Ceará ultrapassa a marca de 860 indígenas infectados pela Covid-19

Até agora, sete indígenas morreram em decorrência da doença, sendo dos povo Pitaguary (3), Tabajara (2), Anacé (1) e Tapeba (1).

Legenda: 806 indígenas já se recuperaram da doença, representando cerca de 93,5% dos infectados.
Foto: Kid Jr

O Ceará alcançou a marca de 862 casos confirmados da Covid-19 entre os povos indígenas, segundo o boletim epidemiológico divulgado ontem (14) pela Federação dos Povos e Organizações Indígenas do Ceará (Fepoince). Ao todo, sete indígenas morreram em decorrência da doença, que já chegou a 17 dos 19 municípios do Estado que possuem tribos. Deste total, 806 pessoas já se recuperaram, representando cerca de 93,5% dos infectados.  

Apesar do número alto, houve uma leve queda na última semana em comparação as duas semanas anteriores. Entre 7 e 14 de outubro, o acréscimo foi de 31 casos, saltando de 831 para os atuais 862, o que representa uma média de 4,4 novos infectados por dia. Já entre 30 de setembro e 7 de outubro, o aumento foi de 36 novos casos, ou seja, 5,14/dias. Entre 22 e 30 de setembro, somou 35, que representa uma média diária de cinco indígenas infectados.  

A coordenadora da Fepoince, Ceiça Pitaguary, acredita que olhando o cenário geral pode dizer que não houve uma queda, mas que "se estabilizou um pouco" na Região Metropolitana de Fortaleza.

“Mas percebemos um aumento significativo no interior. Região como Crateús deu salto considerável de infectados, causando um certo temor e alerta para os indígenas”, reforça.  

A Fepoince enxerga, no entanto, tendência de aumento no número de casos da Covid-19 entre indígenas em relação ao período anterior em dois municípios localizados na macrorregião do Sertão dos Crateús: Tamboril (75%) e Crateús (16%). Também houve um aumento de 17% em Quiterianópolis, no Sertão do Inhamuns.  

No levantamento, a Fepoince considera casos em indígenas que não estão contemplados pelo Subsistema de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas, da Secretaria Especial da Saúde Indígena (Sesai). Neste caso, estão comunidades que vivem em áreas sem providências de processo demarcatório, como dos povos Karão-Jaguaribara, nos limites de Canindé e Aratuba; e Kariri, na localidade de Poço Dantas, no Crato. 

Os números levam em consideração os indicadores da Secretaria da Saúde (Sesa) do Ceará, das secretarias municipais e de pesquisa realizada pelas organizações indígenas do Ceará. 

Já conforme o Sesai, são 773 indígenas infectados pelo novo coronavírus no Ceará. O número difere dos apresentados pela Fepoince pela metodologia adotada. Segundo a Pasta, seis indígenas foram vitimados pela doença no Estado, um a menos em comparação aos registros da entidade cearense. 

Na avaliação da líder da Fepoince, o cenário hoje é menos preocupante, pois, os indígenas estão mais informados sobre a doença. “Há mais esclarecimentos por parte dos nossos povos, porque agora não tem um indígena que não conheça ou tenha alguém que foi infectado. Portanto nossas comunidades ficaram mais  vigilantes e atentos aos cuidados de prevenção”, acredita Ceiça.  

Demanda 

A Fepoince ainda aguarda um aporte maior, tanto do Governo do Estado, como do Governo Federal para o apoio aos territórios indígenas do Ceará. “A testagem em massa tão solicitada por nós não aconteceu. O Governo do Estado nos pediu uma listagem de famílias para fornecer cestas básicas e, até agora, nada”, critica a coordenadora da Federação.  

Nossa equipe de reportagem entrou em contato com o Sesai sobre o fornecimento das testagens rápidas, mas não tivemos retorno até a publicação desta matéria. Atualmente, o Distrito Sanitário Especial Indígena Ceará atende 26.974 indígenas em 17 municípios do Estado do Ceará e para isso conta com 24 Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena.

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