Ovo, frango e porco mais caros? Entenda como a guerra pode afetar o seu mercado
Conflito no Oriente Médio dispara custos de frete em 20% no Brasil e ameaça interromper o momento de preços baixos das proteínas básicas.
O alívio que o brasileiro vinha sentindo no açougue e na gôndola de ovos está sob ameaça. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) emitiu um alerta informando que a guerra entre Estados Unidos e Irã deve causar um repasse de custos para os preços finais de ovos, carne de frango e carne suína já nos próximos dias.
O problema central não é a falta de alimentos, mas o custo para produzi-los e transportá-los. O conflito fez o preço do petróleo subir, o que encareceu o óleo diesel e resultou em um aumento de até 20% nos fretes rodoviários.
Além disso, a instabilidade no Estreito de Ormuz, um canal marítimo estratégico no Oriente Médio, dificultou a logística de derivados de petróleo usados na fabricação de embalagens plásticas, que já registram alta de cerca de 30%.
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Essa pressão de alta ocorre justamente após um período de queda nos preços. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o valor dos ovos recuou 10,8% no acumulado de 12 meses, enquanto a carne de porco registrou queda de 1,62% e o frango cedeu 0,29%.
O setor vinha batendo recordes. Em 2025, a produção de ovos saltou para 62,2 bilhões de unidades, e o consumo médio do brasileiro atingiu a marca histórica de 287 unidades por pessoa. Agora, esse equilíbrio de mercado é ameaçado por fatores externos.
Especialistas alertam que o aumento dos combustíveis e os problemas logísticos no Oriente Médio não afetam apenas o prato do brasileiro. Produtos como medicamentos, eletrônicos e fertilizantes também estão na lista de itens que podem ficar mais caros devido à dependência de derivados de petróleo e da estabilidade do comércio global.