Atendimentos por Covid-19 nas UPAs em Fortaleza caem 25% após pico da segunda onda no Ceará

A gravidade dos casos que chegam às unidades também diminuiu, segundo o IntegraSUS

Escrito por Luana Severo, luana.severo@svm.com.br

Metro
Em maio, segundo o IntegraSUS, 12 UPAs de Fortaleza registraram o acumulado de 12.187 atendimentos por Covid-19.
Legenda: Em maio, segundo o IntegraSUS, 12 UPAs de Fortaleza registraram o acumulado de 12.187 atendimentos por Covid-19.
Foto: Kid Jr

O número de pacientes com Covid-19 dando entrada nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Fortaleza caiu 25% entre março e maio, segundo a plataforma IntegraSUS. A queda nos atendimentos foi observada logo após o pico da segunda onda da pandemia no Ceará. Além disso, os dados dão conta de que a gravidade dos casos diminuiu 51,7% entre abril e maio.

Apesar da redução importante em relação a março (16.271), os números ainda são alarmantes. Para se ter uma ideia, a quantidade de atendimentos por Covid-19 em maio (12.187) foi próxima do registro de fevereiro (12.746), quando a segunda onda eclodiu no Estado. Além disso, a demanda por atendimento de infectados pelo coronavírus nas unidades básicas este ano já supera o dobro do total registrado em 2020.

A virologista, epidemiologista e professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), Caroline Gurgel, reforça que a redução da demanda é discreta e que, por não se ter ainda uma cobertura vacinal suficiente contra o vírus, não é possível dizer que a situação está estável.

Tudo é muito sensível, inclusive os indicadores. Eles se mantêm em queda, isso é bom. Essa é a característica que observamos de uma doença respiratória de alta transmissibilidade: ela vem, afeta uma quantidade enorme de pessoas, depois temos uma desaceleração dos casos devido à quantidade de infectados já ser grande”.
Caroline Gurgel
Virologista, epidemiologista e professora da Universidade Federal do Ceará (UFC)

A especialista ressalta ainda que há o esgotamento natural da população suscetível à infecção pela variante circulante. Contudo, pontua que é necessário manter medidas de isolamento e de proteção pessoal, visto que “a partir do momento em que tenho uma intensa circulação de pessoas, tenho o suficiente para [a criação de] uma nova variante. E reinicia todo o processo”.

O biólogo Luciano Pamplona, também epidemiologista e professor da UFC, frisa que, apesar de menos intensa que no início do ano, a circulação viral permanece, o que continua exigindo distanciamento social e uso de máscara, especialmente. Porém, diferentemente de Gurgel, ele acredita que a flexibilização das atividades econômicas e sociais deve prosseguir. “O cenário requer cuidados em virtude ainda de transmissão importante, mas mostra que estamos em tendência de queda, o que possibilita a flexibilização que vem sendo feita”, diz.

Gravidade dos casos

Um outro dado que aponta tendência de queda na demanda por atendimento por Covid-19, segundo o IntegraSUS, é o de gravidade dos casos que chegam às UPAs. Em março, o número de casos graves classificados nas cores laranja e vermelho representava 41,3% do total de atendimentos devido à infecção. Em abril, baixou para 33% e, em maio, para 20,2%.

Houve, também, redução expressiva no número de óbitos nas unidades. Segundo Camila Machado, diretora geral das UPAs geridas pelo Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH), foram registradas 283 mortes em março, 275 em abril e 78 em maio. "Redução de gravidade a gente comprova pelos óbitos", reforça. 

Eliane Lima da Silva, 60, testou positivo para a Covid-19 em 18 de abril, três dias após o início dos sintomas da doença. 

Com saturação de oxigênio baixa, a agente de turismo buscou atendimento na UPA da Praia do Futuro e ficou internada por um dia, tempo suficiente para conseguir um leito de enfermaria no Hospital Leonardo da Vinci e ser transferida. Na UPA, ela lembra, “cheguei com o exame (raio-x pulmonar) e imediatamente fui pro médico, que mandou me colocar no oxigênio. Foi muito rápido”. Segundo ela, à época, “não tinha muita gente pra ser atendida”. Além disso, ela comemora seu quadro não ter se agravado tanto. “Graças a Deus!”, diz.

Mutações

A possibilidade de uma terceira onda da pandemia nos próximos meses se deve, de acordo com Gurgel, à entrada e circulação de novas variantes do vírus. Ela lembra que, no Brasil, já foram identificadas a do Reino Unido, a sul-africana e a indiana.

O coronavírus, por possuir material genético de RNA, não faz correção quando se multiplica dentro das células, e é essa ausência de correção, segundo Gurgel, que permite mutação e o torna mais transmissível. “Isso é muito comum entre os vírus respiratórios de RNA. É por isso que a gente não tem, por exemplo, uma imunidade duradoura pra nenhum vírus respiratório, porque eles são muito mutáveis. Só que a gente não tinha lidado ainda com um vírus respiratório, fora o Influenza, que passasse por isso tão rápido”, comenta a virologista.

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