Controlar as gigantes da Internet

“Deixe-me ser claro: capitalismo sem competição não é capitalismo. É exploração.” 

“Em vez de competir pelos consumidores, eles estão consumindo seus concorrentes; em vez de competir por trabalhadores, eles estão encontrando maneiras de obter vantagem sobre o trabalho”. 

Não foi Karl Marx quem proferiu as palavras acima. Nem Fidel Castro. Ou Gregório Bezerra. 

De fato Mr. Joseph Robinette Biden Jr., o Joe Biden, dificilmente se poderia enquadrar como revolucionário. O presidente estadunidense se coloca, como seria de se esperar, totalmente a favor do seu país e do seu sistema econômico. 

No entanto, no princípio deste mês, o presidente dos EUA assinou ordem executiva (que não precisa de aprovação congressual) para controlar as gigantes da Internet, conhecidas como Big Techs. 

No discurso, ao anunciar as medidas, o mandatário anunciou um maior escrutínio das fusões pelas empresas líderes de tecnologia, "com atenção especial à aquisição de concorrentes nascentes, fusões em série, o acúmulo de dados, a competição por produtos 'gratuitos' e o efeito na privacidade do usuário". 

A Internet mostra como não há nada no capitalismo que leve inevitavelmente a uma maior competição. As pequenas e médias empresas que se lançaram ao novo mercado nos últimos 30 anos se foram reduzindo praticamente a duas, o conglomerado Google e o conglomerado Facebook. Junto com Apple, a Amazon e a Microsoft formam as chamadas “Gafam”, cujo poder se demonstrou mais uma vez quando algumas excluíram o ex-presidente Trump de postar em suas plataformas. Independentemente de se ter simpatia pelo ex-presidente dos EUA, é de se observar o poder que empresas privadas adquiriram, de determinar quem pode ou não falar para grande parte do público. Um poder que os Estados não possuem, devido às leis (justas e democráticas) anticensura. 

Tanto ou mais que pela excelência de seus serviços, essas empresas mantém o controle pela compra de concorrentes em ascensão, como enfatizou Biden, assim como por outras práticas anticompetitivas. 

E o poder que essas empresas adquiriram sobre o espaço público clama por que sejam controladas, no Brasil e no mundo, para um ciberespaço mais democrático. 

Paulo Avelino 
Administrador