Em formato drive thru, mostra valoriza o trabalho de jovens da periferia

Primeira neste formato a ser realizada no Ceará, a exposição “Arte de Rua - Mudando Vidas” pode ser conferida de 14 a 17 de janeiro, na Arena Castelão

Legenda: Miguel Gomes dos Santos, participante das oficinas e um dos primeiros a visitar a exposição.
Foto: Denise Marçal

A arte pode mudar vidas? A exposição “Arte de Rua - Mudando Vidas”, em exibição na Arena Castelão, prova que sim. Em formato inédito no Ceará, a mostra teve início no último dia 7 e segue aberta ao público de até dia 24 de janeiro. Ali, o visitante é conduzido a contemplar obras criadas por 60 jovens de periferia, participantes de oficinas de grafite realizadas em dezembro nos Cucas da Barra do Ceará e do Jangurussu, ministradas pelos artistas convidados Laura Holanda, Luci Sacoleira, André Nódoa, Zé Victor e Daniel Chastinet. Sem sair do carro, é possível apreciar arte gratuitamente e seguindo todos os protocolos de segurança contra a Covid-19.

Um dos primeiros visitantes foi Miguel Gomes dos Santos, de 19 anos. Não era um simples visitante, mas um dos alunos participantes da oficina realizada no Cuca Jangurussu. A satisfação de ver o resultado da obra, criada coletivamente em parceria com o artista André Nódoa, estava estampada no rosto do jovem, que vive em situação de rua. “Eu pintei essa parte azul”, mostra orgulhoso a sua participação na produção da tela. “Está aqui minha assinatura. Meu vulgo agora vai ser GM”, oficializa contente o novo nome artístico.

O contato com a arte e com os artistas deu novas perspectivas para o jovem. “Vou levar a arte adiante. Já estou até encomendando uns jets (spray de tinta) para grafitar a pista do Cuca José Walter e aqui do Jangurussu”, planeja. A oportunidade de aprender grafite e de se expressar por meio desta técnica surpreendeu também o jovem Eduardo Costa, 23 anos, bolsista e monitor em teatro pela rede Cuca. Para ele, a experiência foi uma forma de se colocar no mundo, fazer questionamentos, iniciar um diálogo. “A gente chegou a essa conclusão de que também é preciso colocar um pouco da nossa essência”, diz o estudante.

A fala de Eduardo faz crer que as 20 telas em exposição revelam mais do que os dons artísticos dos jovens autores das obras. Quem passeia de carro pela mostra pode perceber que, por meio de traços, desenhos e cores, a arte amplia perspectivas e olhares sobre a vida. Dá voz a quem precisa ser ouvido. E isso é transformador tanto para quem produz como para quem aprecia. “Essa troca de sentimentos que a tela passa pra outra pessoa que não construiu aquela obra de arte, mas que está ali apreciando, a torna parte da obra, porque está dialogando com aquele trabalho, com aquela arte, com aquele sentimento”, reflete o jovem.

Legenda: Obras trazem cotidiano e perspectivas dos autores.
Foto: Moisés Viana

Experiência única

Conduzir os alunos nessa construção coletiva foi o desafio dado a cinco artistas cearenses. Um deles foi o artista plástico Daniel Chastinet, que conduziu os alunos nas técnicas de pintura com tinta acrílica, mostrando todo o processo criativo até a obra finalizada. Um percurso que o profissional normalmente faria sozinho, contou com várias mãos e visões distintas. “Foi muito legal porque foi como uma imersão, tanto junto com os alunos como com os outros artistas”, diz Daniel Chastinet.

Daniel conta que já havia ministrado oficinas em que cada aluno produzia a sua própria obra. Mas juntar todos colaborando em uma tela foi o grande desafio, recompensado com o resultado final que agradou o artista. “Sinto orgulho dessa exposição tão bem montada, vendo que começou de uma tela em branco e algumas latas de tinta e pinceis. Minha maior expectativa é que essa exposição acenda neles uma centelha”, afirma o artista plástico.

Thyagão, curador artístico do evento, acredita que o projeto muda vidas quando aproxima a arte de jovens que vivem nas periferias de Fortaleza. “Os alunos perceberam que a arte tem esse poder de incluir e de humanizar e é possível viver de arte. Eles trocavam ideias com os artistas, que são da nossa cidade e vivem de arte”, afirma. De acordo com o curador, a ideia do projeto é que seja levado para outros bairros da cidade.

O que você precisa saber antes de ir à exposição Mudando Vidas

  • É preciso fazer o agendamento antes. Clique aqui.
  • Na entrada, você será submetido a procedimentos como: checagem de temperatura corporal e saturação e uma breve entrevista para saber as condições de saúde
  • O uso de máscara é obrigatório durante toda a visitação
  • A visita é guiada por áudio, que pode ser acessado por meio da leitura de um Qr Code disponível na entrada da exposição
  • Se você não tiver carro, o evento conta com 10 carros com motorista
  • O percurso da visita dura aproximadamente 30 minutos
  • Ao terminar a visita, você será conduzido para a saída da Arena Castelão. Não é permitido permanecer no local.

Serviço

Exposição “Arte de Rua - Mudando Vidas”
Local: Estacionamento da Arena Castelão - Av. Alberto Craveiro, 2901
Datas: 14 a 17/01 e 21 a 24/01
Horário: 13h às 20h45
Entrada gratuita

Inscrições via formulário on-line disponível aqui.

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