Variantes e baixa cobertura vacinal explicam tendência de aumento de SRAG no CE, diz epidemiologista

Estado apresenta "sinal forte" de tendência de crescimento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave, aponta Fiocruz

Legenda: Desrespeito às medidas de prevenção contra a Covid-19 elevam casos de SRAG
Foto: Camila Lima

A existência de novas variantes e o ritmo lento de vacinação, somados ao ainda tímido sequenciamento genético do novo coronavírus, podem justificar a tendência de aumento no número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Ceará. Essa é a avaliação da epidemiologista, virologista e professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), Caroline Gurgel. 

Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado na quarta-feira (4), alerta para um "sinal forte" de crescimento de casos de SRAG no Estado, na tendência de curto prazo, ou seja, em relação às últimas três semanas. Porém, com sinal de estabilidade na tendência de longo prazo, nesse caso, considerando as últimas seis semanas, até a semana epidemiológica 30 (25 a 31 de julho).  

Embora a SRAG possa ser causada por diferentes vírus respiratórios, 98% dos casos ocorridos no País, este ano, foram por Covid-19. 

Há uma inserção agora da [variante] Delta, e a gente está com a cobertura vacinal com as duas doses de apenas 19% no Estado. Então, se a gente for pensar o tanto de população vulnerável [ao vírus] ainda é muito grande. E a velocidade para fazer sequenciamento genético no Brasil não é das melhores; fica a desejar a vigilância epidemiológica molecular viral”
Caroline Gurgel
Epidemiologista, virologista e professora da UFC

A especialista cita a variante Delta como potencial agravante do cenário pandêmico no Ceará e no Brasil, mas lembra que a retomada das atividades econômicas e o desrespeito às medidas sanitárias básicas de prevenção à Covid-19 podem contribuir para o surgimento de outras novas cepas. 

“Então, temos toda a receita pra poder explodir aí qualquer variante e manter o coronavírus alto porque aqui os níveis [de transmissão] são muito altos né?”, diz, reafirmando a chegada de uma terceira onda pandêmica. “Não é mais uma probabilidade, é uma realidade, é só aguardar”.  

Alerta nas macrorregiões de Fortaleza, Sobral e Cariri  

Conforme o boletim InfoGripe, os indicadores de transmissão comunitária apontam que todos os estados brasileiros apresentam, pelo menos, uma macrorregião de saúde com nível de transmissão alto ou superior, exceto Roraima. O Ceará, inclusive, aparece entre as 13 unidades da Federação a ter, pelo menos, uma macrorregião de saúde com sinal de crescimento de casos no curto ou longo prazo.  

O Estado soma três macrorregiões em estados de alerta. São elas: a Macrorregião de Fortaleza, com sinal moderado de crescimento nas tendências de longo e curto prazo; e as macrorregiões de Sobral e do Cariri, respectivamente, com sinais moderado e forte de crescimento na tendência de curto prazo. 

Fortaleza também surge entre as seis capitais brasileiras com sinal de crescimento na tendência de longo prazo, até a semana 30. Junto à capital cearense, estão Belém (PA), Campo Grande (MS), Porto Alegre (RS), Porto Velho (RO), e Rio Branco (AC).

Mediante o panorama traçado da SRAG no Brasil, os pesquisadores da Fiocruz defendem que, caso não sejam adotadas medidas de mitigação, esse quadro manterá o número de hospitalizações e óbitos em patamares elevados, com risco de agravamento nas próximas semanas. Por isso, destaca a necessidade de manutenção de medidas de controle de transmissão. 

Coronavírus deve se manter em circulação 

Caroline Gurgel estima que a circulação do coronavírus vai perdurar, com predominância no primeiro semestre de cada ano, tal como outros agentes etiológicos que provocam gripes, como o influenzavírus, adenovírus, e o vírus sincicial respiratório (VSR). Por outro lado, pondera como necessários pelo menos quatro anos, em média, para definir o período sazonal do Sars-CoV-2. 

“Eu acredito que ele [Sars-CoV-2] vá acompanhar o influenza e o vírus sincicial respiratório [VSR]. Vai ser natural que a gente vá ser abatido, digamos assim, por casos de Síndrome Respiratória Grave, já que ele mostrou ter essa potência em pacientes que têm alguma comorbidade. E, além disso, ainda tem outros fatores genéticos, né?”.

 

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