Casas agonizantes

Escrito por
Gilson Barbosa producaodiario@svm.com.br
Jornalista
Legenda: Jornalista

Na esquina das ruas Antônio Pompeu e Barão de Aratanha, na área central de Fortaleza, uma velha casa sofre os efeitos do tempo. Sua pintura atual, de cor vermelha, está completamente gasta e as portas e janelas apresentam estragos consideráveis. O imóvel apresenta ainda, em seu frontispício, encimando sua fachada, o numeral 1926, indicando o ano de sua construção e conclusão, costume usual naquela época.

Desconhecendo-se a data exata de finalização da casa, certamente já completou ou completará, pois, até o final do ano, seu centenário. Entretanto, talvez devido a alguma divergência entre herdeiros dos seus antigos moradores, a antiga habitação vai agonizando lentamente. Sua decadência acontece à vista de todos. E é muito triste constatar que aquela velha moradia, como tantas outras no passado desta cidade, possa simplesmente desaparecer da paisagem urbana, diante da falta de respeito e de memória de Fortaleza para com as antigas habitações que ainda resistem à passagem do tempo.

É uma casa pequena, mas que, se pudesse falar, narraria certamente as histórias de quem nela morou, as relações familiares, as coisas boas que ali aconteceram… Casas guardam histórias de famílias inteiras, guardam lembranças, apresentam também as marcas do tempo que, inexorável, vai corroendo-as, caso não recebam os cuidados e a manutenção adequada.

Bem que a prefeitura de Fortaleza, na passagem do terceiro centenário da cidade, poderia pensar em alguma iniciativa que inspirasse as pessoas a conservarem suas velhas casas. Apesar de toda a destruição que já foi praticada contra os antigos imóveis desta metrópole, há ainda alguns que, a exemplo do imóvel ao qual me referi, mantêm-se de pé, mesmo a duras penas! Muitos deles, igualmente abandonados, totalmente entregues à ação dos fenômenos da natureza ou desprotegidos por completo, podendo ser até invadidos a qualquer tempo, ainda resistem pela cidade.

É sabido que a cultura da preservação dessas residências não é aqui praticada, mas seria de bom alvitre que alguém, entre os que participam da administração da capital cearense, pensasse num projeto que incentivasse as pessoas a manterem aqueles velhos imóveis de pé. Em muitos casos, com uma pequena reforma e/ou uma boa mão de tinta, um pequeno “banho de loja”, como se costuma dizer, as velhas casas reintegrar-se-iam à paisagem da cidade, conferindo-lhe ainda mais beleza, resguardando também o que resta de nossa antiga arquitetura. Deixo aqui a minha sugestão e o desejo de que algo de bom possa acontecer.

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