerimum), substituindo-as por fruticultura. Em 1998, a agência do Banco do Nordeste, de Lavras da Mangabeira, liberou recursos para a implantação de um projeto na localidade de Baixio Grande. A iniciativa foi fruto do esforço do agente de desenvolvimento do BNB, Esly Almeida Melo Filho.

No início eram 28 produtores, mas a metade desistiu, por não acreditar na viabilidade do cultivo de fruteiras. Há dois anos, com a chegada do técnico do programa “Caminhos de Israel”, Ademar Barbosa de Souza, o projeto ganhou novo impulso. “Fizemos um diagnóstico da área, análise de solo e de água, nutrição e descobrimos alguns problemas de fertilidade”, contou. “Mudamos o manejo, podas, correção de sais da água, adubação, controle fitossanitários e tempo de irrigação”.

Em face das mudanças realizadas para correção dos problemas, as goiabeiras começaram a produzir em quantidade. A produtividade média saltou de duas toneladas por hectare/ano para 18 toneladas por hectare/ano. “O importante é que o grupo aceitou as novas orientações técnicas”, disse Ademar de Souza. “São produtores abertos a receber e praticar novos ensinamentos”. O grupo é formado em sua maioria por produtores com idade acima dos 50 anos.

PRODUÇÃO — Os agricultores também enfrentavam dificuldades de escoação da produção e o mercado estabelecia um preço considerado baixo. Eles estavam presos aos valores estabelecidos por uma única indústria de doces existente na região. Era em média, R$ 0,16 por quilo. Atualmente conseguem um valor médio que chega a R$ 0,45 por quilo. A rentabilidade média dos produtores desde 2004 é de, aproximadamente, R$ 7.200,00 por hectare/ano.

A maioria da produção é vendida para o consumo ´in natura´ nos mercados das cidades de Icó e Jaguaribe. O excedente da produção vai para as indústrias de doces. No Município de Ipaumirim, um grupo de oito produtores, numa área de sete hectares, também começou a cultivar goiaba, a exemplo dos agricultores da localidade de Baixio Grande.

O Agropolo Centro-Sul trabalha atualmente com 25 grupos de pequenos produtores de frutas e abóbora, nos municípios de Cedro, Lavras da Mangabeira, Iguatu, Baixio e Ipaumirim, por meio do projeto Caminhos de Israel. “O nosso objetivo é ampliar a assistência, mas precisamos de mais técnicos”, observa o gerente geral do Agropolo, Mauro Nogueira. Em Baixio, os produtores contam com o apoio do gerente local, José Lino Eduardo, e dos agentes rurais, Francisco Pontes Júnior e Cícero Leite de Araújo.