Procura por abrigo de pessoas trans aumenta na pandemia, mas busca por Centro de Referência dimunui

Cerca de sete pessoas entraram em contato com a Casa Transformar no último mês

Centro de Referência LGBT Janaína Dutra
Legenda: Centro de Referência LGBT Janaína Dutra
Foto: Fabiane de Paula

Com o cenário da pandemia de Covid-19 em todo o Estado do Ceará, diversos atendimentos tem sido reconfigurados nesse processo. Mesmo assim, no caso de pessoas LGBTQI+, por exemplo, a necessidade de busca por auxílio tem se mantido. Na Casa Transformar, ONG de Fortaleza que presta apoio com foco em travestis e transexuais, a procura nesse período teve aumento no mês de junho, quando sete pessoas fizeram contato.

Segundo a fundadora da ONG, Lara Nicole, também conhecida como Nikki Hot, a média antes da pandemia era de quatro pessoas que procuravam as instalações da casa. “A gente tem tentado ajudar da forma que podemos, até porque a maioria do nossos trabalhos são realizados aqui dentro da casa e foram paralisados pela pandemia. Quando a gente não consegue resolver, indicamos o Centro de Referência LGBT Janaína Dutra”, explica. Na Transformar, atualmente oito pessoas estão sendo amparadas. 

Mesmo assim, em meio às precauções devidas tomadas por conta da doença, os processos de admissão são um pouco diferentes. "A pessoa chega na casa e a gente evita que haja esse primeiro contato com os moradores que estão aqui. Recomendamos que essa pessoa tome banho para usar as instalações, faça higienização”, diz. 

Outra mudança neste período foram as atividades programadas ao público atendido pelo espaço. “Nós íamos receber agora cursos de manicure, de cabeleireiro e até de inglês, que inclusive já tínhamos fechado antes de tudo isso. Por enquanto, conduzimos essas atividades aqui com o pessoal que já está dentro mesmo”. Os próximos passos, ela também conta, já estão sendo planejados e as oficinas devem ser retomadas quando o momento for seguro. 

Outras demandas

Também com auxílio à população LGBT, o Centro de Referência LGBT Janaína Dutra continua fornecendo consultoria jurídica, psicológica e outras orientações aos casos de discriminação por orientação sexual ou por identidade de gênero, por exemplo. Agora, conta Tel Cândido, coordenador do local, o objetivo tem sido realizar as atividades por meios virtuais, o que pode resultar na diminuição dos atendimentos.

De acordo com ele, o acesso à internet não é igual para todos e, exatamente por isso, pode refletir na procura ao centro, já que as aglomerações são proibidas e contatos presenciais não são recomendados. Desde o início da pandemia, ele explica, apenas 20 casos foram demandados ao Janaína Dutra. 

"A gente já vem observando como as tecnologias têm sido fundamentais para interação social. Com isso, vemos um aumento do processo da violência praticada por meio das redes sociais. Em 2018, por exemplo, elas já estavam entre as denúncias que recebíamos por aqui", aponta como outro fator para a diminuição.

Ainda assim, o apoio continua sendo prestado de forma integral. Casos como violência doméstica e discriminação no atendimento de saúde foram registrados nesse período. "Estamos trabalhando no sentido de orientá-las a buscar os seus direitos e pedindo que elas façam o boletim de ocorrência eletrônica para que a polícia possa investigar esses crimes", finaliza ao também lembrar da análise dos perfis e da possibilidade de auxílios jurídicos e psicológicos. 

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