Brincadeira tem origem nas provas tradicionais

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda:
Foto:
Limoeiro do Norte. Os meninos estão na idade de subir em árvore, e se correm, pulam, brincam na terra quente, demarcam linhas com o pé, fincam tocos de madeira no chão é para, logicamente, jogar futebol. Engano! É o terreno na frente da casa de Seu José Valdemar que os meninos preparam para disputar vaquejada correndo em cavalos de talo de carnaúba. A brincadeira revela não somente a manutenção de uma tradição rural, a vaquejada, como o seu aperfeiçoamento.

“Já brinquei muito de cavalo de talo, mas uma vaquejada assim não”, afirma seu José Valdemar, apoiador da brincadeira dos pequenos vaqueiros. O ex-vaqueiro e outras “ex-crianças” também participam dos jogos, que entretém a meninada nos fins de semana na comunidade de Bom Fim e adjacências, em Limoeiro do Norte. Mesmo sendo um adulto, não é para qualquer um puxar com velocidade um bloco de 15kg (tem também o de 5kg) e fazê-lo rodopiar entre as duas linhas desenhadas no chão. Fazendo desta forma, tem-se a melhor pontuação na prova.

Imitação

A idéia do torneio foi amadurecendo na medida em que os garotos, que têm entre oito e 13 anos, acostumados com as brincadeiras de galope em talos de carnaúba, aliaram a atividade ao gosto em imitar os vaqueiros de verdade, que viam derrubar o boi no parque de vaquejada Pais e Filhos, na comunidade de Bom Fim. O profissional dá arrancada na velocidade dentro da pista e, fora, o pretenso vaqueiro mirim imagina-se correndo para derrubar o boi. No parque de vaquejada, de um lado vêem se os profissionais da boiada dentro do cercado e os jovens brincantes do lado de fora.

Então, quando crescer você quer ser... “Não sei ainda, mas posso ser um advogado, empresário. Quero correr vaquejada de verdade, mas só como divertimento”, confessa o estudante Rafael Johnatan, de 13 anos. O mesmo não diz Francisco Isaías Ferreira, o “louro pinto”, de apenas nove anos, um dos menores da turma de vaqueiros mirins. “Quero ser vaqueiro e ganhar todas as vaquejadas”.

Falando em ganhar, Lucineide Moura, organizadora do torneio, e José Valdemar, dono do Parque Valdemar e juiz das corridas, gostaram da premiação da garotada como um estímulo e senso de organização. Eles pretendem amadurecer o campeonato para cinco etapas – como acontece nas vaquejadas tradicionais – e premiar com troféus os pequenos vaqueiros campeões. A meta é tornar a brincadeira, o mais próximo possível, das provas reais.

SAIBA MAIS
Passatempo

As vaquejadas serviam de passatempo para os coronéis, suas mulheres e filhos. Seus empregados peões entravam no cercado e corriam atrás do boi para derrubá-lo.

Herança

Conforme o historiador Câmara Cascudo, por volta de 1810 ainda não existia a vaquejada, mas algo parecido. Era a derrubada de vara de ferrão, praticada em Portugal e Espanha, em que o peão utilizava uma vara para pegar o boi. A derrubada do boi pelo rabo, a vaquejada propriamente dita, é herança nordestina.

Escrito

Em 1874 apareceu o primeiro registro escrito de informação sobre vaquejada, que, acredita-se, surgiu na região de Seridó, no Rio Grande do Norte.