Síndrome inflamatória pediátrica associada ao coronavírus soma 68 casos no Ceará

Segundo o Ministério da Saúde, a doença contabiliza 813 notificações no País, com 6,3% de letalidade

Escrito por Redação, metro@svm.com.br

Metro
Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P)
Legenda: Crianças menores de um ano registram 10 ocorrências da SIM-P
Foto: Shutterstock

Associada a casos da Covid-19, a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) contabiliza 68 notificações no Estado entre crianças a partir de um mês a 16 anos de idade. As informações são da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) e compreendem o período de 26 de julho de 2020 a 21 de abril de 2021. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, 813 ocorrências já foram registradas até o dia 13 de março deste ano - correspondente à Semana Epidemiológica 10/2021.

O percentual de contaminação fica em 50% para o gênero feminino e 50% para o masculino. As faixas etárias mais acometidas são crianças de 10 a 16 anos, com 22 casos (32,3%); 5 a 9 anos e 1 a 4 anos, com 18 casos cada (26,5%); seguidas de crianças menores de um ano, com 10 ocorrências (14,7%).

De acordo com Michelle Pinheiro, médica infectologista pediátrica do Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), o predomínio de atendimentos na unidade hospitalar foi, de fato, entre a faixa etária de 10 a 16 anos. “Talvez seja uma faixa um pouquinho mais complicada porque pega os adolescentes. É difícil você levar eles ao posto de saúde ou a consultas de emergência, mas fica o alerta para os pais que levem as crianças logo para serem avaliadas”.

O maior número de casos da doença no Ceará foi registrado no Hospital Infantil Albert Sabin, contabilizando 42 pacientes dos 68. Segundo a Sesa, “a vigilância epidemiológica vem estimulando a divulgação e fortalecendo as equipes regionais e municipais para a identificação desses casos, com realização de webconferências”.

Em relação ao total de casos de Covid-19 nessa faixa etária, a proporção de ocorrência da SIM-P é muito pequena. O IntegraSUS fornece dados dos seguintes intervalos de faixas etárias: 0 a 4 anos; 5 a 9 anos; 10 a 14 anos e 15 a 19 anos. Considerando-se apenas a soma de registros entre 0 e 14 anos (38.192 casos), a síndrome atingiria apenas 0,18% do total. Se fosse possível acrescentar o recorte de 15 a 16 anos, a proporção provavelmente seria ainda menor.

O que é a SIM-P

De acordo com o médico infectologista pediátrico Robério Leite, a SIM-P é uma condição clínica nova que foi observada, durante a pandemia, inicialmente no Reino Unido. “É uma doença, provavelmente, reativa à infecção pela Sars-Cov-2, onde a criança desenvolve sinais inflamatórios que acometem vários órgãos e aparelhos do corpo, com predominância cardiovascular”, afirma.

A infecção da Covid-19 determina, como se fosse um gatilho, para as crianças predispostas desenvolverem um quadro de SIM-P descontrolado de quatro a seis semanas após a contaminação com a Sars-Cov-2”
Robério Leite
Médico infectologista pediátrico

Robério Leite explica ainda que a SIM-P se assemelha muito com outras doenças pediátricas já conhecidas, como a doença de Kawasaki e também com a Síndrome do Choque Tóxico.

Sintomas

O Ministério da Saúde (MS) afirma que a criança pode apresentar, comumente, febre alta e persistente, dores de cabeça, náuseas, vômitos, dores abdominais, manchas vermelhas pela pele, disfunções cardíacas, hipotensão arterial e choque. “Os sintomas são variados e podem aparecer de forma simultânea ou no decorrer da evolução clínica”, conforme diz o Boletim Epidemiológico nº 12 da Secretaria de Vigilância em Saúde.

Além disso, segundo o Boletim, de 1º de abril de 2020 a 13 de março de 2021, 61% dos pacientes acometidos com a doença necessitaram de internação em unidade de terapia intensiva (UTI) no Brasil. O estado que mais contabilizou casos de SIM-P foi São Paulo, com 139 ocorrências; seguido de Minas Gerais (78), Bahia (65), Pará (65) e Ceará (64), conforme a mais recente atualização nacional do ministério, na qual falta o acréscimo de mais quatro casos no Estado.

“A criança chega num estado em que tem que haver uma intervenção médica para que ela não evolua a óbito, porque é uma inflamação de vários órgãos, então é necessário uma ação rápida para a gente poder reverter esses quadros”, explica a infectologista Michelle Pinheiro.

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