Cotada para 2022, Izolda Cela diz que momento não é de 'focar em nomes' e defende aliança PDT-PT

Em entrevista exclusiva ao PontoPoder, da TV Diário, a vice-governadora defendeu "boa política" em resposta a "desacerto federal"

Izolda Cela
Legenda: "Acho muito importante essa aliança", diz vice-governadora sobre relação entre PDT e PT em âmbito estadual
Foto: Governo do Ceará

Perto de completar sete anos como vice-governadora do Estado, Izolda Cela (PDT) teve, assim como os demais integrantes da gestão estadual, os principais desafios de sua carreira política no último um ano e meio. 

Ex-secretária da Educação e idealizadora do Programa de Alfabetização na Idade Certa (Paic), iniciativa de incentivo a melhorias nos índices educacionais que deu ao Ceará posição de destaque nacional na área, Izolda reconhece os impactos e urgências trazidos pela pandemia e cobra, como resposta à crise, o desenvolvimento da “boa política” em contraste com o “desacerto em âmbito federal”. 

Em entrevista exclusiva ao programa Ponto Poder, da TV Diário, a professora e psicóloga também falou sobre participação feminina nos espaços de poder, aliança entre PDT e PT, além das pretensões do seu grupo político em 2022. Uma das cotadas no partido para a sucessão do governador Camilo Santana, Izolda acredita que, no momento, discutir nomes é um “desserviço”.

Confira a entrevista: 

Como a senhora, por ter uma trajetória muito ligada à Educação, avalia os impactos da pandemia na área aqui no Ceará? E qual o desafio de primeira ordem do Governo do Estado neste momento? 

Impactos gravíssimos, muito sérios. Apesar de que os professores, os profissionais da Educação, continuaram em ação, em atividade, nós sabemos que os processos de ensino e de aprendizagem foram duramente impactados para uma grande parte, grande mesmo, das crianças e dos jovens.

Há duas semanas, o governador chamou prefeitas e prefeitos cearenses para a repactuação do compromisso de todos pela aprendizagem, e tivemos, como sempre, que é uma coisa valiosa aqui no Ceará, essa grande adesão de todos.

E esse pacto, o que é que significa? Vamos correr atrás do prejuízo, vamos trabalhar para tirar esse atraso que aconteceu nas aprendizagens de muitas crianças e seguir em frente, porque é algo muito precioso para o Ceará esse ritmo de melhoria e de avanço da Educação pública, então a gente tem que apertar o passo para seguir em frente. 

Ainda falando de Educação, um outro tema polêmico que a gente pode destacar é a questão dos precatórios do Fundeb. O Governo Federal vem tentando postergar o pagamento desses precatórios aos estados, inclusive no âmbito do Legislativo e do Judiciário. A senhora chegou a pautar esse assunto em uma reunião recente dos governadores do Nordeste. Há algum avanço em relação a esse pleito? 

Não, ainda não há definição. Na verdade, o que seria de direito, inclusive aqui para o Ceará, seria o recebimento desse recurso, do precatório, no próximo ano, até meados de 2022. Essa foi a decisão judicial, e o Estado fez a sua parte, para exatamente garantir que fosse incluída ainda neste ano a previsão, para o recebimento no próximo.

Mas o Governo Federal botou aí uma pedra no meio do caminho, e nós estamos aguardando para saber da definição. Aguardando, mas sempre fazendo a reivindicação muito forte em relação a isso, pela importância que tem um recurso desse, para estados e municípios, porque isso beneficiará também municípios. A política aqui do Estado do Ceará é sempre uma política de cooperação, então certamente nós olhamos para os municípios sempre com esse olhar de corresponsabilidade.

E também os professores, que têm o seu devido direito relacionado também ao recebimento de uma parcela desse recurso, que é outra coisa tão a importante, a gente poder sempre ter essas ações de valorização do professor, por essa ótica também muito importante, do salário, da remuneração. Então estamos aí nessa luta ainda. 

O Governo do Estado também vem implementando um programa voltado aos jovens que nem estudam nem trabalham. Como esse programa vem de fato sendo tocado e qual a meta dele? 

Esse programa é chamado Virando o Jogo. É um programa em que a Vice-Governadoria tem uma presença de articulação, mas envolve outras secretarias, outros setores do Governo, principalmente a SPS, a Secretaria de Proteção Social, mas também os Bombeiros, a Secretaria da Educação, a Secretaria da Cultura pode entrar também, nas ações relacionadas. 

Nós temos essa parceria na gestão com o Senac, e tudo isso em prol de abrir oportunidades para a juventude e para aqueles jovens que estão em uma situação às vezes de falta de perspectiva, de falta de projeto de vida. Abandonaram a escola, que é sempre uma situação muito perigosa para jovens, ou alguns que até conseguiram terminar, mas não têm muita perspectiva de continuidade nos seus estudos, ou mesmo de inserção no trabalho.

Alguns jovens que cumpriram medidas socioeducativas e que às vezes também têm mais dificuldade de se inserir, porque não deixa de ser uma situação sensível na vida. Então, essa juventude precisa de um apoio muito especial.

Eu sempre digo que o Governo tem sempre essas duas frentes de desafios: uma que diz respeito ao ‘aqui e agora’, e às grandes mazelas, às grandes dificuldades que a gente ainda enfrenta, que parte da sociedade ainda enfrenta e que o Governo tem responsabilidade de procurar apoiar; e a outra são as ações de prevenção. 

A senhora está no segundo mandato como vice-governadora. Falando de participação feminina na política, a gente vê que essa é uma pauta frequente nos parlamentos, no Judiciário, mas ainda assim, neste ano mesmo, a gente viu a Justiça Eleitoral cassando chapas inteiras de vereadores aqui no Ceará por fraudes às cotas de gênero, por exemplo. Na sua avaliação, o que os partidos precisam fazer para a gente ver mais avanços em relação a isso? 

Eu acho muito importante essa ação mais orgânica, mais sincera, mais verdadeira, com relação à participação das mulheres na política.

No Legislativo, no Executivo também, nos espaços de liderança de instituições, inclusive, eu acho muito importante. Nós vemos aqui no Ceará uma presença feminina em alguns espaços bem importantes, mas na política, especialmente na política eleitoral, acho que ainda deixa muito a desejar.

Então, penso que essa ação que promove a participação das mulheres é importante para animá-las, para apoiá-las, inclusive, nessa possibilidade de colocarem os seus nomes e estarem contribuindo nesses espaços tão importantes.

E às vezes eu brinco, falando sério, que as mulheres têm que estar presentes para contribuir, para trazer algo de novo, de importante, novos modelos de fazer política. Não imitar exatamente o que já está sendo feito. 

O PDT começou nesse fim de semana uma série de encontros regionais, pela região do Cariri, já para aproximar lideranças, pautar estratégias para o ano que vem, e a senhora está entre os nomes colocados como possíveis candidatos à sucessão do governador Camilo Santana. A senhora tem colocado internamente disposição, vontade de ser candidata a governadora? 

Para ser bem sincera, eu não coloco isso como exatamente um sonho, um projeto ou intenção, não. Vejo que é muito importante esse movimento do PDT, de procurar chamar suas lideranças, agregar, fortalecer as redes pelo Estado do Ceará, em função de refletir, de discutir as questões políticas, e as questões políticas em um sentido mais amplo.

Penso que agora (a prioridade) não é tanto nomes. Se ficar com esse foco em nomes, Fulano ou Fulana, eu acho que isso inclusive atrapalha, é um desserviço.

No caso, para nós que estamos na gestão, ao serviço da gestão. Antecipa uma pauta que nós já temos de dois em dois anos, eleições, e isso mexe no ambiente, tem interferências na gestão, porque tem uma série de contenções e de regras para atender à lei eleitoral, então, se a gente fica antecipando mais ainda isso, não acho que faz bem para o serviço, para a gestão.

Mas eu acho que politizar, no seu melhor sentido, o que está acontecendo no País, a importância de a gente entender melhor essa polarização, esse desacerto que se deu no desempenho de lideranças no âmbito federal, e nos livrar disso, se a gente puder livrar o Ceará de determinados valores e determinados jeitos de fazer política, eu acho que é muito importante. Nós defendemos muito aqui no Ceará um projeto que vem mostrando serviço.

Não é nenhum passe de mágica, nós não temos situação de voo de cruzeiro com relação aos nossos desafios. Claro que não, é muita luta ainda, muita coisa para melhorar, muitos desafios, nosso estado ainda muito pobre, uma desigualdade social muito forte ainda. Tudo isso traz um cortejo de problemas, mas a política, a boa política, é que tem a condição de dar respostas a isso, com um ritmo melhor, abrangendo mais gente. Então, eu acho que é disso que se trata, de chamar a boa política para o cenário. 

O seu berço político é Sobral, e lá, assim como em âmbito estadual, PT e PDT estão juntos. A senhora acredita na manutenção da aliança PT-PDT para a eleição estadual no ano que vem? É defensora da manutenção dessa aliança? 

Ah, eu sou. Eu acho muito importante essa aliança, sabe? Nós temos histórias e quadros muito importantes nos dois partidos, e que vêm contribuindo muito nesse projeto político que se desenvolve há alguns anos. Em Sobral, por exemplo, todas essas transformações tão importantes, que mudaram a face do município ao longo desses anos têm essa parceria, praticamente durante todo o tempo ou quase todo, e aqui também no âmbito estadual.

É sempre importante que nós possamos nos unir em torno daquilo que é fundamental, que é pensar no que será melhor para a política e para a população, para o serviço que será prestado à população. Para mim, isso é o que deve importar, e aquelas diferenças serem trabalhadas devidamente.

Eu penso que o contexto brasileiro, inclusive, exige muitíssimo isso de nós. Que aqueles que têm esse sentido de responsabilidade com relação às boas escolhas e aquilo que pode ser melhor para manter o Ceará com equilíbrio fiscal, investindo, com foco naquilo que é essencial para a população, Educação, Saúde... um esforço muito grande para melhorar as infraestruturas, para tornar o Ceará mais atrativo para investimentos, que isso é algo que também tem sua importância, porque o vigor econômico repercute positivamente.

Mas, para além disso, e o governador Camilo Santana tem olhado muito nesse sentido, com ações específicas na Secretaria de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho, por exemplo, com relação a chegar nos pequenos, dar apoio para que as microempresas, os microempreendedores, possam prosperar nos seus negócios, que isso é uma coisa que eu vejo como muito importante, sabe?

Então, acho que é tanta agenda, tanta pauta importante, que eu acho que a gente tem que ter grandeza mesmo, para fazer as melhores escolhas, inclusive nessas alianças e nesses apoios em prol do Ceará. 


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