O papel silencioso da enfermagem que devolve a visão

Escrito por
Lisiane Paiva producaodiario@svm.com.br
Lisiane Paiva é enfermeira
Legenda: Lisiane Paiva é enfermeira

Existe um tipo de transformação que não faz barulho. Ela não viraliza, não ocupa manchetes diárias, não disputa atenção nos holofotes. Mas acontece, todos os dias, nas entrelinhas da vida e da morte. É o processo de devolver a visão. E, no centro dessa engrenagem delicada, está uma força de trabalho que opera com precisão técnica, conhecimento científico e sensibilidade humana, a enfermagem.

Por trás de cada transplante de córnea, existe uma história que começa muito antes da cirurgia. Começa no cuidado. No acolhimento. Na escuta. Começa, quase sempre, nas mãos desse profissional.

No Banco de Olhos do Ceará (BOC), esse protagonismo não é simbólico, é estrutural. Cerca de 95% da equipe é formada por profissionais de enfermagem. São eles que sustentam a operação, que garantem a viabilidade da doação, que traduzem protocolos em prática e, principalmente, que transformam dor em possibilidade.

Em um cenário onde o tempo é crítico e a emoção é latente, o enfermeiro atua como ponte. Entre a perda e a esperança. Entre a decisão difícil de uma família e a chance de uma nova vida para alguém que aguarda por um transplante. Não é apenas um trabalho técnico, é uma missão que exige inteligência emocional, ética e uma capacidade rara de lidar com o invisível, o momento exato em que o cuidado se transforma em legado.

É também uma função estratégica dentro do ecossistema da saúde. Enquanto muito se fala sobre inovação, tecnologia e avanços médicos, pouco se reconhece que a engrenagem só gira porque há pessoas que fazem sua vocação extraordinariamente bem. E a enfermagem faz isso com consistência.  

No mês dedicado a esses profissionais, com o Dia Internacional da Enfermagem, celebrado em 12 de maio, é preciso reposicionar o olhar. Não apenas como um gesto de reconhecimento, mas como um ajuste de narrativa. Enfermeiros também ganham destaque no processo de doação de córneas.

Eles estão na linha de frente da sensibilização das famílias, no cumprimento rigoroso dos protocolos, na logística que garante a qualidade do tecido e, acima de tudo, na humanização de um processo que poderia ser apenas técnico, mas que precisa, e deve, ser profundamente humano.

Falar sobre doação de córneas é, inevitavelmente, falar sobre vida após a perda. E nesse território delicado, onde cada decisão carrega peso e significado, a enfermagem atua como um farol silencioso. Guiando, orientando e sustentando.

Lisiane Paiva é enfermeira 

Ríssia Brandão é advogada
Ríssia Brandão
10 de Maio de 2026
Thiago Almeida é advogado
Thiago Almeida
10 de Maio de 2026
Renato Magalhães de Melo é promotor de Justiça
Renato Magalhães de Melo
08 de Maio de 2026
Alexandre Rolim
Alexandre Rolim
06 de Maio de 2026
Odmar Feitosa Filho é empresário
Odmar Feitosa Filho
05 de Maio de 2026
Weruska  Marrocos Aguiar Dantas da Silveira Pinheiro é advogada
Weruska Marrocos Aguiar Dantas da Silveira Pinheiro
05 de Maio de 2026