Aporte hídrico nos açudes cearenses deste ano é o segundo melhor da atual década

Os reservatórios tiveram recarga de 5,19 bilhões de m³. O índice é o quinto melhor dos últimos 21 anos

Legenda: O Açude Orós acumula atualmente 27,1%. Em 2017, ele esteve praticamente com volume morto
Foto: Honório Barbosa

As chuvas ocorridas no primeiro semestre deste ano contribuíram para uma retomada importante dos aportes hídricos no interior cearense após um longo período de escassez de água nos açudes iniciado partir de 2012. Conforme dados da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), nos 155 reservatórios monitorados pelo órgão, houve recarga de 5,19 bilhões de metros cúbicos. Este é o segundo melhor índice da atual década, atrás apenas de 2011 (7,84 bilhões de metros cúbicos).

Em comparação com o período entre 2000 e 2020 – uma série de 21 anos – o aporte observado neste ano é o quinto melhor. Em ordem crescente estão as recargas de 2004, ano de grandes enchentes, (19,02 bilhões de m3); 2009 (15,03 bilhões de m3); 2008 (11,29 bilhões de m3); e 2011 (7,84 bilhões de metros cúbicos).

Na série histórica recortada, os piores cenários ocorreram em dois períodos seguidos: 2015 (0,75 bilhões de metros cúbicos) e 2016 (0,77 bilhões de metros cúbicos).

O secretário executivo da Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), Aderilo Alcântara, ressalta que, embora a situação ainda não seja de conforto, garante maior segurança no abastecimento. Ele comemorou, também, a pouca distribuição nos aportes.  

“Não foram apenas os reservatórios médios e grandes, estratégicos para o abastecimento humano e irrigação de culturas agrícolas temporárias, mas milhares de pequenos açudes estão cheios”, frisou.

A observação de Alcântara coincide com o relato do pequeno empresário Carlos Erick Vieira, que trabalha com roço de rodovias estaduais e federais em várias regiões do interior cearense. “Desde maio passado, por onde a gente anda vê a alegria dos agricultores, os açudes todos cheios e uma boa safra de milho e feijão”, contou. 

Legenda: A Cogerh registra atualmente 34,4% de aportes nos 155 açudes monitorados.
Foto: Honório Barbosa

Retomada

Segundo índices do Portal Hidrológico da Cogerh, entre 2012 e 2017 as reservas hídricas cearenses praticamente não tiveram recarga. Os índices acumulados na maioria dos açudes foram caindo a cada ano, seguidamente. O quadro, no entanto, iniciou uma retomada há dois anos. 

“A partir de 2018 tivemos uma melhora nas reservas hídricas na região Norte do Estado, que se confirmou em 2019, e neste ano se generalizou em todas as regiões. Esperamos um ano ainda melhor em 2021”, detalhou Aderilo.

A retomada de água nos dois maiores açudes do Ceará – Castanhão e Orós – renova a esperança mesmo que parcial para a retomada da produção de tilápia em gaiolas e para a liberação de água para irrigação de culturas temporárias (milho, feijão, capim e sorgo), embora de forma reduzida.  

Aportes

O Açude Orós, segundo maior do Estado, acumula atualmente 27,1% e o Castanhão, maior reservatório ceanrese, 15,7%. Em 2017, esses dois açudes estiveram praticamente com volume morto. Outro açude estratégico, o Trussu, em Iguatu, que chegou a menos de 2%, neste ano, saltou para 23,6%, acumulando uma reserva que assegura abastecimento das cidades de Iguatu e Acopiara por mais dois anos.

“Com exceção de Monsenhor Tabosa, outras 29 cidades que já estiveram em regime de contingenciamento no sistema de abastecimento, nesse período de crise hídrica que o Ceará enfrentou, estão com segurança hídrica de pelo menos um ano”, observa o diretor de Operações da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), Hélder Cortez.   

Cinco maiores aportes:

  1. Castanhão - 979,4 milhões m³
  2. Araras - 540,5 milhões m³
  3. Orós - 478,9 milhões m³
  4. Arneiroz II - 165,1 milhões m³
  5. Banabuiú - 153,4 milhões m³

Reservas gerais

A Cogerh registra atualmente 34,4% de aportes nos 155 açudes monitorados. O período entre 2011 e 2016  foi marcado por seguida redução das reservas de água: 2011 (84,2%); 2012 (62,3%); 2013 (40,7%); 2014 (29,2%); 2015 (17,3%) e 2016 (11,1%).

A partir de 2017, a curva torna-se ascendente: 2017 (12%); 2018 (16,2%); 2019 (20,9%) e 2020 (34,4%).