Alunos criam aplicativo para auxiliar no ensino da matemática em Acaraú; desempenho atinge 74%

No mesmo ano da criação, o desempenho dos alunos nas avaliações aumentou mais de 30% com a nova ferramenta

Legenda: A intenção é que o aplicativo possa ser, no futura, acessada por alunos de outras instituições.
Foto: Arquivo Pessoal/Luana Rios

O Ceará atingiu, pela primeira vez na história, um nível considerado adequado de alfabetização nos 184 municípios cearenses (97% de efetividade). Apesar disso, ainda apresenta um gargalo: seis a cada dez alunos concluem o ensino fundamental com aprendizado crítico em matemática. As informações foram divulgadas pelo Governo do Estado, nesta semana, com base nos resultados do Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do Ceará (Spaece).

Para superar o desafio nas exatas e as limitações no aprendizado em anos anteriores, alunos do ensino médio e professores da Escola Estadual de Educação Profissional Marta Maria Giffoni de Sousa, localizada em Acaraú, desenvolveram o projeto “Be!Math: A Tecnologia como figura de mediação pedagógica”. O objetivo da ferramenta, que se tornou aplicativo em 2019, é desenvolver um processo qualificado de ensino-aprendizagem na área.

No mesmo ano da criação, o desempenho dos alunos do 1º ano do ensino médio em proficiência em matemática saltou 31% - de 16,6% para 47,7%. Em 2019, o desempenho foi ainda melhor, saindo de 17,7% de alunos em um nível considerado adequado, na primeira avaliação do ano, para 74%, na última, realizada em dezembro. A referência é o Projeto de Intervenção da Superintendência Escolar, da Coordenadoria Regional de Desenvolvimento da Educação 3.

Ao longo do ano, a escola realiza três avaliações:

  • Fevereiro: diagnóstico;
  • Junho: mediadora; e
  • Dezembro: desempenho.

Por hora, o aplicativo fica disponível apenas para estudantes da instituição.

Legenda: Criado em 2018, o aplicativo está tendo uma boa adesão dos alunos.
Foto: Arquivo Pessoal/Guilherme Cunha

Projeto

“Comecei esse projeto no 1º ano do ensino médio porque vi as dificuldades da minha sala, que tinha o pior índice em matemática comparada a todos os 1º anos (quatro, na escola)”, ressalta Ana Michaela, hoje, no 3º ano. “Me juntei com minha professora de matemática e coordenadora e começamos a ver possibilidade do que poderia ser feito”, aponta. Ela está cursando o profissionalizante de Aquicultura e pretende ser engenheira de pesca.

Hoje, outras lideranças do projeto são os alunos Guilherme Cunha e Suéli de Araújo, que cursam o ensino médio na Escola Marta Maria Giffoni de Sousa.

A primeira versão do Be!Math, surgida em 2018, saiu em um endereço eletrônico - ainda não tão acessível, relata a estudante. “Nos juntamos com dois alunos de Redes de Computadores para iniciarmos o projeto como um aplicativo. Todo aluno tem um celular, nem que seja do pai ou da mãe. Já o computador é mais difícil. Muitos só teriam este acesso se estivem na escola”.

Legenda: Interface do aplicativo. A intenção é que mais alunos possam acessá-lo, no futuro.
Foto: Reprodução

Resultados

Para desenvolver o projeto, hoje, abraçado por outros alunos e docentes, foi desenvolvido um questionário para levantamento das principais dificuldades e elaboração das melhores estratégias de aprendizagem. O aplicativo é gratuito e, com um simples cadastro, a ideia é que os alunos possam utilizá-lo nas horas de estudo. Em pouco tempo, os resultados já são visíveis.

A porcentagem de alunos do primeiro ano do ensino médio que tiveram um melhor desempenho nas avaliações da escolas saltou 31%, em um ano, em 2018. Já em 2019, o aumento foi de 56,3%. Em 2020, a intenção era expandir o projeto e poder disponibilizar para mais alunos. "Devido a pandemia, tivemos que parar um pouco", lamenta a professora a professora e orientadora do projeto, Luana Rios.

“São realizadas três provas que a gente vai vendo os índices de todas as salas do ensino médio em português e matemática. Os alunos estavam nos procurando para saber com funcionava e depois voltavam dizendo que ajudou bastante”, ressalta Michaela.

Aplicativo

Na plataforma, os professores colaboram com vídeos e aulas. “O projeto contribui significativamente para o processo de aprendizagem, visto que o uso das tecnologias em sala estimula e motiva os alunos a participarem de todo o processo de aprendizagem”, destaca a professora Luana Rios. Além dela, o professor Quilion Batista também coordena o projeto. 

“A plataforma Be!Math veio como ferramenta de mediação entre alunos e professores, proporcionando em um único espaço virtual diversos materiais, como vídeos, PDFs e listas de exercícios que foram construídos pelos professores e alunos da própria escola”. 

A docente pontua, ainda, que, a partir da iniciativa, “os alunos se tornaram protagonista do próprio aprendizado”. “A tecnologia é uma aliada ao ensino da Matemática e das demais disciplinas. Nossos alunos têm uma facilidade enorme de lidar com essas ferramentas tecnológicas. Então, por que não usá-las ao nosso favor?”, aponta.

Em 2019, o Be!Math recebeu menção honrosa no Desafio Criativos da Escola, iniciativa brasileira que faz parte do Design for Change, um movimento global surgido na Índia e presente em 65 países. Com o sucesso e premiações, também, no Ceará, o projeto espera, agora, disponibilizar o aplicativo no Play Store, o que facilitará a adesão de mais estudantes.

"Ainda estamos em fase de alimentação. A pretensão é disponibilizar para o download no Play Store. Por enquanto, mandamos um link para os nossos alunos baixarem", explica Luana.

Resultados do Spaece no ensino da matemática, em 2019:

  • 40% dos alunos passam para o ensino médio com nível crítico de aprendizado em matemática
  • Um a cada quatro estudantes do 5º ano tiveram aprendizado crítico ou muito crítico em matemática no último ano;
  • Uma média de 44% dos alunos atingiram o nível desejado;
  • Em 2008, apenas 4% havia desempenho adequado nas exatas.

Legenda: No momento, o aplicativo fica disponível apenas para estudantes da instituição.
Foto: Arquivo Pessoal/Guilherme Cunha

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