Covid-19: 30% dos pacientes do Hospital Santo Antonio, em Barbalha, são da zona rural

O índice revela que o novo coronavírus já não está concentrado apenas nos centros urbanos. O cenário preocupa pois todos os leitos de UTI e enfermaria da unidade hospitalar estão preenchidos

Legenda: Todos os leitos, de UTI e enfermaria, dedicados para tratamento da Covid-19 estão ocupados
Foto: Wesley Lima

Um levantamento do Hospital Santo Antônio (HSA), em Barbalha, que também é referência no tratamento da Covid-19 para 45 municípios da macrorregião de saúde do Cariri, aponta que a cada 10 pacientes internados com a doença, três são da zona rural. A própria terra dos Verdes Canaviais e a cidade vizinha de Juazeiro do Norte lideram a ocupação dos leitos. 

Entre moradores de distritos e comunidades rurais no interior do Estado, há pacientes de três regiões: Cariri, Centro-Sul e Sertão. A situação preocupa, pois, segundo a Secretaria da Saúde do Estado, todos os 10 leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Santo Antônio estão ocupados, assim como as 13 vagas de enfermaria.  

 

Desses pacientes que chegam à 'Ala Covid' desta unidade de saúde, metade são de Barbalha, 15% de Juazeiro do Norte e o restante (35%) dos demais municípios de cobertura da macrorregião de saúde. Os 30% da zona rural estão inseridos dentro do total de pacientes tanto de Barbalha, como de outros municípios. 

Com a lotação, o gestor de Projetos do HSA, Egberto Santos, faz um apelo para a população permanecer em casa para conter o pico de transmissão.

“Caso não possa ficar em casa, ajude os profissionais de saúde tomando todas as medidas necessárias para o combate à covid-19”, tais como o uso de máscara, álcool em gel e mantendo distanciamento entre as demais pessoas”, destacou. 

A coordenadora da Atenção Primária de Barbalha, Quitéria Magalhães, destaca que há 26 equipes de saúde da família (ESF) trabalhando no enfrentamento à doença. Em abril, foi criado um projeto que distribuiu o Município em polos, dividindo em duas a três comunidades rurais.

 “Colocamos médicos, cirurgião dentistas, agentes e outros profissionais da saúde para fazer uma mobilização em todos os municípios, de casa em casa, de bar em bar, em campos de futebol, conscientizando as pessoas sobre a doença, da importância do isolamento social, usar máscara. Fazendo educação de que eles sejam protagonistas do autocuidado”, reforça.  

 

Além disso, ela reforça que tem sito feito um monitoramento diário dos pacientes que chegam a Atenção Primária. Se for sintomático respiratório, entra no sistema de casos suspeitos ou confirmados e é acompanhado por 14 dias, seja por teleatendimento ou na busca ativa dos agentes. “

Por recomendação do Ministério da Saúde, a visita é peridomiciliar. Na zona rural isso está sendo possível”, acredita Quitéria.  

A gestora avalia que o resultado está sendo positivo de um modo geral, pois, o monitoramento mostra que os casos na zona rural acontecem em localidades próximas às cidades em que há um grande número de infectados, como Juazeiro do Norte e Crato, que somam 9.075 e 3.037 casos confirmados, respectivamente. 

“A gente consegue ver uma diminuição na procura de sintomáticos nas nossas unidades, mas, ali (nos sítios limítrofes), a gente reconhece que precisa cuidar mais”, admite Quitétria.  

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