Manifestantes ocupam IFCE após confronto com a Polícia

Durante a manifestação, os estudantes reivindicavam o passe livre e protestavam contra a Copa do Mundo

A manifestação de estudantes, que reivindicavam passe livre e protestavam contra a Copa do Mundo, terminou em confronto com a Polícia Militar, na tarde de ontem. Após jogarem pedras e rojões e a PM revidar com balas de borracha e bombas de efeito moral, os manifestantes fecharam a Avenida 13 de Maio, no cruzamento com Av. Dos Expedicionários, e invadiram a sede do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE).

O protesto teve início por volta das 15h, em frente ao IFCE, no bairro Benfica. Os estudantes, a grande maioria com o rosto coberto, saíram da Av. 13 de Maio e seguiram até a Av. Dos Expedicionários com o objetivo de seguir até a sede da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor). Porém, no cruzamento com a Rua Ambrósio Machado o choque a PM começou.

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Enquanto a Polícia utilizava balas de borracha e todo seu aparato, os manifestantes lançavam pedras e garrafas. Depois de alguns minutos, os estudantes acabaram se dispersando pelas ruas paralelas. Alguns deles foram até a Avenida Gomes de Matos, esquina com a Rua Andre Chaves, e colocaram fogo em vários pneus para dificultar a passagem dos policiais. No entanto, mais uma vez eles foram dispersados após a chegada dos PMs.

Com medo do conflito, os comerciantes da Avenida dos Expedicionários e adjacências fecharam as suas portas mais cedo. "A gente nem sabe direito o que está acontecendo, mas quando ouvimos bombas explodindo, fechamos", disse Alfredo Silva.

Invasão

Como não conseguiram chegar até a Etufor, os protestantes decidiram voltar para a sede do IFCE. No local, ocuparam o sentido Sertão/Praia e atearam fogo em pneus e lixo. Foi às 17h que o Batalhão de Choque (BPChoque) chegou e logo começou um novo confronto.

Devido ao avanço do Batalhão, os estudantes não viram outra opção a não ser entrar no Instituto Federal. Em seguida, eles arremessaram pedras e rojões em direção aos policiais, que responderam com bombas de efeito moral.

Por volta das 18h40, os policiais liberaram parte da via, mas alguns estudantes que estavam do lado de fora do IFCE realizaram uma barreira humana e também usaram pedaços de madeira como escudo. O BPChoque avançou contra os manifestantes e fez o percurso até a Av. Da Universidade, onde os estudantes acabaram se dispersando.

De acordo com o diretor do IFCE, Gilmar Ribeiro, cerca de dois mil alunos estavam no instituto no momento da confusão. As aulas da noite foram canceladas e a Polícia Federal (PF) foi chamada para ajudar.

O major PM Alexandre informou que a operação terminou com um adolescente apreendido e encaminhado à DCA. Com o jovem foi encontrado uma espécie de estilingue e querosene. Segundo o oficial, houve depredação de patrimônio público e invasão de comércios.

Bloqueio da via deixa trânsito caótico

Durante as três horas de bloqueio da Avenida 13 de maio, entre a Avenida dos Expedicionários e a Rua Marechal Deodoro, o trânsito na área ficou caótico. Até mesmo para andar a pé era difícil, pois estava quase impossível atravessar as vias.

Como os manifestantes e o Batalhão de Choque (BPChoque) estavam em confronto de frente ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), os motoristas, que vinham no sentido Praia/Sertão, eram obrigados a desviar pela Rua Barão do Rio Branco. No outro sentido o desvio era feito pela Marechal Deodoro.

Dessa forma, aqueles condutores que trafegavam pela Rua Senador Pompeu e iriam seguir para a Av. Dos Expedicionários não precisavam parar quando o semáforo fechasse. Por conta disso, o grande número de pessoas que passavam por aquelas vias tinha grande dificuldade para atravessar a rua, já que o fluxo de carros e motos era intenso.

Por volta das 18h40, os policiais liberaram a 13 de Maio, no sentido Praia/Sertão, mas alguns estudantes que estavam do lado de fora do IFCE realizaram uma barreira humana Os ônibus e automóveis que já tentavam passar pela via foram impedidos de continuar o percurso e voltaram. A situação causou um grande engarrafamento.

A condição piorou devido à falta de um agente de trânsito da Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e de Cidadania (AMC) naquele cruzamento. Os próprios Policiais Militares e até mesmo fiscais do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus) tentavam controlar o tráfego e também ajudar os pedestres a atravessar a via.

O trânsito voltou a fluir normalmente, na Avenida e nas vias adjacentes, somente depois do fim das manifestações, por volta das 20h. Mesmo assim, o grande número de pedras na 13 de maio com Av. Dos Expedicionários dificultavam a travessia.

Para a dona de casa Lurdes Conceição de Almeida, é importante que a população se manifeste, mas sem violência. "Essa confusão toda não vai levar ninguém a nada", disse.

O comerciante Carlos Antonio Alves acredita que a população foi a que mais saiu prejudicada com tudo isso. "Início de noite e todo mundo saindo do trabalho ou faculdade, mas não consegue chegar em casa porque a Av. 13 de maio está interditada", reclamou Alves.