Kombi do Bem leva solidariedade e empatia a famílias carentes

O projeto teve início com um grupo de jovens e hoje chega a entregar semanalmente 450 quentinhas a famílias carentes

Legenda: A Kombi do Bem já visitou diversas localidades com doações
Foto: Acervo pessoal

É possível ser solidário mesmo com o cenário atual? Praticar a empatia em meio à pandemia do novo coronavírus tem se tornado uma atividade essencial a muitos voluntários e instituições. Apesar do difícil cenário de distanciamento e isolamento social, o que se vê são pessoas, e até organizações, que dedicam seu tempo para ajudar outras pessoas, principalmente os mais necessitados, a passarem, mais facilmente, por dificuldades como fome e a falta de qualquer tipo de ajuda.

O educador social Rubens Ubiratan é uma das pessoas que sempre procurou praticar a solidariedade e empatia, até mesmo antes da pandemia. Com um carro lotado de doações, Rubens ajuda a aliviar o sofrimento de famílias que estão passando por dificuldades na pandemia. Na “Kombi do Bem”, como ele batizou o veículo, Rubens transporta desde alimentos e roupas até cadeiras de rodas. Mas a vontade de ajudar e praticar empatia não veio exatamente com a pandemia. 

“Essa questão de ajudar as pessoas começou em 1994, no grupo de jovens da Paróquia Cristo Rei, em Fortaleza. A ideia era arrecadar alguns mantimentos e levá-los a um leprosário, no distrito de Antônio Diogo, em Redenção. O projeto era bem simples. Era muito legal viver tudo isso”, disse Rubens.

Com o passar do tempo e com a notícia de que o projeto estava dando certo, Rubens explica que os amigos mais próximos começaram a tomar conhecimento da ação e enviar mais doações.

“Quando eu fui a primeira vez ao leprosário decidi que iria, pelo menos, uma vez ao mês para, ao menos dar um abraço, conversar com os acolhidos da colônia. Só que o projeto foi crescendo sem esperarmos muito. No começo, eu recolhia as doações numa bicicleta. Eu carregava de tudo: fraldas descartáveis, medicamentos e alimentos. Mas o dia em que eu recebi uma ligação para recolher a doação de uma cadeira de rodas, ficou inviável. Tempos depois consegui adquirir um carro pequeno para arrecadar mais mantimentos. Mesmo assim não consegui dar conta de tudo. Foi quando uma pessoa próxima chegou a mim e mostrou a chave de um carro maior. Fiquei surpreso e perguntei o que significava aquilo. Naquele momento surgia a Kombi do Bem”, explica Rubens.

Aumento da empatia na pandemia

Com a chegada da pandemia, Rubens explica que as doações dobraram de volume. Foi preciso conseguir mais alimento para dar conta dos mais necessitados.

Legenda: Rubens Ubiratan, fundador da iniciativa
Foto: Acervo pessoal

“Hoje, nós chegamos a produzir 150 quentinhas por dia, três vezes por semana. Eu tenho a ajuda da minha esposa e das minhas duas filhas. Elas organizam um bazar para arrecadar fundos. Dessa forma, a gente consegue arrecadar produtos usados, mas de boa qualidade. Com o dinheiro das vendas do bazar conseguimos comprar o que porventura venha a faltar, como comida ou até mesmo uma cadeira de rodas, se for o caso”, explica Rubens.

Gratidão

O feedback positivo vindo de quem recebe as doações leva Rubens a viver experiências que ele mesmo atribui como únicas. O educador social explica que tem recebido as mais diversas reações de felicidade das famílias.

“Certa vez recebi uma ligação de uma doadora na Argentina que descobriu que uma família em Aquiraz precisava de comida. Quando eu cheguei para entregar os alimentos encontrei uma família inteira que passava fome e estava precisando comer naquele dia. Saí de lá muito feliz por ter ajudado mais pessoas”, disse Rubens.

As surpresas de praticar empatia

Rubens conta que certa vez recebeu a ligação de uma jovem que pedia ajuda aos avós, que moravam em Eusébio, região metropolitana de Fortaleza. Sem tempo para atender à demanda, não foi possível dar a atenção. Naquele mesmo dia recebeu uma outra ligação de alguém que gostaria de doar um fogão para uma família qualquer. Horas depois, Rubens recebeu novamente a ligação da jovem querendo saber se ele iria poder ajudar seus avós. Mais uma vez, Rubens disse que não poderia naquele momento. 

“Quando acordei, no domingo pela manhã, fiquei pensativo e decidi procurar pelo endereço que aquela jovem me passou. Quando estava procurando pela casa que ela indicou escutei gritos de uma pessoa pedindo ajuda, pois a casa está pegando fogo por conta de um fogão que havia dado problema. Depois de ajudar a controlar o fogo, lembrei de que havia recebido uma ligação de uma pessoa doando um fogão. Busquei o fogão em Fortaleza e levei de volta àquela família, em Eusébio, ajudei a montar o botijão e tudo. No final, depois de tudo calmo, comecei a conversar com aquela família. Para minha surpresa, eram exatamente os avós da jovem que me pediram ajuda. Eu achava que não iria encontrar mais aquele endereço. Isso nos emocionou bastante. Tem coisas que só a empatia na pandemia é capaz de proporcionar”, comenta Rubens.

Doações

Kombi do Bem
Rubens Ubiratan - (85) 9.8868.2019 (Whatsapp)
Instagram: @kombidobemm

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