Durante recesso, CPI vai analisar documentos e aprofundar novas frentes de investigação

Depoimentos e deliberações estão suspensos durante o recesso parlamentar e sessões serão retomadas em 3 de agosto

Legenda: Depoimentos à CPI da Covid ficam suspensos até 3 de agosto durante o recesso parlamentar
Foto: Agência Senado

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 no Senado continuará com os trabalhos durante o recesso parlamentar ao longo deste mês de julho. Com depoimentos e votações suspensos até o próximo dia 3 de agosto, membros da cúpula e da equipe ténica do colegiado vão focar na análise de documentos e aprofundar novas frentes de investigação.

Um dos principais focos no momento é a compra da vacina indiana Covaxin. Membros da CPI se reuniram com senadores do Paraguai, na última sexta-feira (16), em uma nova linha de investigação no caso. 

Parceria com Paraguai

A negociação no país vizinho também apresenta suspeitas de irregularidades e os senadores dos dois países decidiram criar um canal para intercâmbio de informações.

A ideia é, após este encontro virtual, que os parlamentares brasileiros façam uma diligência em Assunção, capital paraguaia, para analisar os documentos obtidos pelos parlamentares locais durante o recesso do Congresso.

No Paraguai, o caso se tornou central na cena política do país. Isso porque a indiana Bharat Biotech descumpriu o contrato que previa a entrega de dois milhões de doses da vacina.

A suspeita de irregularidades na compra da Covaxin vem sendo investigada pela CPI, após o servidor do Ministério da Saúde, Luis Ricardo Miranda, denunciar ao Ministério Público Federal pressão "atípica" para liberar a importação do imunizante.

Segundo o vice-presidente da comissão, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), a equipe técnica da CPI continuará analisando os documentos recebidos durante o recesso e não está descartada a possibilidade de realização de diligências.

As sessões da CPI serão retomadas no próximo dia 3 de agosto, por causa do recesso no Congresso Nacional. Na semana passada, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), prorrogou os trabalhos da comissão por mais 90 dias. 

Randolfe citou dois depoimentos como prioritários para o retorno dos trabalhos: o do dono da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano, e do líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (Progressistas-PR). 

O depoimento do empresário estava previsto para a última quarta-feira (14), mas foi adiado por falta de tempo hábil para ser realizado.

Organizações Sociais

Também entrarão na mira da CPI durante o mês de julho a análise de documentos que dizem respeito a OSs (Organizações Sociais) do Rio de Janeiro. O ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, apontou em depoimento a senadores suspeitas de irregularidades na gestão dessas instituições e a relação delas com milícias.

Uma fonte da CPI afirma que a senadora Simone Tebet (MDB-MS) deve auxiliar na análise de documentos referentes à OSs e os hospitais federais do Rio de Janeiro, em particular as questões jurídicas que envolvem esses temas. 

Sem entrar em detalhes, a senadora postou em suas redes sociais que iria analisar passar o período de recesso avaliando documentos.

Ainda nas questões envolvendo o estado do Rio de Janeiro, o senador Humberto Costa (PT-PE) vai ficar responsável por aprofundar a investigação sobre a relação entre governo e empresas.

Outras frentes

Em uma outra frente de trabalho, a CPI pretende intensificar as apurações a respeito de perfis falsos nas redes sociais que divulgam informações mentirosas. Os senadores querem saber se há relação direta com servidores do Palácio do Planalto, em particular ligados ao gabinete do ódio.

Na semana antes do recesso, os senadores aprovaram requerimento para obter o compartilhamento de dados com a CPMI das Fake News, que foi inicialmente suspensa com a pandemia do novo coronavírus e não tem previsão de ser retomada.

O vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que outro flanco que deve ser aprofundado durante o recesso é a atuação dos intermediários na compra de vacinas.

Randolfe disse ser "razoável" a apresentação de um relatório final dos trabalhos da comissão em setembro.

"Acreditamos que (a apresentação será em) setembro porque a CPI, segundo manda o regimento, pode ser prorrogada por igual prazo, até o final da legislatura ou até a apresentação do relatório. Protocolamos o requerimento, que foi lido ontem de prorrogação por igual prazo, mas podemos antecipar o fim com a leitura do relatório. Acredito que setembro é razoável, mas ainda avaliaremos", disse.

Na semana passada, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), prorrogou os trabalhos CPI da Covid por mais 90 dias.