De início, assevero que não sou refratário, contrário às novas tecnologias. O progresso é processo irreversível e natural. Porém, há certas coisas que merecem uma análise mais cuidadosa. Uma dessas questões é essa verdadeira ditadura silenciosa: a do uso dos tais aplicativos nos nossos aparelhos celulares. Existem, hoje, aplicativos para tudo, desde a compra dos mais diversos produtos até o pagamento de serviços os mais variados ou, ainda, como já divulgou nossa Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC), para que os motoristas envolvidos em acidentes sem vítimas possam documentar os sinistros através de fotos no celular e – se os dois ou mais envolvidos tiverem educação e equilíbrio – resolverem a súbita pendência.
Mas, voltando ao assunto principal, escrevo em nome de um contingente considerável de pessoas que, em função do avanço da idade, de limitações por conta de sua escolaridade ou outras razões, têm dificuldade para usar os tais aplicativos. Hoje em dia, se você, leitor(a), tiver problemas com uma operadora de telefonia, mesmo que se dirija a uma loja física, o funcionário que o(a) atender dirá que o caminho disponível é… instalar o aplicativo! Pronto! Parece até uma mágica, como se a inclusão do aludido recurso vá resolver, instantaneamente, a pendência do(a) cliente. Porém, mesmo com sua instalação, não há garantia nenhuma de que solucionará a questão.
Durante o manuseio do aplicativo é comum surgirem frases, orientações que criam dúvidas na cabeça do(a) cliente, deixando-o(a) mais confuso(a) à medida que procura dar solução ao seu caso. E o pior é que tudo tem que ser resolvido por aquela via. É “pegar ou largar”, sem um “plano B” para a pessoa que muitas vezes não domina, simplesmente, por esta ou aquela limitação, a tal ferramenta. É uma coisa imposta para o(a) cliente, quando este(a) deveria dispor minimamente de uma alternativa, mesmo que “ultrapassada” pelos padrões atuais, para dar fluidez à sua demanda. É um absurdo e o(a) consumidor(a) vê-se muitas vezes ilhado(a) pela tecnologia, que o(a) coloca para escanteio e o(a) deixa com “as mãos abanando”, numa atitude de desprezo e desrespeito.
Creio que dever-se-ia pensar em oferecer uma opção a milhares de pessoas que, queira-se aceitar ou não, ainda hoje têm muitas dificuldades em manusear celulares, com suas redes sociais e aplicativos de toda ordem. Esse grande número de cidadãos(ãs) se vê alheado da realidade e está sujeito, inclusive, à ação de espertalhões, estelionatários que, supostamente no propósito de ajudar as vítimas, se aproveitam de seu desconhecimento, aplicando-lhes os golpes tão conhecidos. Que haja, pois, maior sensibilidade, é o que se pede, pelas mais do que justificadas razões.