Mortes por síndrome gripal grave no Ceará registram aumento de quase três vezes em janeiro

Monitoramento de quadros gripais é importante para evitar complicações da condição de saúde.

Escrito por Nícolas Paulino, nicolas.paulino@svm.com.br

Metro
Legenda: Pacientes em condições graves normalmente precisam de suporte respiratório.
Foto: Camila Lima

Em duas semanas, janeiro de 2022 já acumula 78 mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), de acordo com o Portal da Transparência da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen). O  aumento é de 168%, ou seja, quase três vezes o contabilizado em todo o mês de janeiro de 2021, que teve 29 registros.

Os dados são separados dos registros de óbitos por Covid-19, mas não especificam qual vírus causou a síndrome respiratória e nem excluem o coronavírus como causa. Eles são agregados na plataforma com base em informações das Declarações de Óbito (DO) registradas nos cartórios do Brasil.

Além disso, os números de janeiro são maiores que de todos os meses do segundo semestre de 2021. Desde outubro, a Arpen mostra que o Ceará enfrenta um aumento consecutivo de mortes por SRAG.

A SRAG é uma condição grave, que pode evoluir rapidamente para complicações respiratórias e para óbito. Normalmente, os pacientes precisam de suporte para facilitar a entrada de mais oxigênio nos pulmões.

A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) alerta para determinados grupos com condições e fatores de risco para agravamento:

  • idosos
  • crianças menores de cinco anos
  • gestantes
  • doentes crônicos

O último boletim epidemiológico da Sesa de 2021 revela que, dos mais de 51 mil casos de SRAG investigados no Estado, 77,7% foram causadas por Covid-19; 21,8% por agentes não especificados; 260 por outros vírus respiratórios e 15 por influenza.

O Painel Viral da Secretaria também mostra uma predominância do vírus influenza A, sobretudo do subtipo H3N2, na circulação do Estado: 53% dos 2,6 mil pacientes analisados estavam com o agente.

Sintomas da SRAG

A SRAG é uma evolução das síndromes gripais (SG), responsáveis pela alta demanda nas redes de atendimento pública e privada do Ceará, desde o fim de dezembro. Saiba diferenciar as duas condições:

  • Síndrome Gripal (SG) - indivíduo com quadro respiratório agudo, caracterizado por, pelo menos, dois dos sinais e sintomas: febre, calafrios, dor de garganta, dor de cabeça, tosse, coriza, distúrbios olfativos ou gustativos.
  • Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) - indivíduo com SG que apresente, ainda: dispneia/desconforto respiratório OU pressão ou dor persistente no tórax OU saturação de oxigênio menor que 95% em ar ambiente OU coloração azulada dos lábios ou rosto.

Formas de prevenção

Como os sintomas de síndromes gripais causadas por Covid-19 ou influenza são parecidos, a Sesa recomenda que o paciente procure fazer um teste, com maior brevidade possível, para descartar o diagnóstico de infecção pelo coronavírus. Desta forma, os profissionais podem orientar melhor como tratar a condição.

Já as medidas preventivas mais indicadas são as mesmas recomendadas desde o início da pandemia:

  • lavar as mãos, punhos, unhas e espaços entre os dedos com água e sabão com frequência
  • evitar levar a mão ao rosto
  • utilizar máscaras descartáveis ou PFF2
  • manter os ambientes ventilados
  • evitar aglomerações

Se o paciente estiver com sintomas de gripe, o ideal é evitar cumprimentar as pessoas com abraços, beijos ou apertos de mãos; e, ainda, contato próximo com pessoas que apresentem sinais e sintomas gripais.

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