Combustão e eletrificação em equilíbrio

Escrito por
Leonardo Dall’Olio producaodiario@svm.com.br
Leonardo Dall’Olio é administrador de empresas
Legenda: Leonardo Dall’Olio é administrador de empresas

Tenho acompanhado de perto o debate sobre o futuro da mobilidade, que ganha intensidade a cada ano e, muitas vezes, é apresentado como uma escolha entre extremos: de um lado, a eletrificação total; de outro, a permanência dos motores a combustão. A minha leitura, baseada na dinâmica do setor, é que o caminho mais consistente não está na substituição imediata, mas na convivência inteligente entre tecnologias.

Os veículos elétricos já demonstram avanços relevantes em eficiência energética e redução de emissões. Estimativas apontam níveis médios de cerca de 13g de CO₂ por quilômetro, enquanto veículos movidos exclusivamente a combustíveis fósseis podem chegar a aproximadamente 103g de CO₂ por quilômetro.

Ao mesmo tempo, observo uma evolução significativa dos motores a combustão. Tecnologias como downsizing, injeção direta e compressão variável têm contribuído para tornar esses propulsores mais eficientes e menos poluentes. Quando associados a biocombustíveis, como o etanol, passam a ter papel estratégico dentro de uma matriz energética mais diversificada e alinhada à realidade nacional.

Nesse contexto, os modelos plug-in híbridos representam uma alternativa intermediária relevante. Eles combinam autonomia elétrica para trajetos urbanos com a segurança do motor a combustão em longas distâncias, podendo rodar até cerca de 100 km apenas com energia elétrica em alguns casos. Isso permite ganhos significativos de eficiência em deslocamentos curtos. No entanto, estudos mostram que o desempenho ambiental depende diretamente do comportamento do usuário. Dados reais indicam que esses veículos podem emitir cerca de 19% menos CO₂ do que carros convencionais, mas esse número varia conforme a frequência de recarga e o uso efetivo do modo elétrico. 

Também entendo que o consumidor ocupa posição central nesse processo. A decisão de compra tem se tornado cada vez mais informada e passa a considerar fatores como custo total de propriedade, perfil de uso, infraestrutura disponível e impacto ambiental. Na prática, não existe uma solução única capaz de atender a todos os perfis de forma homogênea.

Para os próximos anos, projeto um cenário de coexistência entre tecnologias. A eletrificação tende a avançar, impulsionada por inovação e mudanças regulatórias, enquanto os motores a combustão, especialmente em configurações híbridas e associados a combustíveis renováveis, continuam a desempenhar papel relevante. 

Leonardo Dall’Olio é administrador de empresas

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