Piscicultores do Castanhão esperam retomar atividade com chegada das águas do São Francisco

Parados desde 2018, produtores de tilápia em cativeiro vivem a expectativa de voltar à produção até o fim do ano

Legenda: A piscicultura no Castanhão já gerou renda para cerca de três mil famílias, de forma direta e indireta
Foto: HONÓRIO BARBOSA

Piscicultores do Açude Castanhão, o maior do Ceará, vivem a expectativa da retomada da produção de tilápia em cativeiro ainda neste ano diante da chegada das águas da Transposição do Rio São Francisco, que deve ocorrer em dois meses. A atividade foi paralisada em 2018 por causa do baixo volume hídrico no reservatório.

Hoje, o açude acumula 15,83% do volume total, aquém da reserva hídrica mínima de 20% exigida pelo Governo do Estado para autorizar a recolocação de gaiolas nos reservatórios. No entanto, com a chegada das águas do Velho Chico, este cenário tende a mudar no próximo trimestre e, assim, possibilitar o retorno gradual da atividade que teve seu ápice entre os anos de 2008 a 2014, com produção média anual de 20 mil toneladas. Em 2013, o Castanhão atingiu o auge da produção, alcançando a colocação de maior produtor de tilápia do Brasil. Naquela data, a atividade gerava renda para três mil famílias, entre empregos diretos e indiretos.

Nos anos seguintes, a produção entrou em processo de declínio devido à ausência de chuvas no Estado. Porém, agora, a secretária de Desenvolvimento Econômico, Aquicultura, Turismo e Pesca de Jaguaribara, Lívia Barreto, se mostra otimista e faz projeções quanto ao futuro. "Acreditamos que o nível do Castanhão se elevará a contar de setembro", pontuou. A partir de então, piscicultores de pequeno porte, que já possuem concessão de uso do espelho d'água, poderão retomar a atividade que representa cerca de 70% da economia de Jaguaribara.

O presidente da Associação dos Criadores de Tilápia do Castanhão (Acrítica), Edivando Feitosa, diz que neste primeiro momento a expectativa é explorar apenas 5% da capacidade produtiva do reservatório. A estimativa é de que 200 produtores recomecem neste primeiro momento.

Processo

A volta, no entanto, não é automática. Mesmo que o açude supere a marca dos 20%, os médios e grandes piscicultores necessitam de novas outorgas e licença ambiental, concedidas pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). O órgão, porém, prega cautela para evitar nova mortandade de peixes.

A Cogerh informou ainda que há um grupo de trabalho que reúne governo do Estado (SRH, SDA, Cogerh), Secretaria Nacional da Pesca, Agência Nacional de Águas (ANA), Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), prefeituras e produtores que vem discutindo um novo modelo para a piscicultura nos grandes reservatórios do Ceará. "O modelo anterior não tem capacidade de suporte para a atividade, levando a um alto risco de perdas para os produtores", disse. A Companhia não detalhou, no entanto, como será o novo modelo proposto.

De acordo com Paulo Landim, médico veterinário e que se especializou em piscicultura, é necessário que se institua um seguro para a atividade, nos moldes do seguro-safra. "Seria constituído um fundo para socorrer os piscicultores quando houver mortandade elevada como no passado".


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