Veja quais cidades do Ceará apresentaram os maiores aumentos dos casos de dengue, zika e chikungunya

O Ceará registrou um aumento de 34,5% nos casos confirmados de dengue entre janeiro e setembro deste ano, em comparação com igual período de 2020

Focos do Aedes aegypti
Legenda: Os focos do Aedes aegypti predominaram nos depósitos localizados ao nível do solo (barril, poço, tambor e tanque), seguidos pelos depósitos móveis
Foto: Fabiane de Paula

O Ceará acumula mais casos confirmados de Dengue de janeiro a setembro deste ano que em igual período de 2020, com um aumento de 34,5%. São 27.988 casos confirmados somente neste ano, ante 20.796 do ano anterior (até 27 de setembro).

A variação para mais ocorreu em três das cinco superintendências regionais de Saúde: Fortaleza, Litoral Leste e Norte; nas superintendências de Cariri e Sertão Central houve redução.

De acordo com o Boletim Epidemiológico da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), os casos confirmados de dengue ocorreram com predominância nas faixas etárias de 20 a 49 anos, com 55,7% dos casos, e no sexo feminino, com 56,7% dos casos.

“Os focos do Aedes aegypti predominaram nos depósitos localizados ao nível do solo (barril, poço, tambor e tanque), com 62,68%, seguidos pelos depósitos móveis (vasos/frascos, pratos, pingadeiras, bebedouros, baldes), com 12,41%”, aponta o boletim.

Alerta de gravidade

A vigilância epidemiológica identificou a reintrodução do sorotipo DENV2, que oferece maior risco de ocorrência de casos graves. Foram confirmados 528 casos de Dengue com Sinais de Alarme. Houve confirmação de 25 casos de Dengue Grave; destes, dez foram a óbito, sendo cinco do sexo masculino e cinco do sexo feminino, com idades entre 10 e 91 anos.

Os óbitos confirmados ocorreram nos municípios de Fortaleza (3), Iracema (1), Maracanaú (1), Porteiras (1), Sobral (2) e Viçosa do Ceará (2).

Acúmulo de água
Legenda: A vigilância epidemiológica identificou a reintrodução do sorotipo DENV2, que oferece maior risco de ocorrência de casos graves
Foto: Fabiane de Paula

A ocorrência de dengue grave se dá em 26 municípios: Acarape, Alcântaras, Aquiraz, Beberibe, Bela Cruz, Cariré, Eusébio, Fortim, Guaraciaba do Norte, Iracema, Itaitinga, Itapagé, Jaguaretama, Jaguaruana, Madalena, Maracanaú, Morada Nova, Pacajus, Pacatuba, Paracuru, Pedra Branca, Quixeré, Redenção, Russas, Santa Quitéria e Uruburetama.

As cidades com mais registros de casos de dengue, em números absolutos, foram Fortaleza, Russas, Maranguape, Sobral, Morada Nova, Viçosa do Ceará, Caucaia, Quixeré, Maracanaú e Beberibe.

E estão no Vale do Jaguaribe os municípios com maiores incidências de arboviroses por 100 mil habitantes, com destaque para Quixeré, com 6,6 mil casos por 100 mil habitantes (a média do Estado é de 724 por 100 mil), seguido de, Iracema, Russas e Palhano. Uma medida encontrada por esses municípios é a criação de mutirões de limpeza para combater o mosquito causador de dengue.

Zika e chikungunya

Foram notificados 4.231 casos suspeitos de chikungunya em 71,7% (132/184) dos municípios do Estado, com 16,5% (698/4.231) confirmados. Foram notificados 1.474 casos suspeitos de Zika em 38% (70/184) dos municípios do Estado. Do total de casos notificados, 10,7% (158/1.474) foram confirmados, sendo nove casos em gestantes, sem registro de óbitos.

O epidemiologista Renato Sampaio, que pesquisa arboviroses há 15 anos no Ceará, acredita que o aumento de casos esteja relacionado a um conjunto de fatores, em que pese o possível relaxamento dos municípios nas campanhas de combate ao Aedes aegypti ou mesmo uma subnotificação em 2020, quando a primeira e segunda ondas de Covid criaram uma “barreira” para algumas pessoas procurarem unidades de atendimento para outras doenças.

Lama em rua de Fortaleza
Legenda: Fortaleza é a cidade com mais registros de casos de dengue, em números absolutos, no Estado
Foto: Natinho Rodrigues

Independentemente disso, o que temos é uma situação que precisa de um forte empenho de todos os municípios para combater os focos do mosquito, essa é a principal e melhor saída”
Renato Sampaio
Epidemiologista

Por meio de sua assessoria, a Sesa informa que o retorno das atividades dos agentes de endemias “seguirá as normas sanitárias contra a Covid-19 exigidas em decreto estadual.

Para realização das visitas domiciliares, além das indicações específicas sobre o uso de equipamento de proteção individual (EPI), os agentes deverão estar imunizados há pelo menos 14 dias e fazer uso de máscara facial”.

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