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Como usar a regra 50-30-20 para organizar o orçamento e poupar?

A estratégia não é recente no mercado financeiro, mas pode gerar dúvidas

Escrito por Milenna Murta* milenna.murta@svm.com.br
26 de Outubro de 2025 - 08:00
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Legenda: A tática requer a divisão da renda mensal em três categorias de gastos, sendo eles os necessários, os desejos e as metas.
Foto: Armmy Picca/Shutterstock.

A regra 50-30-20 é uma tática já conhecida no eixo financeiro para quem pensa em poupar e organizar o próprio orçamento. Ela busca dividir o destino da renda mensal para três eixos principais de mercado: as necessidades, os desejos e as metas.

Apesar de já estar no discurso dos profissionais financeiros há algumas décadas, a estratégia pode ser desconhecida para quem ainda está ingressando no universo das economias e poupanças financeiras. 

Qual porcentagem deve ser destinada para cada eixo? Qualquer um pode começar essa tática? Em qual das categorias cada gasto se encaixa? Quando o assunto é a própria renda, é necessário cuidado para que estratégias econômicas não se tornem más decisões financeiras.

O Diário do Nordeste conversou com o especialista em investimentos e colunista Alberto Pompeu para entender a tática. Confira, a seguir, o que é preciso saber para usar a regra 50-30-20 com responsabilidade para se organizar financeiramente e poupar dinheiro.

Divisão financeira

Ao receber a renda mensal, a regra estabelece que 50% do valor seja destinado às necessidades financeiras, ou seja, os gastos essenciais e as obrigatoriedades mensais.

Listar e classificar as despesas são passos fundamentais para iniciar a prática desse método de organização financeira.
Legenda: Listar e classificar as despesas são passos fundamentais para iniciar a prática desse método de organização financeira.
Foto: Fizkes/Shutterstock.

Outros 30% são reservados para os desejos, conforme a tática. É nesse eixo que estão inseridos questões de lazer e os gastos não essenciais, mas que têm o papel de entreter e trazem maior contentamento para o cotidiano.

Por fim, 20% devem ir para as metas financeiras. Esse é o valor que será mensamente investido no futuro de cada um que aplica essa regra, planejando uma maior estabilidade econômica ao longo do tempo.

O especialista em investimentos Alberto Pompeu explica que, para a tática funcionar, o primeiro passo é listar cada despesa existente e, depois, classificá-lo em uma das três categorias de gastos. É importante que a quantia destinada às metas seja vista de maneira séria, para que não haja a possibilidade de o valor ser gasto em outros eixos.

O segredo está em tratar o investimento como uma conta obrigatória. Assim que o dinheiro cair na conta, já se separam os 20%. Não se deve esperar sobrar, porque nunca sobra. A regra só funciona se for automática
Alberto Pompeu
Especialista em investimentos

Veja quais gastos se encaixam em cada categoria.

Necessidades

  • Despesas de moradia;
  • Contas mensais básicas, como água ou luz;
  • Saúde, como planos ou medicamentos;
  • Gastos alimentícios;
  • Transporte;

Desejos

  • Saídas para restaurantes;
  • Compra de novas roupas;
  • Assinaturas de streamings;
  • Viagens e lazer;

Metas

  • Investimentos;
  • Reserva de emergência;
  • Quitação de dívidas;
  • Poupança para a aposentadoria.

Erros e cuidados

Como qualquer tática, a regra 50-30-20 só funciona se feita da maneira correta e se houver atenção para evitar possíveis erros. Alberto destaca que o mais comum é não saber classificar cada gasto, resultando em confusões entre o que é essencial e o que é desejado.

Assinaturas mensais de streaming, mensalidades em academias de luxo e deliverys diários, conforme o profissional, são, algumas vezes, estabelecidos por quem passa a aplicar a tática como necessidades, ao invés de desejos.

Precauções

  • Classificar os gastos corretamente;
  • Calcular a relação entre renda mensal e gastos;
  • Ter o auxílio inicial de um educador financeiro;

Além disso, o mal uso do dinheiro destinado à reserva financeira também pode ser visto como um fator que leva ao erro. Conforme explica o especialista em investimentos, deixar os 20% voltados para as metas futuras parado, sem investir, pode levar à perda de seu valor ao decorrer do tempo, devido à inflação do mercado. 

Como cuidar das metas financeiras?

“Guardar é o primeiro passo, mas investir é o que realmente faz o dinheiro trabalhar por você”, esclarece Alberto. O recomendado pelo profissional é que esse dinheiro não fique apenas parado no banco, mas, sim, que seja investido.

Ele observa que, primeiro, deve-se investir em uma reserva de emergência, como o Tesouro Selic. Apenas depois, esse investimento deve ser feito em ativos que geram renda, como ações sólidas, Fundos de Investimento Imobiliário (FII) ou bons Certificados de Depósito Bancários (CDBs).

A regra 50/30/20 pode ser personalizada a depender da renda mensal de cada pessoa.
Legenda: A regra 50/30/20 pode ser personalizada a depender da renda mensal de cada pessoa.
Foto: Mind and I/Shutterstock.

Quem pode usar a regra?

A tática 50-30-20 pode ser aplicada em qualquer perfil financeiro, ou seja, independente de qual seja a renda. Entretanto, é preciso se atentar para a própria quantia e realizar alterações personalizadas a depender de salários baixos, altos ou endividamentos. 

Uma sugestão do especialista em investimentos é que as pessoas que possuem uma renda mensal menor e estão ingressando agora no universo das economias financeiras comecem com apenas 5% do valor destinado às metas. Com o passar do tempo, essa quantia pode ir progredindo, até que atinja uma boa margem de reserva. 

Controlar o dinheiro é o primeiro passo para conquistar liberdade. Mas é importante entender que ela [a regra] é um ponto de partida, não uma regra rígida. Cada pessoa deve adaptar as proporções conforme a própria realidade
Alberto Pompeu
Especialista em investimentos

Para casos de endividamento, a recomendação é um pouco diferente. O ideal é que uma maior parte da renda mensal seja destinada para o quitamento das dívidas, reduzindo a quantia de 30% que seria destinada aos desejos. 

Se já há uma maior estabilidade financeira, entretanto, também é possível ajustar as porcentagens da regra, investindo um valor maior na categoria das metas para “acelerar a conquista da liberdade financeira”.

Entretanto, Alberto enfatiza que, apesar da regra ser ótima para iniciar as organizações de renda, não deve ser o ponto final na jornada dos investimentos e poupanças financeiras. Táticas de planejamento mais personalizado, com um tempo, passam a ser mais recomendadas

Para ele, o "que realmente transforma a vida financeira das pessoas não é a fórmula, mas sim o comprometimento diário em investir melhor o próprio dinheiro”.

*Estagiária sob supervisão do jornalista Hugo Nascimento. 

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