8 cidades da Grande Fortaleza não registram óbitos por Covid há mais de 2 meses; confira lista

Avanço da vacinação e das formas de tratar a doença são principais fatores – mas início de 2022 mantém alerta aceso

Escrito por Theyse Viana, theyse.viana@svm.com.br

Metro
Cartão de vacina contra a Covid sendo carimbado em Fortaleza
Legenda: Avanço na imunização da população contra a Covid é principal fator para redução dos óbitos pela doença
Foto: Thiago Gadelha

O cenário que se desenha na saúde do Ceará é oposto ao caos de meses atrás: é de “tranquilidade”, descrevem especialistas. Fortaleza já completa quase 20 dias sem novos óbitos por Covid-19, e 8 cidades da Região Metropolitana estão há mais de 2 meses sem registrar perdas para a doença pandêmica.

Profissionais de saúde e pesquisadores são unânimes quando apontam os três principais fatores para o recuo da pandemia no Ceará: avanço da vacinação, aprimoramento da lida com a doença e clima favorável à queda de doenças respiratórias no segundo semestre.

De acordo com dados do Integra SUS, coletados na manhã desta quinta-feira (11), 8 das 19 cidades da Grande Fortaleza estão sem óbitos por Covid desde setembro – em algumas delas, o último registro foi em junho. 

Cidade e mês com último registro de morte por Covid

  • Itaitinga – junho
  • Pindoretama – junho
  • São Luís do Curu – junho
  • Guaiúba – julho
  • Horizonte – julho
  • Maranguape – julho
  • Pacatuba – 1 óbito em julho
  • Trairi – 1 óbito em agosto

 

As informações estão sujeitas a atualizações, já que há atrasos no registro dos dados enviados pelos municípios. Por isso, o Diário do Nordeste checou também os boletins epidemiológicos e atualizações oficiais dos municípios. E houve divergências.

No Integra SUS, as cidades de Cascavel e São Gonçalo do Amarante aparecem com registro de mortes zerado entre setembro e novembro – mas publicações oficiais dos dois municípios mostram um novo óbito registrado neste mês em cada localidade.

Pela plataforma da Sesa, quando se olha para todas as regiões do Estado, o número de óbitos também zerou em 94 municípios cearenses não têm mortes por Covid desde agosto, e em 49 deles já são 4 meses sem vidas perdidas.

Não imunizados são maioria entre óbitos

A principal responsável pela queda das mortes é óbvia: a vacinação contra a Covid-19, iniciada no Ceará em janeiro deste ano. Até terça-feira (9), data da última atualização do Vacinômetro da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), mais de 5,2 milhões de cearenses já haviam completado o esquema vacinal com duas doses ou dose única.

Luciano Pamplona, epidemiologista e professor do Departamento de Saúde Comunitária da Universidade Federal do Ceará (UFC), frisa que os imunizantes surtem efeito importante tanto na redução das internações como no número de óbitos pela virose.

Essa é a principal característica da vacina: as pessoas vacinadas podem até apresentar sintomas da Covid, mas têm menos chance de ficarem graves ou morrerem.
Luciano Pamplona
Epidemiologista

O epidemiologista aponta ainda que o perfil dos óbitos e hospitalizações mudou. “Na 1ª onda, quando não havia vacina, as pessoas que mais morriam eram idosos e com comorbidades. Depois da vacinação, quem ainda morre por Covid é, em grande maioria, quem não se vacinou ou não completou o esquema vacinal”, alerta.

Outro fator que contribui, junto à vacina, para diminuir a letalidade do coronavírus é o aperfeiçoamento das técnicas de tratamento da Covid, apesar de ainda não haver medicação comprovadamente eficaz contra ela, como reforça o infectologista Keny Colares.

“Houve um investimento de energia muito grande pelos profissionais em buscar soluções. Apesar de as drogas que têm alguma atividade contra o vírus estarem surgindo só agora, existiu uma série de medidas de acompanhamento do paciente que desenvolvemos e aprendemos a usar cada vez melhor”, relembra.

Entender o comportamento da doença, saber as fases, que os problemas respiratórios acontecem geralmente na 2ª semana. Vamos acertando mais à medida em que conhecemos a doença e a hora de fazer a intervenção correta.
Keny Colares
Infectologista

Clima no primeiro semestre preocupa

Apesar dos indicadores positivos, não é momento de baixar a guarda. Luciano Pamplona alerta que no Ceará, naturalmente, o período de fim de ano é quando há menos doenças respiratórias – e o oposto ocorre a partir de janeiro. Por isso, é fundamental manter as conhecidas medidas de proteção.

“O importante é termos em mente que há uma redução fundamental por conta da vacina, mas que é necessário continuar as medidas. O vírus continua circulando e, devido à sazonalidade, teremos aumento de casos já nos próximos meses”, salienta.

Tendo esse cenário em vista, qual pode ser o impacto das festas de fim de ano no Ceará? O epidemiologista explica.

O infectologista Keny Colares explica que a influência dos aspectos climáticos na incidência das doenças respiratórias “não é completamente clara ou aceita por todos”, mas que o padrão já é conhecido: o primeiro semestre “é cheio dessas doenças”, ao contrário do segundo.

Em 2022, esse fator deve se unir ao “relaxamento” da população contra aos protocolos sanitários de combate à Covid, que enxerga no recuo da pandemia uma brecha para retomar hábitos ainda perigosos à saúde.

Assim, opina o médico, restam mais dúvidas do que respostas: “será que vai continuar tudo assim? Ou com a mudança do comportamento da população e do clima poderemos ter uma nova elevação de casos? Essa é a nossa preocupação.”

Como está a Covid em Fortaleza e no Estado

O Ceará acumulava, até as 17h da quinta-feira (10), 947.864 casos confirmados de Covid. Do total, 873.114 pacientes se recuperaram e 24.528 não resistiram às complicações da doença. Mais de 17 mil infecções permanecem em investigação.

0,93
é a média de óbitos diários por Covid no Ceará nos últimos 15 dias. Entre 27 de outubro e 10 de novembro, sete dias tiveram registros zerados.

Já em Fortaleza, 258.498 pessoas testaram positivo para o coronavírus desde o início da pandemia, das quais 208.692 já constam como recuperadas e outras 9.825 perderam a vida para a virose. Outros 9,1 mil casos estão sendo investigados.

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