Como se dá a eficácia das vacinas aplicadas no Ceará contra Covid-19 diante de novas cepas

Mutações têm maior capacidade de “enganar” sistema imunológico, podendo infectar pessoas já vacinadas; imunizar o máximo de pessoas, porém, pode impedir multiplicação do vírus

Eficácia da vacina contra Covid-19 pode ser reduzida por novas cepas
Foto: José Leomar

Menos de um mês após a chegada das primeiras doses da vacina contra Covid-19 no Ceará, outra preocupação se soma às já enfrentadas pela população: a confirmação de infecções pela  nova cepa do coronavírus no Estado. Especialistas alertam que o maior potencial de transmissibilidade da mutação pode impactar quem já teve a doença e até quem já foi vacinado – mas que a imunização em massa e o respeito às medidas sanitárias são indispensáveis para frear a presença do vírus.

De acordo com Fábio Miyajima, pesquisador da Fiocruz Ceará, a transmissão mais veloz acontece porque a variação do Sars-CoV-2 tem uma maior capacidade de “enganar” o sistema imune humano.

“A variante pode causar reinfecções em pessoas que já tiveram Covid ou que já foram vacinadas, também. Então, o potencial epidemiológico e de relevância à saúde pública é muito grande. Teremos um 2021 muito mais parecido com 2020 do que com o ano normal de 2019, mesmo com o programa de imunizações", pontua.

Apesar de afirmar que “a pessoa que foi vacinada pode, sim, ser infectada”, o estudioso ressalta que, “obviamente, é importante monitorar todos após a segunda dose e dar um tempo para o organismo dar uma resposta completa”. “O que a gente alerta as pessoas é sobre a capacidade de produzir novas infecções e reinfecções. É importante que todas mantenham as medidas de isolamento social”, frisa Fábio Miyajima.

Imunizantes devem ser atualizados

Lígia Kerr, professora do Departamento de Saúde Comunitária da Universidade Federal do Ceará (UFC), também reforça que a variante do coronavírus [que circula] no Ceará “pode afetar a eficácia da vacina”, porque as imunizações foram elaboradas com base em cepas circulantes no início da pandemia.

O processo de atualização de vacinas, porém, é comum, realizado anualmente devido às mutações dos vírus, como no caso da influenza, por exemplo. “Hoje se faz, durante o ano, o monitoramento de cepas de vírus como o da gripe, para ver como elas mudaram. E são elas que vão determinar como a nova vacina vai sendo composta”, explica.

Com o coronavírus, não será diferente. “A Pfizer e a Moderna mediram a eficácia da vacina contra a cepa da África do Sul, que tem mais semelhança com a cepa do Ceará. E teve redução, o que já exige mudança”, explica a pesquisadora, cujo grupo de trabalho pretende acompanhar profissionais da saúde já vacinados para observar possíveis infecções ou reinfecções.

Vacinas retardam disseminação de variantes

O biomédico e virologista Mário Oliveira explica que “as variações não vão parar enquanto o vírus não parar de circular”, de modo que “algumas linhagens podem escapar das vacinas, diminuindo a eficiência da imunização”. Assim, é fundamental que o maior número de pessoas seja logo vacinado.

“A cada mutação, o vírus se torna mais forte, por isso é importante vacinar o máximo de pessoas. Todo ano temos que tomar vacina da influenza, por exemplo, que é modificada para dar conta das variantes”, pontua.

Mário observa, por outro lado, que a variedade de vacinas no mundo todo pode retardar a multiplicação das variantes do coronavírus, mas que “com certeza” será necessário adaptar os imunizantes ainda em 2021 ou já no ano que vem, à medida que o agente viral avança.

“São mais de 200 vacinas preparadas, muitas tecnologias diferentes. O coronavírus precisaria sofrer muitas mutações para conseguir debelar cada uma. Com várias pessoas tomando vacinas distintas, as variantes não vão circular como deveriam, controlando a disseminação da doença”, salienta.

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A vacina CoronaVac, produzida em parceria com a farmacêutica Sinovac, está sendo testada contra a variante amazônica do coronavírus, que já foi identificada no Ceará

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