Ceará foi um dos últimos pontos de observação do foguete chinês antes de seguir para a Lua

Rota foi divulgada por agência espacial chinesa e mostra caminho diferente para a volta da missão lunar o que deve impossibilitar nova observação no Brasil. Fortaleza, Camocim e Paracuru estão entre as cidades que podem avistar outros lançamentos

Foto mostra foguete
Legenda: Registro feito às 18h37 por astrônomo cearense
Foto: Lauriston Trindade

O lançamento da sonda espacial chinesa Marcha Longa 5 superou as expectativas de astrônomos quanto à visualização em solo brasileiro, na noite desta segunda-feira (23) e, antes de seguir rumo a Lua, teve o Ceará como um dos últimos pontos de avistamento do Planeta Terra. Pela rota da missão espacial, divulgada por agência da China, o foguete surgiu no Brasil, na região do Mato Grosso do Sul, passou pela Bahia até sair da Terra.

A sonda espacial, apesar de não ter percorrido o céu cearense, foi facilmente observada no Estado após ser lançada às 4h30 no horário da China, 17h30 da segunda-feira (23) do Brasil, para alcançar a Lua e trazer material do solo do satélite natural para análises. A operação deve durar duas semanas e volta ao planeta por um caminho diferente o qual não permitirá novas observações no País.

O astrônomo amador cearense, Lauriston Trindade, membro da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (Bramon), explica que o foguete foi identificado pela sua rota e horário de lançamento. Com essas informações, é possível associar as imagens feitas por diversas pessoas da luz observada em diversos pontos do Nordeste.

“Existia definida a trajetória e isso é muito preciso: o momento de acionar os motores, de deixar a Terra para se dirigir à Lua. Então, já existia uma expectativa de que, pelo horário de lançamento, pudesse ser visto alguma coisa aqui no Brasil”

O que facilitou a visibilidade do foguete?

O foguete teve alta visibilidade porque o céu já havia escurecido no Brasil e raios solares clarearam o gás expelido pelo equipamento, como destaca Lauriston Trindade. “Aquela carga extra de combustível começa a vazar para o espaço para diminuir a massa do foguete e ele chega mais rápido sem ter que carregar um peso desnecessário. O procedimento acabou acontecendo no Brasil e, por conta do horário, o Sol já havia se posto, mas na alta atmosfera o foguete estava sendo iluminado pelo Sol ainda”, completa.

Tenente Romário Fernandes, do Corpo de Bombeiros, explica que a missão chinesa se propõe a trazer 2 kgs de amostras do solo da Lua - algo não realizado há 45 anos, como destaca - e deve retornar por um outro caminho. “A missão deve passar duas semanas na Lua e voltar na metade de dezembro, infelizmente, por um caminho diferente do da ida o que não vai nos permitir um novo espetáculo como o que aconteceu ontem”, frisa.

Cidades cearenses como Fortaleza, Paracuru e Camocim também possuem localização que permite a observação de lançamentos de foguetes da base da Guiana Francesa, como contextualiza Lauriston Trindade. “Dependendo do horário, é possível ver também esse mesmo estágio do lançamento, mas é muito mais raro e a gente não consegue ver tão alto no céu. Esse foi bem espetacular, bem visível e acessível para milhões de pessoas que puderam ver ontem à noite”, pondera o astrônomo.

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