Quem é Carlos Wizard? Conheça o empresário que decidiu permanecer em silêncio na CPI da Covid

Wizard é apontado como membro do gabinete paralelo da Saúde

Empresário Carlos Wizard
Legenda: O empresário Carlos Wizard é investigado pela CPI da Covid-19
Foto: Divulgação

O empresário Carlos Wizard Martins presta depoimento nesta quarta-feira (30) na CPI da Covid-19, no Senado Federal. Apesar das perguntas dos parlamentares, Wizard decidiu permanecer em silêncio.

Acompanhe o depoimento ao vivo

O empresário recorreu ao habeas corpus expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que lhe concede o direito de permanecer calado na oitiva para não produzir provas contra si. Ele está na lista de 14 investigados pela Comissão.

Wizard é apontado como membro do “gabinete paralelo” de aconselhamento ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no enfrentamento à pandemia.

Em seu discurso inicial, o empresário negou ter participação ou saber da existência de um gabinete da saúde paralelo. Os senadores decidiram manter as perguntas e a exibição de vídeos programados. 

Faltou à sessão

Em 17 de junho, Carlos Wizard faltou à sessão que deveria ter testemunhado na CPI da Covid-19. Ele estava nos Estados Unidos e não foi encontrado pela polícia nos seus endereços no Brasil. 

Nesta segunda-feira (28), Wizard chegou ao Brasil e entregou seu passaporte, conforme determinado pela Justiça Federal. 

O depoimento desta quarta-feira (30) foi marcado a pedido do próprio empresário, após a comissão requerer a condução coercitiva para ele depor no plenário do Senado Federal.

Empresas

Carlos Martins Wizard, de 64 anos, é fundador da Wizard, rede de ensino de idiomas do Brasil. 

Em 2014, Wizard entrou na lista de bilionários da revista 'Forbes'. Ele nasceu em Curitiba (PR) e estudou ciência da computação e estatística na Brigham Young University, nos Estados Unidos. 

Aos 21 anos, ele voltou ao Brasil e começou a dar aulas particulares de inglês. Ele criou uma metodologia de ensino e criou a própria escola, que se tornou uma grande rede. 

Com o crescimento, Wizard adquiriu outras redes de ensino de línguas, como Yázigi e Microlins, e formou o grupo Multi Educação. 

O grupo foi vendido para a empresa britânica Pearson em 2013, por quase US$ 2 bilhões. Após a venda, Wizard começou a investir em outros setores. 

Wizard comprou a rede de produtos naturais, Mundo Verde, em 2014. Ele também trouxe redes de comida para o Brasil, como Taco Bell, Pizza Hut e KFC. 

O empresário é autor de livros sobre empreendedorismo, como "Desperte o Milionário que há em Você!", “Sonhos não tem limite" e "Meu maior Empreendimento".

Aconselhamento na pandemia de Covid-19 

Esta é uma imagem de Carlos Wizard
Legenda: Carlos Wizard diz que não vê lógica de doar vacinas contra Covid-19 para o SUS
Foto: Reprodução/Instagram

Em entrevista à TV Brasil, Carlos Wizard afirmou que em 2020 foi convidado pelo então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para assumir uma secretaria do ministério.

Ele afirmou que recusou o cargo, mas seguiu em Brasília para dar aconselhamento para o ministro. 

"Foi neste momento que eu tive, então, a oportunidade de conhecer autoridades médicas que são reconhecidas tanto no Brasil quanto no exterior, como a doutora Nise Yamaguchi, doutor Roberto Zeballos, doutor Anthony Wong, Dante Serra, e muitos outros que participam desse conselho científico independente", disse Wizard na entrevista.

Wizard, Eduardo Pazuello e Nise Yamaguchi estão na lista de investigados da CPI. A comissão mira integrantes do gabinete paralelo, que seria responsável por atuar na propagação do suposto tratamento precoce.

Vídeos exibidos na CPI da Covid-19 mostram que Carlos Wizard apoiou o uso de remédios sem eficácia para a Covid-19. 

Em junho de 2020, Carlos afirmou ao jornal O Globo que os estados manipulavam o número de mortos por Covid-19. Ele era cotado para o Ministério da Saúde e, mesmo sem assumir, afirmou que a pasta faria uma recontagem. O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) condenou a declaração de Wizard. 

Ele também coordenou uma corrente de empresários interessados em comprar vacinas contra Covid-19, no primeiro trimestre deste ano. Wizard afirmou que não via lógica em doar os imunizantes para o Sistema Único de Saúde (SUS).