Capital será Centro de Distribuição da vacina contra Covid-19 no NE

Fortaleza, Recife e Salvador foram as três capitais do Nordeste escolhidas pelo Ministério da Saúde para armazenar e distribuir doses do imunizante aos demais estados da região, segundo informou o prefeito eleito Sarto Nogueira

Legenda: Vacinação de toda a população de Fortaleza dependerá da disponibilidade no primeiro lote
Foto: AFP

Fortaleza será um dos Centros de Distribuição da vacina contra a Covid-19 no Nordeste, ao lado de Recife e de Salvador. A informação foi repassada pelo prefeito eleito Sarto Nogueira, ontem, durante a última sessão como presidente da Assembleia Legislativa do Ceará. A menos de 10 dias para assumir a gestão municipal, ele reforça que a ideia é vacinar os 2,6 milhões de moradores da Capital, caso haja disponibilidade já no primeiro lote.

Sarto Nogueira evidenciou que vem tratando o assunto diretamente com o governador Camilo Santana e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Ele contou que esteve na última semana na Pasta federal participando de reunião. No encontro, soube que Fortaleza será um dos três centros de distribuição da vacina no Nordeste.

"O ministro nos recebeu muito bem e nos explicou a ideia da aquisição das agulhas, das vacinas e a distribuição, inclusive ele estava tratando, na hora em que conversávamos, sobre a operacionalidade do transporte aéreo. Recife, Fortaleza e Salvador serão distribuidores do Nordeste", citou.

Conforme Sarto Nogueira, o plano de contingenciamento envolve desde a aquisição de imunizantes e insumos à escolha dos locais onde as pessoas receberão as doses. A Prefeitura já está preparando a licitação para a compra de agulhas, seringas, luvas e álcool em gel para os profissionais de saúde que atuarão na campanha de vacinação em massa da população em Fortaleza.

Além dos refrigeradores que serão adquiridos para o armazenamento das vacinas, cuja quantidade não foi indicada, o prefeito eleito reforça o apoio operacional da Universidade Federal do Ceará (UFC). A instituição cedeu freezers de alta potência com capacidade para congelar 40 milhões de doses a uma temperatura de 70 graus negativos.

"As equipes já são treinadas, até porque a vacinação segue um modelo de imunização de outras viroses, como a H1N1, que é uma injeção intramuscular. Na verdade, as equipes já estão sendo trabalhadas, os locais sendo dimensionados", ponderou Sarto Nogueira.

Assim como nas campanhas anteriores de vacinação, as doses serão oferecidas nos postos de saúde. A única diferença, contudo, é que idosos e gestantes terão o imunizante em casa. Se a Capital receber vacina para toda a população, Sarto explica que os demais equipamentos de saúde poderão dar suporte logístico.

"Já temos uma rede estruturada nas sete regionais e temos uma capilaridade com as quatro policlínicas, 12 Unidades de Pronto Atendimento (Upas), três Frotinhas, o Hospital Nossa Senhora da Conceição, o IJF 1 e 2, o Hospital da Mulher e o Hospital da Criança", aponta, complementando que se a Capital tiver o montante necessário de doses, terá "condição de vacinar em tempo recorde".

A meta, de acordo com o gestor, é "adquirir vacina para toda Fortaleza", se existir possibilidade já em um primeiro lote enviado ao Ceará. O repasse das doses, diz, será feito por etapas, priorizando na primeira leva profissionais de saúde "porque lidam no dia a dia" e grupos de risco, isto é, pessoas com comorbidades.

"Precisamos só da liberação da Anvisa. O Governo Federal está comprando, o estadual também, e nós estamos pegando carona, vamos comprar, porque nós temos um inquérito sorológico que mostra que mais ou menos 20% da população por amostragem já tem anticorpos para a Covid-19", afirma Sarto, sem citar o volume que será adquirido pela Prefeitura de Fortaleza.

Recebimento

A previsão de chegada das vacinas é "exatamente para fim de janeiro e começo de fevereiro", disse. Por esse motivo, somado à incerteza da quantidade de doses que será enviada à Capital, Sarto Nogueira não cogita a realização do carnaval em 2021.

"Acho difícil porque a vacina ocorre, são duas doses na média, e a previsão é exatamente para fim de janeiro e começo de fevereiro. Não acho que dê tempo de organizar, até porque tem um edital e uma série de coisas que não dá para fazer. Também a gente não sabe se virá para todo mundo de uma vez só, talvez venha por lotes", acrescentou Nogueira.

Cuidados

A infectologista do Hospital São José, Melissa Medeiros, alerta que apesar da possibilidade de a vacina ser ofertada à população, o atual cenário epidemiológico do novo coronavírus ainda exige cuidados básicos, sobretudo com a proximidade das festas de fim de ano nas quais mais pessoas se predispõem a ficar juntas.

"A vacina tem uma variação de proteção, de 60% a 95%. A gente sabe que quanto mais velho e mais baixa a imunidade da pessoa, menos chances ela tem de desenvolver muito anticorpo, ou seja, não é porque eu vou me vacinar que eu vou ter que perder todas as medidas de controle, como higienização, distanciamento social, e a máscara não vai desaparecer no ano novo", atesta a profissional.

É preciso ainda, na avaliação da médica, esclarecer sobre a segurança e a importância de receber a dose contra Covid-19, diante dos grupos antivacina que demonstram resistência. Na prática, os movimentos contrários descredibilizam o imunizante com notícias falsas de que a vacina pode provocar a morte.

"A gente já vê até aqui em Fortaleza campanhas desse tipo. Eu acabei de ver uma manifestação na Praça Portugal. Então, assim, que a vacina não se torne uma (questão) política. Ela deve ser valorizada como uma medida de saúde pública e voltada para a segurança de todas as pessoas. Não é questão de partido A ou B, a favor ou contra o presidente. A gente tem que deixar de politizar coisas científicas, como foi feito com a medicação", diz Melissa, se referindo à cloroquina.

Estado

No último dia 10 de dezembro, o titular da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), Dr. Cabeto, já havia informado que o Ceará terá "planos diferenciados para os tipos de vacinas diferenciadas". Inicialmente, as doses serão aplicadas em 1.794.076 pessoas que integram os grupos prioritários, como trabalhadores da saúde, idosos a partir de 75 anos, pessoas com 60 anos ou mais que vivem em instituições de longa permanência e população indígena. A segunda fase inclui pessoas entre 60 a 74 anos.

Já na terceira etapa estão aqueles com comorbidades que apresentam maior chance para agravamento da doença (pessoas com doenças renais crônicas, cardiovasculares, entre outras) e a quarta os professores, forças de segurança e salvamento, funcionários do sistema prisional e população privada de liberdade.

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