Inquérito sorológico: Com microssurtos de Covid-19, Fortaleza realiza amanhã testes em 112 bairros

A partir de amanhã, 3.300 novos testes para a detecção da Covid-19 serão realizados em domicílio

Legenda: Pesquisadores percorrerão 112 bairros da Capital realizando exames e entrevistando a população
Foto: José Leomar

Com 55.917 casos confirmados e a evidência da existência de microssurtos da Covid-19, Fortaleza inicia, amanhã(03/11), a quarta fase da pesquisa de soroprevalência. O objetivo é realizar testagem para detecção da doença causada pelo novo coronavírus em domicílio e ampliar o controle epidemiológico no município.De acordo com a Prefeitura de Fortaleza, serão realizados 3.300 exames do tipo RT-PCR e coleta de sangue em moradores do município.  Todas as amostras coletadas serão analisadas pelo centro de testagem da Fiocruz no Eusébio.

Cerca de 250 pessoas, entre profissionais da saúde e de apoio atuarão na abordagem aos moradores de 112 bairros da Capital. A seleção dos participantes do levantamento será por sorteio entre os moradores das residências. No caso dos menores de idade e dos incapazes, os testes acontecerão mediante autorização dos pais ou do responsável.

A capital cearense já passou por três outras fases desse inquérito sorológico. A primeira ocorreu em junho; a segunda em julho e a terceira em setembro. A última fase foi focada em estudantes matriculados na rede pública e privada da Capital. No primeiro achado, com a mesma amostra, 14,2% dos participantes testaram positivo para anticorpos. À época, o estudo estimou que mais de 370 mil fortalezenses desenvolveram defesa contra a Covid-19. 

O secretário da Saúde do Estado do Ceará, Carlos Roberto Martins, o Dr. Cabeto, anunciou há 15 dias que, além de Fortaleza, outros cinco municípios (Iguatu, Crateús, Icó, Sobral e Juazeiro do Norte) deveriam iniciar um novo inquérito sorológico para que o resultado ajude o Governo a traçar novas ações de combate e controle da doença.   

Alta nos casos

 De acordo com dados das Semanas Epidemiológicas 42 (11 a 17 de outubro) e 43 (18 ao último dia 24),Sete Áreas Descentralizadas de Saúde do Ceará (ADS) apresentaram alta significativa de Covid-19.   A ADS de Fortaleza - que reúne os municípios de Aquiraz, Eusébio e Itaitinga, além da Capital- anotou o acréscimo de 21,6%. O mesmo percentual que o registrado na ADS de Maracanaú (Acarape, Barreira, Guaiuba, Maracanaú, Maranguape, Pacatuba, Palmácia e Redenção), no mesmo período.

O maior salto ocorreu na ADS de Camocim, que reúne cinco municípios, como Barroquinha e Granja, onde os casos passaram de 11 para 21, isto é, um acréscimo de 90,9%. A ADS de Itapipoca (Amontada, Itapipoca, Miraíma, Trairi, Tururu, Umirim e Uruburetama) teve 70,5% de alta após o número aumentar de 17 para 29. Na sequência, a ADS de Baturité, onde estão Guaramiranga, Mulungu e outros seis municípios, contabilizou elevação de 23,5%. Em Cascavel, com sete cidades, os infectados saíram de 104 para 127, um aumento de 22,1%.

Na ADS de Tauá (Aiuaba, Arneiroz, Parambu e Tauá), o crescimento foi de 13,2%, uma vez que os resultados positivos de Covid-19 saíram de 98 para 111.

Fortaleza também foi citada no Boletim InfoGripe, elaborado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), como uma das dez capitais brasileiras que apresentam sinal de crescimento moderado ou forte na tendência de longo prazo - seis semanas - de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e de Covid-19. 

O titular da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), Carlos Roberto Martins, o Dr. Cabeto, afirmou que apesar da aceleração dos casos, é cedo para atestar a chegada de um novo pico da doença. Em pronunciamento na última quinta-feira (29), ele minimizou essa possibilidade. "Observamos aumento de um pequeno número de casos em algumas regiões. Não podemos falar ainda em segunda onda, seria precoce, mas estamos tomando os cuidados para monitorar", frisou.


 

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