Covid-19: uso em excesso de produtos de limpeza pode gerar riscos à saúde

Especialistas alertam para alergias e irritações que a utilização contínua de materiais de limpeza podem causar e apontam cuidados no manuseio

Escrito por Redação,

Metro
Legenda: Médica alergista e imunologista, Fabiane Pomiecinski, recomenda a lavagem de mãos com sabonetes neutros ao invés do uso contínuo de álcool em gel
Foto: FABIANE DE PAULA

Durante pandemia da Covid-19, produtos de limpeza como álcool em gel, detergente, sabão e água sanitária passaram a se tornar itens mais presentes no cotidiano da população, utilizados como modo de proteção ao coronavírus. No entanto, o uso excessivo desses produtos pode causar ressecamento, irritação na pele e até bolhas, apontam especialistas. A utilização de luvas de proteção, assim como a dosagem na utilização são recomendadas para reduzir os impactos na pele.

Com pós-doutorado no National Institute of Health (NIH), nos Estados Unidos, o professor de química da Universidade Federal do Ceará (UFC), Luiz Lopes, aponta que “de um modo geral, qualquer uso excessivo de um material pode causar algum dano. Se você comparar um sabão com a água sanitária, a nossa pele aguenta passar muito mais tempo dentro de um sabão do que a água sanitária”. 

Porém, o especialista explica que com quantidade e tempo de contato exagerado, os materiam podem causar processos alérgicos ou danos mais severos, como queimaduras. Para Lopes, é importante seguir os protocolos de uso de cada produto. “Água sanitária pura nunca é bom jogar direto na mão. Ela resseca e se ficar muito tempo, pode provocar alergias”. 

Cuidados

A médica alergista e imunologista da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), Fabiane Pomiecinski, recomenda a utilização de sabonetes neutros e o uso de hidratante após a lavagens das mãos. Em caso de utilização de produtos de limpeza, aponta a importância da luva “A água sanitária, por exemplo, como é um produto muito forte, pode dar irritação na pele e vermelhidão”, aponta.

“Muita gente está com a pele ressecada por conta do álcool gel, então prefira lavar as mãos do que passar álcool gel o tempo todo”, recomenda a imunologista.

Na perspectiva da médica e dermatologista Hercilia Queiroz, a pandemia modificou o uso dos itens de limpeza. “Nesse período o que está encontrando mais é irritação. É tão contínuo e repetitivo de álcool em gel que mesmo quem nunca havia apresentado irritação tem começado a apresentar”, afirma. 

“Muitos pacientes acreditam que, como eles nunca tiveram, eles nunca vão ter, mas as coisas mudam. A rotina mudou e qualquer pessoa pode estar suscetível a isso. Seguir uma rotina de cuidado e sempre buscar uma ajuda médica caso a hidratação e as medidas tomadas em casa, não sejam resolutivas”, finaliza a Dr.a Hercilia.