Associação desenvolve peças originais do Cariri

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Legenda: A artesã Mônica Estevão Bezerra garante que quer usar a Pedra Cariri no seu formato natural e isso vai trazer a originalidade da peça

Juazeiro do Norte. Com o destaque nacional em artesanato e na produção de joias e semijoias, nasceu, neste Município do Cariri cearense, em 2007, a Associação dos Lapidários Artesãos Minerais e Ourives da Região do Cariri (Alamoca). Mas três anos antes da fundação, o grupo de 28 artesãos já desenvolvia trabalhos produzindo pingentes, braceletes, colares e anéis.

A presidente da Alamoca, a artesã Mônica Estevão Bezerra, 49, está à frente, há 10 anos, do projeto Joias do Cariri, desenvolvido pela organização. O trabalho surgiu por meio de parceria da Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte, em 2004, com o Centro de Gemologia da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), que doou equipamentos para lapidar, polir e formatar a Pedra Cariri, calcário laminado extraído dos municípios de Nova Olinda e Santana do Cariri.

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O projeto já esteve exposto em Belo Horizonte e em Porto Alegre e premiou Mônica Bezerra com o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, em 2012. No entanto, hoje, o trabalho tem produção menor e só a partir de encomendas ou para apresentar nas feiras de joias. "Ninguém tem condição de trabalhar com peça de ouro mesmo. Com prata, na Pedra Cariri, não fica muito chamativa", explica Mônica.

A artesã iniciou o trabalho há pelo menos 25 anos com joias. Fez diversos cursos técnicos, incluindo de artesanato mineral. "Fiquei nas pedras e não tenho pensamento de deixar não. Desde que me entendo por gente me envolvi com artesanato, minha família trabalhava com artesanato. Já nasce no sangue do brasileiro o gosto pelo artesanato", exalta Mônica.

A experiência tornou a artesã uma das pessoas mais procuradas para o reconhecimento de pedras. "Não tenho uma visão técnica laboratorial de pedra. Mas vem gente de tudo que é canto, principalmente Bahia e Minas Gerais são as fontes principais de pedras. Lá, trabalham com garimpo e trazem pedra para o diagnóstico", acrescenta Mônica, lembrando que, no Cariri, já foram encontradas a amazonita, em Caririaçu; a heliolite (pedra do sol), em Brejo Santo e Missão Velha; e ametista escura, em Farias Brito.

Diferencial

Hoje, a Alamoca está desenvolvendo um projeto para criar uma linha de joias originais do Cariri, para "que, em qualquer parte do mundo que chegar nosso produto, seja reconhecido que é de Juazeiro do Norte", antecipa Mônica. A artesã garante que quer usar a Pedra Cariri no seu formato natural e isso vai trazer a originalidade da peça. "Ninguém mais vai ter uma joia igual àquela. Nossa região é muito rica, só falta ser reconhecida", completa.