Senador Eduardo Girão consegue assinaturas para incluir estados e municípios na CPI da Covid

Após o anúncio do presidente do Senado de que abriria CPI da Covid nesta semana, o presidente Jair Bolsonaro passou a pressionar por investigação também de estados e municípios

Senador Luiz Eduardo Girão discursa no Senado
Legenda: Pedido de abertura de CPI com foco também em governadores e prefeitos é mais uma ação do senador cearense Eduardo Girão (Podemos) em apoio ao Governo Federal durante a pandemia. Foto: Pedro França / Agência Senado

O senador cearense Eduardo Girão (Podemos) conseguiu assinaturas suficientes para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigue também estados e municípios em relação à gestão da pandemia.

A ação é uma resposta da base de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que vem protestando pela ampliação das investigações desde o anúncio do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM/MG), de que instalaria a CPI da Covid nesta semana, a pedido do Supremo Tribunal Federal (STF). Na prática, a mudança tiraria o foco do Governo Federal. 

Até a manhã desta segunda-feira (12), 33 senadores assinaram o pedido de CPI mais ampla, número de assinaturas superior ao pedido de CPI apresentado pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede/AP). Segundo o presidente Rodrigo Pacheco, a abertura será feita na sessão de amanhã (13). Agora, o Senado terá uma queda de braço em relação aos limites da Comissão, assunto que também divide os parlamentares cearenses. 

Eduardo Girão criticou a decisão do ministro Luís Roberto Barroso com determinação para que a CPI da Covid fosse instalada e falou sobre as articulações para conseguir assinaturas nos últimos dias. 

"Com a determinação esdrúxula do STF, invadindo a competência do Legislativo, governando o País, isso criou uma comoção nacional. As pessoas se indignaram e os senadores também, ao invés de assinar a CPI de pessoas que pensam apenas na questão política e eleitoreira para 2022”
Eduardo Girão
Senador

Segundo o senador, "faltou transparência e sobrou desonestidade nos contratos firmados entre gestores públicos desonestos e a iniciativa privada”. Em defesa do Governo Federal, Girão disse ainda: “Se você foca apenas em um ente federado, você está focando em desgastar a imagem de apenas uma parte, que mandou centenas de bilhões de reais para estados e municípios". 

O senador cearense Cid Gomes (PDT) foi um dos que se posicionaram contra a mudança de rumo da CPI:

“CPI não é brincadeira. Há uma comissão para ser instalada, inclusive com determinação do STF. Tentar ampliar sem limites o objeto da Comissão de Inquérito, como na CPI do fim do mundo ou criar outra serve para desviar do fato principal e gerar confusão. Estamos atentos. CPI já!”, escreveu o pedetista nas redes sociais. 

Conversa entre Bolsonaro e Kajuru 

Um dos senadores favoráveis à ampliação da CPI, Jorge Kajuru (Cidadania/GO), vem divulgando desde ontem (11) áudios de uma conversa que teve por telefone, no sábado, com o presidente Jair Bolsonaro. (ouça o áudio abaixo)

Nela, Bolsonaro reforça o desejo de mudança de foco nas investigações. "Se mudar (o objeto da CPI), 10 para você, porque nós não temos nada a esconder", disse o presidente em trecho da conversa. "Se não mudar, a CPI vai simplesmente ouvir o (ex-ministro da Saúde Eduardo) Pazuello, ouvir gente nossa para fazer um relatório sacana”, complementa. 

Veja os senadores favoráveis à investigação de estados e municípios na CPI da Covid 

1. Eduardo Girão (Podemos-CE)
2. Alvaro Dias (Podemos-PR)
3. Jorge Kajuru (Cidadania-GO)
4. Flávio Arns (Podemos-PR)
5. Alessandro Vieira (Cidadania-SE) 
6. Styvenson Valentim (Podemos-RN)
7. Oriovisto Guimarães (Podemos-PR)
8. Reguffe (Podemos-DF)
9. Lasier Martins (Podemos-RS)
10. Paulo Paim (PT-RS)
11. Plínio Valério (PSDB-AM)
12. Rose de Freitas (MDB-ES)
13. Izalci Lucas (PSDB-DF)
14. Soraya Thronicke (PSL-MS)
15. Marcos do Val (Podemos-ES)
16. Luis Carlos Heinze (PP-RS)
17. Esperidião Amin (PP-SC)
18. Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE)
19. Eduardo Gomes (MDB-TO)
20. Elmano Férrer (PP-PI)
21. Carlos Viana (PSD-MG)
22. Vanderlan Cardoso (PSD-GO)
23. Chico Rodrigues (DEM-RR)
24. Zequinha Marinho (PSC-PA)
25. Eduardo Braga (MDB-AM)
26. Marcos Rogério (DEM-RO)
27. Carlos Fávaro (PSD-MT)
28. Mecias de Jesus (Republicanos-RR)
29. Luis do Carmo (MDB-GO)
30. Ciro Nogueira (PP-PI)
31.Roberto Rocha (PSDB-MA)
32 Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ)
33 Marcio Bittar (MDB-AC)
34 Rodrigo Cunha (PSDB-AL)

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