Ao menos 137 mil trabalhadores da saúde no Ceará podem tomar reforço da vacina em outubro

O Ministério da Saúde orientou a aplicação da dose extra, mas não divulgou quando deve ocorrer. Cerca de 32 mil pessoas neste grupo foram contaminadas

Escrito por Redação,

Metro
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Legenda: A nova aplicação, conforme determina o Ministério da Saúde, deve ser realizada preferencialmente com a vacina da Pfizer
Foto: Thiago Gadelha

O reforço na proteção contra a Covid-19 daqueles que atuam na área da saúde foi oficialmente orientado, na sexta-feira (24), pelo Ministério da Saúde com a recomendação da aplicação da dose extra neste grupo. No Ceará, ao menos, 137.697 trabalhadores da saúde, que tomaram a segunda dose até o dia 30 de março, estão aptos a receberem a nova dose em outubro.

A estimativa foi feita pelo Diário do Nordeste, baseada em dados do Vacinômetro Covid e números do Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI).  

Contudo, a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa) informa que ainda aguarda uma nota técnica do Ministério da Saúde para definir quando e como a nova etapa realmente terá início. O número projetado pode variar, já que o SIPNI é alimentado constantemente pelos municípios.

No Brasil, em cidades dos estados do Mato Grosso do Sul, do Maranhão, do Rio de Janeiro e de São Paulo, as gestões já decidiram começar a vacinar os trabalhadores da saúde.

Em alguns municípios desses estados, a dose de reforço tem sido aplicada de forma decrescente por idade nesse grupo. Em outros, a prioridade de aplicação é quem está no exercício efetivo das funções nas unidades de saúde. 

Novo momento da campanha

A nova aplicação, conforme determina o Ministério da Saúde, deve ser realizada preferencialmente com a vacina da Pfizer e o grupo deverá receber a nova dose seis meses após o profissional ter completado o ciclo vacinal (com as duas doses ou a dose única) independentemente de qual imunizante tomou.

No Ceará, os profissionais aptos a já receberem o reforço em outubro, de acordo com o SIPNI, tomaram a 1ª e a 2ª dose da Coronavac. Dentre os 137 mil estão: agentes comunitários de saúde, médicos, auxiliares de enfermagem, enfermeiros, médicos, odontólogos e fisioterapeutas. 

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Trabalhadores da saúde, segundo dados do Integrasus, plataforma da Sesa, morreram em decorrência da Covid no Ceará. 

No Estado, 32 mil pessoas, enquadradas neste grupo, foram contaminadas. Dentre aqueles que perderam a vida, estavam médicos, técnicos e auxiliares de enfermagem, enfermeiros, agentes de combate a endemias, condutores de ambulância, cirurgião dentista, farmacêuticos e nutricionista. 

O Sindicato dos Médicos do Ceará, há alguns meses, solicita a aplicação da dose de reforço da vacina, tendo em vista a permanente exposição dos profissionais ao vírus e o avanço das variantes. Em pesquisa realizada entre os médicos, na qual 824 profissionais responderam, segundo a entidade, 87,3% afirmaram ter interesse que o Sindicato atue para garantir uma terceira dose do imunizante.

Impacto da vacinação

Para a vice-presidente do Sindicato de Enfermeiros do Estado do Ceará (Senece), Telma Cordeiro, após a vacinação dos idosos, a dos trabalhadores da saúde “deve ser uma prioridade. Porque somos nós que ainda estamos na linha de frente. Resta saber como vai funcionar”, acrescenta. 

De acordo com Telma, que atua no Hospital São José, o Sindicato avalia ser de extrema necessidade que os trabalhadores da saúde recebam a terceira dose da vacina.

“É uma decisão super correta. É um aumento da nossa imunidade. Estamos em um cenário muito incerto, embora tenha melhorado os índices. É um reforço. Ainda estamos na linha de frente da coisa, por isso é super válido”. 
Telma Cordeiro
Vice-presidente do Sindicato de Enfermeiros do Estado do Ceará

No Estado, segundo dados do Integrasus, a dinâmica dos casos de Covid entre trabalhadores da saúde seguiu o movimento das duas ondas de contaminação da população em geral. Houve pico em maio de 2020, com 6,4 mil casos, e na segunda onda; o maior número de confirmações ocorreu em março, com 1,8 mil contaminações. 

De março de 2021 em diante, há um recuo expressivo e consecutivo nos registros entre trabalhadores da saúde. Em setembro, até o dia 27, foram 43 confirmações no mês.  

“Avalio que a vacinação influenciou muito. Mesmo com toda a problemática da (variante) delta, nós não tivemos os casos esperados. No Brasil, praticamente paramos na segunda onda e estamos segurando para que não venha ocorrer. A vacinação contribui muito.Tem tido uma diminuição bem drástica dos casos”, completa Telma. 

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