Covid-19 : Quais os diferentes tipos de teste para detectar a doença?

O Diário do Nordeste conversou com um especialista para esclarecer dúvidas sobre os tipos de testes utilizados e os mais indicados para cada ocasião

Escrito por Redação,

Metro

Em meio a pandemia do novo coronavírus, o crescente número de casos e a lotação em unidades de saúde, tem despertado algumas dúvidas na população, como por exemplo: Como ter certeza se estou com coronavírus? Quais o testes a se fazer para essa detecção?. O surgimento de testes rápidos de farmácia e a demora dos testes laboratoriais aumentaram ainda mais essas dúvidas. O Diário do Nordeste conversou com médico Cleto Nogueira e esclareceu algumas dúvidas sobre o assunto.

Tipos de testes que estão sendo feitos no Brasil: molecular e sorológico.

O teste molecular, também conhecido como RT-PCR, detecta a presença do material genético do vírus Sars-Cov-2 no organismo do indivíduo. Esse teste é realizado através de um "cotonete", o swab, que recolhe da cavidade nasal e/ou na orofaringe - região perto da amígdala.
 
Já o teste sorológico, detecta a presença dos anticorpos, IgA, IgM e IgG, para o novo coronavírus no organismo. Ele é realizado através do recolhimento do sangue. Esse teste conta com três metodologias para a realização: ELISA,  Quimioluminescência e Imunofluorescência são realizados em laboratórios. Os testes de farmácias, também  conhecidos como modelos "teste rápido", também são analisados a partir da presença dos anticorpos, ele utiliza a técnica da imunocromatografia.
 
Qual teste devo fazer? 
 
Para o Dr. Cleto Nogueira, antes é importante entender a diferença dos testes e levar em consideração o tempo de infecção da pessoa. “Existe um tempo ideal para cada exame, então se você se infectou [a pouco tempo] e está com vírus, você ainda não teve tempo de produzir os anticorpos. Então nesse tempo inicial da infecção e os primeiros dias de sintomas, o ideal é fazer um teste que vai detectar a presença do vírus, que é o RT-PCR [teste molecular]”, pondera.
 
Quanto ao teste sorológico, o médico indica para um momento mais avançado da doença. “Com o passar dos dias, o organismo vai produzir os anticorpos, aí [sim] a partir do 9º dia [ou] 12º dia, quando os anticorpos já estão produzidos, aí [se] faz o teste sorológico”, pontua.
 
Teste de rápido ou de farmácia
 
O médico alerta, que por mais possa detectar a infecção pelo vírus Sars-Cov-2, o número de falso negativo e falso positivo é bem maior. “O teste rápido, que é esse teste de farmácia, [é] só com uma gotinha de sangue, né? Não é por ELISA (feito em laboratório), não tem essa reação mais sofisticada, é um que a gente chama de quimioluminescência e cromatografia. Então eles também, como são mais simples, a taxa de falso positivo e falso negativo também é maior”, explicou Cleto.
 
Teste mais recomendado
 
O teste mais recomendado para o diagnóstico pelo médico, e também pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é o molecular RT-PCR.
 
Mesmo sem sintomas, por muitos dias, ainda posso saber se fui infectada?
 
Sim! Mesmo após um longo período de tempo sem os sintomas da infecção, existe uma imunoglobulina, a IgG, também conhecida como “memória” que permanece no organismo, sinalizando que o indivíduo foi exposto e curado do vírus. 
 
“Depois de 28 dias vai aparecer somente o IgG, que é o anticorpo, a imunoglobulina que a gente chama de memória, que vai ficar para o resto da sua vida no organismo, para aquele tipo de vírus que você teve”, explicou Nogueira. “O teste para saber se você teve a infecção é o teste sorológico”, concluiu.