Trechos de conversa entre senador Kajuru e Bolsonaro acirram clima em Brasília; entenda polêmica

Entenda o teor e leia diálogo na íntegra da conversa entre o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido)

montagem feita com jair bolsonaro e jorge kajuru
Legenda: Trechos de uma conversa entre o Senador Jorge Kajuru e o presidente Jair Bolsonaro foram divulgados nesta segunda-feira (12)
Foto: Fotos: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil; Jefferson Rudy/Agência Senado

O senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) divulgou trechos de uma conversa que teve com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), neste sábado (10). Inicialmente, foram revelados pouco mais de seis minutos da gravação. 

Mas, em entrevista à Rádio Bandeirantes, Kajuru mostrou outra parte da mesma conversa. Entenda o teor e leia diálogo na íntegra abaixo.

Ampliação do escopo da CPI 

No áudio divulgado neste domingo (11), Kajuru pede a Bolsonaro o reconhecimento do seu empenho para incluir prefeitos e governadores à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a gestão do presidente no combate à pandemia. 

Bolsonaro diz que essa mudança do escopo da apuração é fundamental para tirar seu nome do centro da questão e a CPI se torna “realmente útil para o Brasil”. 

Nos poucos mais de seis minutos de diálogo, Kajuru insiste em ser reconhecido, enquanto Bolsonaro reforça a necessidade da ampliação. 

Supremo na mira 

Bolsonaro acrescenta que também é necessário ingressar com pedidos de impeachment contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Fica subtendido, então, que a saída dos ministros ajudaria no controle das investigações. 

“Vamos lá, Kajuru, uma coisa importante aqui: gente fica fazendo do limão uma limonada. Por enquanto, é um limão que tá aí. Dá para ser uma limonada. Tem que..Eu cho que você já fez alguma coisa, tem que peticionar o Supremo pra botar em pauta o impeachment também (dos ministros do Supremo)”, diz. 

Kajuru responde que já começou pelo ministro Alexandre de Moraes e Bolsonaro o parabeniza: "Parabéns para você". 

Bolsonaro volta a minimizar a pandemia

Em um momento, Bolsonaro volta a dizer que as pessoas vão continuar morrendo. "Kajuru, a questão do vírus, ninguém vai curar, não vai deixar de morrer gente, infelizmente, no Brasil. Agora, poderia morrer menos gente se os prefeitos todos pegassem recursos e investissem em postos de saúde, hospital", diz. 

Em outro trecho divulgado, Bolsonaro diz que "vai sair na porrada" e chama de "bosta" senador que pediu CPI da Covid

Kajuru revelou outro trecho. No primeiro, percebe-se que a ligação não começa naquele instante. Na outra parte revelada,  o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chama o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) de "bosta" e afirmou que teria que "sair na porrada" com o autor do requerimento de criação da CPI da Covid.

"Se você [Kajuru] não participa [da CPI], vem a canalhada lá do Randolfe Rodrigues para participar e vai começar a encher o saco. Daí, vou ter que sair na porrada com um bosta desses", afirmou Bolsonaro em áudio divulgado por Kajuru na manhã desta segunda-feira (12) na Rádio Bandeirantes.

Veja a conversa na íntegra: 

Bolsonaro - Tem uma CPI completamente direcionada à minha pessoa. 

Kajuru -  Não, presidente...Mas, presidente, a gente pode convocar governadores 

Bolsonaro - Se você não mudar o objeto da CPI, você não pode convocar governadores.

Kajuru - Tá, mas mas eu vou mudar. Eu quero ouvir governadores.

Bolsonaro - Se mudar (o foco da CPI), (nota) 10 para você, porque nós não temos nada a esconder. 

Kajuru - Eu não abro mão de ouvir governadores, em hipótese alguma.

Bolsonaro - Então, olha só (Bolsonaro é interrompido)

Kajuru - Eu só não quero que o senhor 'coloque eu' no mesmo joio 

Bolsonaro - Olha só, o que você tem que fazer: tem que mudar o objetivo da CPI. Tem que ser ampla 

Kajuru - Ampla, claro

Bolsonaro - Aí você faz excelente trabalho no Brasil.

Kajuru - O que eu quero fazer é isso. Eu não vou manchar meu nome de forma alguma.

Bolsonaro - Você não é o autor da CPI. Então, o autor, o objetivo do autor, que não quem é, o objetivo como tá lá é investigar omissões do governo federal no combate à Covid

Kajuru - Não é o meu caso. 

Bolsonaro - Tudo bem

Kajuru - Eu acabei de declarar por Agusto Nunes, mas eu quero dizer que eu não posso ser colocado no mesmo joio, presidente? Nas suas entrevistas, o senhor coloca como se todos nós fossemos iguais. Aí não é certo...

Bolsonaro - A CPI hoje é para investigar omissões do presidente Jair Bolsonaro. Ponto final. 

Kajuru - Mas o senhor pode dizer: não é o que pensa o senador Kajuru, que quer fazer uma investigação completa. 

Bolsonaro - Kajuru, se não mudar o objetivo da CPI, ela só vir para cima de mim. 

Kajuru - Mas não vai, presidente. Tem a opinião de outros. São 11 titulares e 8 suplentes. A opinião de um não prevalece. Vai prevalecer quem concordar. Eu não concordo com coisa errada, presidente. 

Bolsonaro - Kajuru, olha só, o que tem que fazer para a CPI realmente seja útil para o Brasil: mudar a amplitude dela. Bota governadores e prefeitos. Presidente da República, governadores e prefeitos...

Kajuru - Sim. Eu fui o primeiro a assinar para governadores e municipios. O senhor pode vê lá. Eu fui o primeiro a assinar. Então, portanto, eu concordo 'da amplitude’. 

Bolsonaro - Então, se mudar a amplitude (inaudível). Se não mudar, a CPI vai simplismente ouvir o Pazuello, gente nossa, para fazer um relatório sacana. 

Kajuru - Ah...Isso aí eu não faço nunca, pela minha mãe.

Bolsonaro - Vamos lá, Kajuru, uma coisa importante aqui: gente fica fazendo do limão uma limonada. Por enquanto, é um limão que tá aí. Dá para ser uma limonada. Tem que..Eu cho que você já fez alguma coisa, tem que pressionar o Supremo pra botar em pauta o impeachment também (dos ministros do Supremo).

Kajuru - Sim, e o que eu fiz? O senhor não viu o que eu fiz, não?

Bolsonaro - Parece que você fez. Você fez uma petição para investigar quem?

Kajuru - O Alexandre de Moares, ué. Eu tenho que começar pelo Alexandre de Moraes, porque o de Alexandre de Moraes meu está lá engavetado pelo Pacheco. Só falta liberar. Correto?

Bolsonaro - Você peticionou o Supremo, né?

Kajuru - Sim, claro. Eu entrei contra o Supremo. Eu entrei ontem, às 17h40. 

Bolsonaro - Parabéns para você.

Kajuru - Eu só queria que o senhor desse crédito para mim nesse ponto. 

Bolsonaro: Kajuru, de tudo o que nós conversamos aqui, nós estamos afinados, nós dois. É CPI ampla, investigar ministros do Supremo. 

Kajuru - E nunca "revanchista". E nunca "revanchista"

Bolsonaro: - Dez para você. Tendo a oportunidade, eu falo com as mídias e sinto que a minha conversa contigo... ampla CPI do Covid... E, também, o Supremo. 

Kajuru - Exatamente. Se ele fez com a CPI tem que fazer também com o ministro. 

Bolsonaro - Sim. 

Kajuru - Quer dizer, então é a coisa justa. O que é difícil pra mim é que eu tenho uma posição dessa, presidente, e aí todo mundo vem contra mim porque a fala do senhor generaliza todo mundo. Não é só eu não. O senhor precisa separar  O joio do trigo. 

Bolsonaro - Kajuru, olha, qualquer pessoa que eu conversar vou dizer o seguinte: 'O Kajuru foi bem intencionado, só que a CPI era restrita. Só que agora ele vai fazer o possível para ter uma CPI ampla. Da minha parte, não tem problema nenhum. Ele peticionou o Supremo, que deve ser o Barroso. 

Kajuru - Deve ser não, tem que ser, por causa daquela palavra jurídica "pretento", então juridicamente ele é obrigado a opinar, ele não pode colocar em nome de  de outro ministro. 

Bolsonaro -  É "prevento". 

Kajuru - Prevento, desculpe. 

Bolsonaro - Ele vai ter que despachar. 

Kajuru - Ele não pode colocar na mão de outro. Modéstia à parte, eu acho que fui bem nessa, né?

Bolsonaro - Bem não, você foi dez. Acho que o que vai acontecer, eles vão ponderar tudo. Não tem CPI nem tem investigação do Supremo. 

Kajuru - Ou bota tudo, ou zero a zero. 

Bolsonaro - Eu sou a favor de botar tudo pra frente.

Kajuru -  É, claro, vamo pro "pau", ué 

Bolsonaro - Kajuru, a questão do vírus, ninguém vai curar, não vai deixar de morrer gente, infelizmente, no Brasil. Agora, poderia morrer menos gente se os prefeitos todos pegassem recursos e investissem em postos de saúde, hospital. 

Kajuru - Presidente, eu sou justo. Nunca pedi uma agulha para o senhor. 

Bolsonaro - Estamos 100% assinados, Kajuru. Estamos 100% assinados. Tranquilo. 

Kajuru - Eu só quero justiça, presidente. 

Bolsonaro - Se você me pedir algo, sei que vai fazer bom uso. 

Kajuru - O senhor me ajudou no que, foi o único presidente da república da história do Brasil que ajudou a diabetes. E isso aí é toma lá, dá cá?

Bolsonaro - Tem nada a ver.

Kajuru - Pelo amor de Deus, não é?

Bolsonaro - Tá certo.

Kajuru - Abraço para você. Bom final de semana e saúde. 

Bolsonaro - Valeu. Até mais!

 

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