Não é Tendência, é Raiz: Um Nordeste que está redesenhando a Moda Brasileira
A moda brasileira, por muitos anos, teve sua vitrine concentrada em centros urbanos do Sul e Sudeste, o que acabou deixando de fora outras regiões. Hoje, o cenário começa a mudar, o Nordeste, com sua potência criativa, deixa de ser margem para ocupar o centro do mapa, ele sempre foi fonte, e agora, mais do que nunca, fonte de uma moda revolucionária.
O Observatório da Fundação Itaú Cultural e o IBGE revelam que, entre 2022 e 2024, a economia criativa nordestina cresceu mais de 35%, impulsionada por setores como moda, artesanato e design, gerando milhares de empregos, em sua maioria femininos e locais. Esses números confirmam que a moda nordestina é potência econômica, geradora de renda, desenvolvimento e transformação real.
Apesar de ser um celeiro de ancestralidade, onde cada fio, onde cada renda carrega e preserva memórias, o Nordeste honra suas raízes, mas também se reinventa, transformando o feito à mão em linguagem moderna e inovadora. Da renda de labirinto, que conta histórias, ao linho que veste passarelas; do jeans de Toritama à lingerie que movimenta os interiores: o Nordeste experimenta, transforma e redefine a moda brasileira.
Enquanto o mundo corre atrás da sustentabilidade, do slow fashion e do feito à mão, o Nordeste sempre soube fazer isso, não por tendência, mas por raiz. Ele não é só a renda branca do vestido de noiva, não é apenas o chapéu de palha das feiras ou o bordado das toalhas de vó, é tudo isso e muito mais, é uma identidade plural, e é esse pulsar que tem ajudado a moda brasileira a cruzar fronteiras. O reconhecimento da moda nordestina não fortalece apenas a região: ele reposiciona o Brasil no cenário internacional com autenticidade e valor cultural.
O que nasce no chão do sertão, nas periferias urbanas, nos quintais criativos e nas mãos que resistem, está ajudando o mundo a entender que o Brasil não é só tendência, é herança viva. E que moda com raiz também tem asas. O Nordeste nunca foi retrato estático. É território em movimento, que preserva e cria ao mesmo tempo. Sua moda tem muito mais a mostrar, muito mais a ensinar e a conquistar. O Nordeste não quer palco, ele já é o cenário. O Brasil e o mundo estão começando a perceber.
Thaty Rabello é diretora criativa